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Crítica do filme 1922

A colheita é obrigatória e tenebrosa

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 25 Outubro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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Eu já falei anteriormente que este é o ano de Stephen King, mas nada como ter mais um bom filme no catálogo do Netflix para comprovar esta teoria. Depois de “Jogo Perigoso”, temos a adaptação do conto “1922”, que vem para nos levar a uma época longínqua, onde o terror era mais doméstico.

Na trama deste longa-metragem roteirizado e dirigido pelo não-tão-conhecido Zak Hilditch (que tem alguns poucos curtas e o filme “As Horas Finais” no currículo), acompanhamos um pequeno trecho da vida da família James, mais especificamente a parte em que Wilfred assassina sua esposa.

Pois é, o filme vai direto ao ponto e começa com esta revelação bombástica, dando argumentos aos poucos dos motivos que o levaram a tal atrocidade. Agora, fica a questão: o que um homem da década de 1920 poderia querer mais do que uma família abençoada e uma colheita feliz?

Bom, parece que uma esposa determinada a fazer suas próprias vontades – ainda que visem apenas um futuro melhor para todos – certamente não está entre os desejos deste varão. Assim, qual poderia ser a única solução para garantir um amanhã melhor? Então, daí a ideia do sujeito.

Acontece que você não faz uma coisa dessas e fica impune. A polícia pode até não encontrar vestígios, mas há outras formas de punição que podem ser ainda mais difíceis. Assim, no melhor estilo “A Vingança de Willard”, este filme original da Netflix tem bons toques de suspense e umas pitadas de terror que vão deixar espectadores mais sensíveis bem transtornados. Vale o ingresso!

Tenebrosas consequências da loucura

Uma coisa que ajuda muito aqui é a narrativa do filme, que se dá em um tempo futuro, quando o senhor Wilfred relata os detalhes dos seus crimes, como se fosse um livro com visuais bem pesados. A linha de construção da história é balanceada de tal modo que não temos enrolações com bobeiras, o que deixa o filme com uma duração adequada o suficiente para contar o que realmente importa.

Importante notar que essa história de “um homem matou sua esposa” não é exatamente um spoiler, já que o segredo aqui está nos porquês bem como nas consequências. Todo o mistério do filme está justamente no pós-crime, sendo que a trama tem “pano pra manga”. Ter que lidar com uma ação dessas não é fácil, o que complica ainda mais para o jovem Henry James (Dylan Schmid).

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Aliás, importante notar que o desenvolvimento dos personagens acontece de forma natural, mas é claro que o foco está no protagonista, já que ouvimos a sua versão do caso. Assim, boa parte da trama se sustenta na atuação de Thomas Jane (que você talvez já tenha visto em “O Nevoeiro”, outro filme baseado numa história de Stephen King, que por sinal tem um final sensacional).

O ator está bem diferente do que vimos em outras obras, entregando uma performance muito sólida, ainda mais se pensarmos na questão do sotaque e das restrições quanto às características físicas do personagem. Ele não é mais o galã que conhecemos em outros verões, o que ajuda muito para a trama mais voltada para o tom assustador da história de King.

É claro que Molly Parker (de “Pequenos Delitos”, outro filme da Netflix) tem presença fundamental no script, já que leva algum tempo até que as memórias de Henry mostrem o assassinato de Arlette. Uma personagem incomum para um filme que retrata a década de 1920, porém totalmente cabível dentro do contexto. Mas vale ver para entender como a atriz se destaca em meio aos infortúnios.

Desgraça pouca é bobagem

Encarar a loucura não é fácil, ainda mais quando é da própria consciência. Todavia, o personagem aqui não precisa apenas superar o fato de ter cometido um assassinato, mas sim de defrontar que ele matou a própria esposa, fora a questão da motivação, a forma como aconteceu e as consequências do ato. Henry aprende da pior maneira como o acerto de contas pode ser cruel.

Basicamente, mudanças trágicas trazem sequelas assustadoras e aí o time de efeitos visuais faz um trabalho consistente para deixar a cena escabrosa. Em meio a uma infestação de ratos e nojeira, o espectador é levado a mergulhar nesse mundo de desespero, que é um bocado feio de ver, porém curioso pela perspectiva de que estamos observando um assassino que deve aturar as resultantes de seus pecados.

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A fotografia limitada a poucos ambientes, principalmente a um casarão escuro e sinistro, ajuda a dar o tom de desconforto necessário para a trama. Os cenários são propícios para um suspense, bem como a trilha sonora, que desempenha muito bem aqui ao se intercalar com momentos de silêncio profundo. Com vários momentos de tensão, o filme prende a atenção e passa voando.

E, no fim das contas, a vida nem sempre é justa, mas nem tudo se resume a vida. Se você é um fã de Stephen King ou se apenas quer um terrorzinho light com uma história bem curiosa, vale dar o play no filme "1922" e aproveitar o terrível sabor do terror.

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

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