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Crítica do filme Em Busca dos Corais

Alerta submerso

Nicole Lopes

por
Nicole Lopes

Terça, 20 Março 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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O documentário é um gênero conhecido por despertar diversas emoções no espectador. Muitas vezes causam revolta ou felicidade ao relatar fatos reais, acontecimentos distantes do passado sobre os quais possuímos apenas sentimentos. Mas ao retratar algo que está acontecendo, que estamos vivenciando, o sentimento dominante é o da inquietação.

Esse é  o poder dos documentários. Eles são capazes de colocar uma pulguinha atrás da nossa orelha ao questionar a nossa realidade. É dessa forma que o diretor Jeff Orlowski embarca em uma aventura contra o tempo no belíssimo “Em Busca dos Corais” (Chasing Coral), resultado da parceria com a produtora com Luciana Rhodes.

Embora falar sobre o aquecimento global tenha se tornado clichê nas produções do gênero, é interessante observar a forma como o filme aborda o assunto. A ideia surgiu do ex-publicitário e fotógrafo, Richard Vevers, idealizador do filme, que após mergulhar em um recife reparou que boa parte dos corais estavam esbranquiçados. Um dos sintomas que sinaliza a morte deste ser vivo. 

“Nós precisamos de floresta? De árvores? De recifes? Ou  podemos viver nas cinzas disso tudo?”

Com  um olhar delicado, preenchido com belíssimas imagens submarinas, o filme expõe de forma impactante uma das mais sérias consequências das mudanças climáticas: o desaparecimento de grande parte dos recifes de corais no mundo. “Em busca dos corais” é filmado de uma forma muito original, aos moldes do que feito por Orlowski em Chansing Ice, o premiado documentário de 2014.

Se no filme anterior captura em time lapse as transformações das geleiras no mundo com o passar dos anos, dessa vez uma equipe composta por fotógrafos, biólogos e cientistas registram os efeitos do aquecimento global nos recifes de corais com o passar dos dias. 

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Desta maneira, o documentário desperta um debate importante: como alertar o mundo a respeito de um fato que está acontecendo em locais que poucas pessoas conhecem? Esse é o principal desafio do filme. Com ajuda de engenheiros e técnicos de câmeras subaquáticas, Reevers e Jeff desenvolvem equipamentos de alta resolução em uma trama envolvente, que prende a atenção pelas saídas engenhosas encontradas pela equipe. 

Sendo o oceano um habitat para não ter a vida humana, a equipe precisou encontrar formas de fotografar manualmente paisagens marinhas como a Grande Barreira de Coral na Austrália. O filme acompanha os esforços do cineasta Orlowski junto ao técnico de câmera subaquática,  Zack Rago e do fotógrafo Andrew Ackerman mergulhando no mesmo ponto do oceano por 107 dias. 

Uma imagem vale mais que mil palavras

O resultado é impactante. A fotografia do documentário é um dos pontos mais fortes, não só pela beleza que existem nos recifes, mas pelo impacto que elas geram durante todo o filme. Poucas pessoas terão a oportunidade de olhar a imponente beleza dos recifes de corais com seus próprios olhos. O diretor nos apresenta essa “cidade” submersa de forma natural e divertida .Em alguns momentos, é possível identificar semelhanças com a vida humana, como por exemplo o trânsito de peixes.

“Em Busca dos Corais” é uma corrida contra o tempo, seja as mudanças climáticas ou ponteiro do relógio, todos nós estamos contra ele. Toda a jornada para expor uma das consequências silenciosas do aquecimento global torna-se um grito de ajuda. “Nós precisamos de floresta? de árvores? de recifes? ou  podemos viver nas cinzas disso tudo?” é a pergunta inquietante que a equipe nos deixa ao fim do documentário.

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

Em Busca dos Corais

Uma corrida contra o tempo

Diretor: Jeff Orlowski

Duração: 93 min

Estreia: 14 / Jul / 2017

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Nicole Lopes

À procura do mundo invertido 

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