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Crítica do filme A Maldição da Casa Winchester

Muita confusão, nada de tensão

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 01 Março 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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A Maldição da Casa Winchester” é mais um filme de terror chegando às telonas e que traz mais uma chuva de razões para você não perder seu tempo. Pois é, sempre que pinta um novo título do gênero, a gente fica na expectativa de ter boas surpresas, principalmente no que diz respeito aos sustos, que são cada vez mais raros em obras cinematográficas.

E olha, não foram poucas as vezes em que comentei sobre a falta de criatividade nos filmes de terror lançados recentemente, mas parece que os caras simplesmente não aprendem no tom e na coerência. Temos aqui mais um filme baseado numa história real, que pode ter origens fortes para um roteiro assustador, porém que se perde nos argumentos e nos clichês.

Falando em roteiro, este longa-metragem dirigido e roteirizado pelos irmãos Spierig (com a ajuda de Tom Vaughan no script) conta a história da casa de Sarah Winchester, herdeira da fortuna da fábrica de armas Winchester. Construída por décadas, num ritmo constante, a mansão surpreende pelas dimensões: sete andares de altura e centenas de quartos.

O local se destacou pelos estranhos acontecimentos, que pareciam ser loucura da proprietária. Todavia, este filme vem para mostrar que a história não é bem assim, já que Sarah construiu uma prisão para todos os fantasmas vingativos, que foram mortos pelas armas produzidas pela Winchester. Loucura? Sim. Contudo, a bagunça vai mais além do que você imagina.

Já adiantado aqui, é possível afirmar que “A Maldição da Casa Winchester” não é uma ficção, pois ela deixou extrapolou os domínios da mansão e passou a ser algo conhecido nos cinemas: numa película amaldiçoada por péssimos argumentos. Azar da produtora que decidiu levar essa ideia adiante.... Acompanhe abaixo para economizar algumas horas de cinema.

Parece que o tiro saiu pela culatra

Todo esse negócio de casa mal-assombrada já é assunto batido em filmes de terror, mas a possibilidade de inovação aqui é bem-vinda. Estamos falando não apenas de um caso real, porém também de uma casa que, apesar dos boatos de casos sobrenaturais, continuou sendo ampliada e virou pauta para jornalistas, estudiosos e, agora, para um filme.

O problema em "A Maldição da Casa Winchester", contudo, não está na base do script, mas no desenvolvimento, que se mostra muito raso e, às vezes, até um bocado aleatório para quem assiste. O filme consegue se sustentar, mas patina nas explicações, que parecem ilógicas, inclusive dentro da própria história. A tentativa de desmistificar o assunto e embarcar na onda do tema ao mesmo tempo não funcionou muito bem.

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Parte da culpa também se deve aos protagonistas, que são fracos de atuação e pouco interessantes. O doutor Eric Price (Jason Clarke) é o fio-condutor da história, mas toda sua expertise e vantagem por ser um especialista é invalidada constantemente pela dona da mansão. As regras da senhora Winchester soam absurdas, ainda mais pela falta de diálogo e clareza na comunicação, que deveria ser um ponto-chave para o filme dar certo.

Colocamos junto no balaio a presença de outros personagens que não somam nada ao contexto e temos um filme bem raso e pouco convincente. A motivação principal de Sarah Winchester (Helen Mirren), por mais que seja verdadeira, soa como absurdo e simplesmente deixa o andamento bem cansativo. No fim das contas, o filme parece mais um emaranhado de coisas sobrenaturais (e pouco assustadoras) do que um filme de terror.

Armas não matam pessoas, espíritos matam pessoas!

Com raras cenas de susto e tensão, o título "A Maldição da Casa Winchester" não deve ser um destaque entre os longas que serão lançados neste ano. Há de se considerar que ele tem uma surpresa que ajuda na construção da história, mas ela está tão perdida no bolo de argumentos incoerentes, que a gente acaba ficando perdido e só rindo das ideias malucas.

Apesar dos inúmeros pontos no roteiro que mereciam remendos, a película dos irmãos Spierig chama a atenção pela ousadia no cenário e também a fotografia caprichada. A ambientação é bastante assustadora, sendo talvez a principal responsável pelo clima de tensão constante, já que os demais elementos comentados são muito superficiais.

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Outro quesito que merece atenção é o trabalho sonoro muito bem executado. A trilha sonora recheada de barulhos assustadores se encaixa perfeitamente nas cenas mais silenciosas, em que qualquer ranger do assoalho deixa o espectador com a pulga atrás da orelha. Uma pena que seja tanto barulho para nada...

Enfim, com uma história previsível e raríssimos sustos, os produtores podem colocar pregos nas portas e abandonar a construção de uma possível saga. Se você é fã de terror e busca um título assustador ou mesmo uma obra com história inovadora, certamente “A Maldição da Casa Winchester” não é o que você busca. Agora, se você está vendo esse filme no Corujão, aí o ingresso pode valer a pena.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

A Maldição da Casa Winchester

Terror em construção

Diretor: Michael Spierig, Peter Spierig

Duração: 99 min

Estreia: 1 / Mar / 2018

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