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Crítica do filme Deadpool 2

Um filme família

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quarta, 16 Maio 2018
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Se "Deadpool" é definitivamente um filme romântico perfeito para o dia dos namorados, "Deadpool 2" vai além. Agora é um filme para (e sobre) a família, repleto de violência pesada, diversos palavrões e nudez, mas como a classificação indicativa é 18 anos, não há com os pais não precisam se preocupar muito.

Mas acredite, os roteiristas, o diretor e todos os envolvidos na produção se esforçaram muito para entregar o que prometeram, ainda que da forma totalmente deturpada que esperamos de um filme do Deadpool. Ryan Reynolds retorna para o papel perfeito de sua vida, onde Wade Wilson é um mercenário com um incrível poder de regeneração que permite a recuperação de qualquer ferida física.

Então quando tenta viver feliz para sempre com seu amor Vanessa (Morena Baccarin) e tudo da terrivelmente errado, ele vai até a Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier, lar dos X-Men, tentar aprender a fazer parte de algo maior, ou uma família. Em sua primeira missão como estagiário X-Men, ele encontra o jovem Russel (Julian Dennison), um garoto perdido em raiva descontrolada com o poder mutante de gerar fogo pelas mãos.

Como se não tivesse problemas suficientes, Cable (Josh Brolin) vem do futuro para matar Russel, e Deadpool usa todo seu instinto familiar para proteger o garoto, contando com a ajuda do recém-formado grupo X-Force. Os membros dessa equipe são Zeitgeist (interpretado por Bill Skarsgård, o palhaço de IT), capaz de vomitar ácido; Bedlam (Terry Crews), capaz de gerar um poderoso campo bioelétrico; Shatterstar (Lewis Tan), uma espécie de alienígena capaz de fazer tudo que Deadpool consegue, só que melhor.

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Os trailers e imagens de divulgação mostravam um paraquedas vazio, e o misterioso personagem é Vanisher (ou Sumiço), interpretado por um ator reconhecidamente talentoso e bonito, responsável por um dos momentos mais engraçados do filme. Temos ainda a incrível Domino (Zazie Beetz), cujo poder é manipular as probabilidades gerando um campo de “muita sorte”. Ela rouba os holofotes em todas as cenas em que aparece, sendo uma escolha acertada tanto pelo talento da atriz quanto do uso criativo de seu poder nas telas. O mesmo vale para Cable, sem dúvida os dois servem como uma injeção de adrenalina que um filme de ação como esse precisa.

Além deles, Peter (Rob Delaney), um humano comum com um bigodão chamativo, aparece para integrar o time e acaba conquistando a afeição de Deadpool, mais uma adição bem inusitada e engraçada. Os personagens do filme anterior também retornam, Colossus (Stefan Kapicic), Míssil Adolescente Megassônico (Brianna Hildebrand), Al Cega (Leslie Uggams), Weasel (T.J. Miller) e o taxista Dopinder (Karan Soni).

O diretor Tim Miller foi substituído por David Leitch (de "Atômica" e "John Wick"), enquanto os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick continuam escrevendo, buscando ampliar o sucesso do primeiro filme. Isso posto, é fácil reconhecer que diversas situações e piadas foram “recicladas”, mas como o próprio filme nunca se propôs a ser sério, não podemos cobrar muito. A autodepreciação está bastante presente, com Deadpool gritando “que roteiro preguiçoso” diversas vezes.

A quebra da quarta parede como estrutura narrativa

Já ficou claro que o maior poder de Deadpool não é a regeneração acelerada, mas sim a metalinguagem presente na famigerada “quebra da quarta parede”. Não se sabe muito bem como esse termo surgiu, mas é originado nas peças teatrais medievais, referindo-se a uma parede imaginária que separa o público dos atores no palco.

Essa “parede” nunca existiu em Deadpool, pois o contato com o público é constante desde sua primeira aparição. A utilização da metalinguagem é a fonte principal das piadas, diversas zoações com outros heróis tanto da Marvel quanto da DC são recorrentes, focando totalmente nos fãs do gênero “super-herói”.

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Apesar dos diversos acertos, algumas piadas são extremamente datadas. Além disso, Deadpool anuncia a piada momentos antes de acontecer, o que acaba soando como uma piada repetida. Um bom exemplo é quando ele pergunta para Cable se dubstep ainda é moda no futuro, segundos antes da trilha tocar um dubstep durante a ação. A mesma situação é repetida mais adiante no filme, além de piadas literalmente repetidas do primeiro filme.Claro que é tudo engraçado, mas não é hilário como da primeira vez.

Em nenhum momento o filme tenta ser mais do que puro entretenimento. É despretensioso, pesando nas piadas e na metalinguagem com o único objetivo de divertir.

Os efeitos do primeiro filme foram suficientes, considerando o baixo orçamento da produção. Em “Deadpool 2”, os efeitos melhoraram mas ainda estão longe de serem perfeitos. Colossus ainda é completamente animado em computação gráfica, claramente um bonecão, mas a gente se acostuma e deixa passar. Ele participa de uma luta intensa com um vilão surpresa, que apesar de bastante fantasioso, faz bastante juz ao personagem.

A trilha sonora foi muito bem trabalhada, o compositor Tyler Bates fugiu da tradicional trilha padrão para heróis e adicionou músicas com letras adaptadas e referências a musicais. Sem contar a maravilhosa canção Ashes, interpretada pela diva canadense Celine Dion. Para quem espera algo bagunçado e tosco, as surpresas são bastante positivas.

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A mesma reclamação não pode ser feita a respeito das cenas de ação. David Leitch sabe conduzir lutas coreografadas muito bem, basta assistir seus outros filmes. Um dos pontos altos do filme é a sequência de perseguição no meio do filme, seguido de combates intensos, a maioria com a participação de Cable.

Deadpool 2” é uma versão melhorada de seu antecessor, tanto na ação, nas piadas e principalmente na violência gratuita e extrema. O filme até tenta ir além, com momentos mais “sérios”, mas acho que o estilo do personagem não suporta esse tipo de coisa por tempo suficiente para o público se importar.

O quanto você gosta de filmes de heróis, e principalmente os que não se levam tão a sério (DC, estamos falando de você) vai ditar o quanto “Deadpool 2” vai te agradar. Os fãs do primeiro filme não terão do que reclamar, mas para quem caiu de paraquedas no cinema e estava passando só esse filme, talvez a escolha não tenha sido a mais acertada.

A tradicional cena pós crédito já vale o ingresso, totalmente autorreferencial e autodepreciativa, exatamente a essência do que Deadpool sempre foi.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

Deadpool 2

Pintando o sete na telona novamente!

Diretor: David Leitch

Duração: 119 min

Estreia: 17 / Mai / 2018

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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