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Crítica do filme A Vigilante do Amanhã | Adaptação tão linda quanto a Scarlett
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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VEJA A FICHA COMPLETA

As pessoas adoram máquinas, mas talvez isso seja perigoso

Diretor: Rupert Sanders

Duração: 107 min

Estreia: 30 / Mar / 2017

Desde que foi anunciado que a adaptação do anime “O Fantasma do Futuro” seria protagonizada por Scarlett Johansson, diversas críticas surgiram a respeito do “whitewashing” americano, pegando algo essencialmente japonês e colocando vários atores americanos no lugar. Apesar de ser um fato irrefutável, esse é um dos casos que a personagem foi adaptada perfeitamente, inclusive com uma justificativa dentro da história. Se ao invés de Scarlett fosse uma atriz japonesa, seria melhor? Talvez.

Mesmo na versão original de 1995 dirigida por Mamoru Oshii (que participou de perto na produção dessa adaptação) a personagem não tinha nada de japonesa além do nome. O próprio universo em que Ghost in the Shell é situado foca bastante na diversidade, e isso fica ainda mais claro em “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”.

Mas esse é o ponto mais irrelevante a respeito dessa magnífica adaptação, e é bem provável que o filme abra espaço para diversas outras adaptações de animes e mangás, então a polêmica sobre “whitewashing” vai (e deve) continuar, mas não há motivos para boicotar o filme, ou pelo menos é preciso encontrar um motivo melhor.

Fantasma na Concha, o que?

Toda a história é focada na andróide “Major” (Scarlett Johansson), que após sobreviver a um acidente tem seu cérebro (e mente, espírito, alma, chame como quiser) transferido para um corpo inteiramente biônico, sendo a primeira de sua “espécie”. Ela passa a integrar um esquadrão de elite conhecido como Seção 9, que investiga crimes cibernéticos para uma grande empresa de tecnologia.

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O cyber terrorismo atinge novos patamares que incluem hackear e controlar mentes, e ninguém mais qualificada que a Major para detê-los. Ao tentar enfrentar esse novo inimigo, ela descobre que foi traída: sua vida não foi salva, mas sim roubada. Ela fará de tudo para descobrir sobre seu passado, encontrar os responsáveis e impedir que isso aconteça novamente com outros inocentes.

E isso tudo leva a diversas questões filosóficas (por vezes sutis até demais), sobre o que nos torna humanos no contexto de um mundo marchando para o progresso tecnológico, onde robôs podem facilmente substituir toda a humanidade. Caso você não tenha notado, “Ghost in the Shell” foi uma das principais inspirações das Wachowskis para "Matrix", tanto na parte estética quanto filosófica, então não estranhe se tudo parecer familiar demais.

E a propósito, toda a ideia cyberpunk também não é novidade, sendo amplamente utilizada em diversas mídias diferentes. Pode até soar como algo datado, exceto que  “A Vigilante do Amanhã” é esteticamente espetacular, os trailers já mostram muito mais do que eu posso descrever aqui. Tudo se passa no distrito Akihabara, com prédios absurdamente altos, cheios de neon e propagandas holográficas gigantes.

Mas o que impressiona realmente são as ruas, torres e viadutos, a parte mais crua da cidade faz a parte tecnológica ter sentido. Cenas como a conversa entre Major e Batou (Pilou Asbæk) no barco, ou a rua com poças, em que eles caminham brevemente para alimentar os cachorros de Batou, pequenos segundos que fazem conexão direta com a obra original e são de uma beleza única.

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São detalhes como esse que tornam essa adaptação significativa, ponto para o diretor Rupert Sanders. Além disso, as escolhas de elenco também foram muito acertadas, por mais que o foco seja em Johansson, o já citado Pilou Asbæk é a própria encarnação de Batou, está totalmente confortável no papel. Os outros membros da Seção 9 acabam ficando de lado, mas ainda servem ao propósito quando necessário.

A trilha sonora acaba ficando mais focada em sons eletrônicos, contrastando levemente com a versão original e suas músicas japonesas encantadoramente bizarras, ainda que uma das principais faixas também esteja presente aqui. No entanto, a trilha acaba sendo negligenciada em relação aos efeitos visuais, o que não é tão grave assim, considerando o conjunto da obra.

Pouca reflexão, muita ação

Um dos pontos que podem incomodar, é que o filme foca totalmente na ação, deixando o lado reflexivo tão presente na versão original meio de lado. Fica tudo meio apagado e achatado na questão “O que nos define não são nossas memórias, mas o que fazemos. O passado não importa, o que importa é o agora”. Existe todo um espectro de emoções e reflexões sobre o que significa realmente ser humano que são esquecidas para dar lugar a ação.

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Fica claro que para quem assistiu o original, “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” é uma excelente adaptação, e talvez até um complemento. E para quem não assistiu (ou não teve paciência para ver até o fim), talvez a sensação de novidade e cenas impactantes seja mais forte.

No geral, é um incrível filme de ação e ficção científica que talvez não seja perfeito, mas que impressiona pela ousadia e escolhas. É imprescindível assistir em IMAX, ou pelo menos na maior tela que você puder, não vai se arrepender.

 

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures
Thiago Moura

Curto as parada massa.

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