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Crítica do filme A Noiva

É pra morrer de rir mesmo

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 28 Novembro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Nós já comentamos em alguns podcasts sobre as dificuldades que os roteiristas, diretores e também produtores têm em criar histórias originais de terror. É por isso que ao ver trailers como o do filme russo “A Noiva” temos uma centelha de esperança, afinal esses caras sempre têm ideias mirabolantes com ursos e coisas aleatórias.

No caso deste filme dirigido e roteirizado pelo fantástico Svyatoslav Podgaevskiy — o nome por trás de filmes como “Vladenie 18”, o qual você nunca ouviu falar —, acompanhamos a história da família de Vanya. O jovem acaba de selar seu matrimônio com Nastya e então decide levá-la para a casa da família, onde vai rolar uma tradição bizarra para o casório.

Esta é basicamente a sinopse de “A Noiva”, então não há espaço para surpresas. Todavia, o segredo do sucesso (ou de um grande fracasso) está nos detalhes. Conforme você já viu no trailer, a trama começa algumas décadas antes, com um antigo progenitor da família, que usou uma técnica de fotografia para aprisionar a alma de sua esposa.

E o que acontece quando brincamos com a morte? Temos um filme ruim do começo ao fim e, claro, muitas risadas. Com péssimos diálogos, dublagem horrível (no Brasil, o filme só chega dublado em inglês ou português, então nada de russo), efeitos precários, maquiagem chulé e trilha sonora repetitiva, temos a receita completa de como não fazer um filme de terror.

Roteiro em decomposição

A maioria dos filmes de terror peca por conta de roteiros pouco criativos, mas a gente sempre espera um mínimo de capricho e tem a esperança de que vai ver alguma novidade. No caso do longa-metragem “A Noiva”, a gente tem a impressão de ter algo inédito já no trailer, com uma proposta que remete aos mistérios da fotografia, ainda lá nos primórdios da técnica.

E o começo dessa história até que a gente se empolga com uma narrativa aguçada e algumas cenas medonhas, que brincam com cadáveres e sugerem uma pegada bem tensa de terror. No entanto, a narrativa muda completamente de rumo quando o filme dá um salto para os dias atuais, quando começamos a acompanhar uma história completamente distinta daquela apresentada no início da trama.

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Aos poucos, as coisas começam a se encaixar, mas as explicações são tão absurdas e desconexas, que a gente logo fica embasbacado com a audácia dos roteiristas. Quer dizer, a essência da maldição apresentada no filme tem bastante consistência e renderia uma ótima obra de terror e suspense, mas com a ideia de trazer essa coisa para o presente, o script apenas conseguiu apresentar sua putrefação, o que resulta num filme bem difícil de engolir.

Não que eu esteja cobrando muita lógica em filmes de terror, mas as desculpas e amarras para tentar encaixar os pedaços do roteiro vão de mal a pior. É o famoso “seria triste se não fosse cômico”, porque é tanta trapalhada e bobeira nos diálogos, que não dá nem para ficar decepcionado.

Potencial desperdiçado

O problema de filmes assim é que os roteiristas e produtores tentam subestimar a inteligência da plateia. Muita coisa é válida quando a gente fala de sobrenatural, mas quando os diálogos são muito rasos e as explicações falham em toda e qualquer tomada de decisão, a gente fica se questionando: por que é que eu estou assinstindo essa porcaria?

Bom, a gente assiste porque os trailers são mentirosos. Agora, é claro que uma história de baixa coerência não pode pecar em seus personagens, assim temos ilustres protagonistas que não conseguem nos cativar por um minuto sequer. Não há como aceitar quase nada do que acontece na telona, ainda mais quando a gente está num presente com tanta tecnologia e recursos para driblar as adversidades.

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Só que, para fechar o pacote, a gente tem uma dublagem que vai de mal a pior, algo que é pura e simplesmente culpa das distribuidoras que acharam que estavam fazendo um grande favor, mas aí fica a dúvida: se geral já vai ter que ler a legenda, que diferença faz o filme estar em russo?

Os brasileiros são campeões em dublagem, mas os americanos não levam jeito para a coisa. O resultado é um punhado de cenas em que a fala não encaixa com a cena, com uma expressividade que dá até dor na mandíbula de tanta gargalhada que a gente dá a todo instante. Mais parece um videogame do que um filme.

Aí, você soma tudo isso com muitos DEFEITOS ESPECIAIS e tem o resultado de um baita filme de comédia. Um grande desperdício de potencial e de tempo. Uma pena que não foi dessa vez que tivemos um filmão de terror vindo da Rússia. Fica para a próxima.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

A Noiva

Ela virá por você

Diretor: Svyatoslav Podgayevskiy

Duração: 93 min

Estreia: 2 / Nov / 2017

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