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Big Little Lies | Violência de gênero não tem preconceito de classe
Fonte da imagem: Divulgação/HBO
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Preocupação com as aparências, diferentes tipos de opressões, medo de perder certos privilégios financeiros que podem acabar se transformando em muralhas que fecham a mulher em um castelo de abuso, silêncio e solidão. A mais recente minissérie da HBO, "Big Little Lies", tem tudo isso um pouco.

Dirigida por Jean-Marc Vallée ("Livre", "Clube de Compras Dallas") e protagonizada por nomes como Nicole Kidman, Shailene Woodley e Reese Witherspoon, a minissérie retrata a vida na pacata cidadezinha californiana de Monterey, onde famílias do tipo comercial de margarina vivem vidas aparentemente incríveis, com suas casas absurdamente aconchegantes à beira-mar.

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No entanto, o que a minissérie retrata é um ambiente tenso e hostil, onde até mesmo brigas e popularidade entre os filhos se reflete nos relacionamentos entre as mães e pais. Sabemos, desde o primeiro episódio, que o desfecho da minissérie será um crime, possivelmente um assassinato. Só não sabemos quem fez o que, quem são as vítimas e quem são os criminosos.

Para chegar até lá, o roteiro intenso e profundo abre as portas das casas das famílias de Madeleine e Ed, Celeste e Perry, Jane e Bonnie e Nathan, nos convida para sentar com eles à mesa de jantar, nos mostra seus conflitos mais íntimos e seus demônios internos.

Lindos por fora, nem tanto por dentro

Big Little Lies mostra o quanto a ânsia por manter as aparências faz com que a vida em determinados universos sociais é construída tendo como base grandes e pequenas mentiras, uma verdadeira encenação.

Uma encenação que acontece em um belo teatro, com trilha sonora de primeira qualidade. As músicas e ambientação sonora da minissérie é excelente, contribui com o andamento do roteiro, tornando as cenas de conflito ainda mais angustiantes. E que cenários, minha gente. Uma casa mais linda do que a outra, uma praia mais maravilhosa do que a outra.

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No entanto, tudo na minissérie conduz para diferentes cenários de opressão. São mulheres fortes e cheias de personalidade, oprimidas por uma sociedade que exige demais delas - que faz com que elas exijam demais uma das outras. O destaque, nesse sentido, vai para a personagem Celeste (Nicole Kidman), que vive uma questão ainda mais difícil que as outras mulheres: é vítima de um relacionamento extremamente abusivo.

E a lição da série nesse sentido e um dos seus grandes méritos é despertar a reflexão no sentido de enxergar de fato um abuso como tal. A gente sabe da importância de se fazer recorte social e de raça na hora de considerar e ponderar cada questão relacionada a gênero. E a gente também sabe que a incidência de casos de violência de gênero é maior nas periferias. Mas isso não significa que ela não aconteça em círculos socialmente privilegiados - e muito menos que esses casos devam ser ignorados.

Mais motivos para assistir

Se a combinação cenários belíssimos, roteiro cativante e trilha sonora de arrepiar não foi o suficiente para convencer você a pegar sua xícara de café, sua pizza e maratonar essa minissérie hoje mesmo, então deixa eu te contar algumas outras coisas sobre "Big Little Lies".

A primeira delas é: pega esse elenco! Já fui mais do que convencida no primeiro nome, o de Nicole Kidman - que, por sinal, está brilhante nessa minissérie, um dos seus melhores papeis da vida, na minha opinião. Mas, além dela, de Reese e de Shailene, existe toda uma longa lista de atores incríveis que, todos, somam muito para o produto final. Adam Scott, Alexander Skarsgård, Zoë Kravitz, Laura Dern e muito mais, compõem esse time maravilindo.

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Personagens complexos e bem montados também contam como um excelente motivo para ver a minissérie. Destaque para a intensa Madeleine Mackenzie (Reese) e toda a sua família, que é o verdadeiro retrato de tantas famílias abastadas Estados Unidos afora.

Conflitos entre pais separados, brigas por guarda, disputas de poder diante dos filhos, necessidade de autoafirmação diante do outro cônjuge... Tem de tudo o que você possa imaginar. E tem também a incrível Chloe (Darby Camp), a criança mais sensacional da ficção desde o Jack de “O Quarto de Jack”.

Um misto de “Desperate Housewives” com “Pretty Little Liars” e um toque de “Revenge”, a nova minissérie da HBO é uma das melhores opções de entretenimento que você poderia ver atualmente.

Confere o trailer pra saber um pouco mais, e checa também a galeria de imagens que preparamos para você!

Fonte das imagens: Divulgação/HBO
Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.