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Crítica do filme Fahrenheit 451

O mundo em ebulição

Lu Belin

por
Lu Belin

Domingo, 10 Junho 2018
Fonte da imagem: Divulgação/HBO Filmes
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Todo obra distópica da ficção começa por tensionar a realidade a partir do ponto de vista de um grupo dominante. Quando o livro "Fahrenheit 451", de Ray Bradbury, foi lançado em 1953, o mundo recem saía da 2ª Grande Guerra e o mundo ainda estava chocado com a mentalidade do nazismo e de regimes totalitários semelhantes.

E uma das táticas mais assustadoras desse tipo de regime é o controle da informação. Fahrenheit 451 escancara isso ao máximo: o livro, agora adaptado pela segunda vez para o audivisual na direção de Ramin Bahrani, conta a história de um futuro no qual a função dos bombeiros foi ressignificada.

Ao invés de apagar incêndios, eles agora são responsáveis por inciá-los toda vez que um livro é encontrado.
Quem lidera as expedições em busca de violações são o Capitão Beatty (Michael Shannon) e o bombeiro Guy Montag (Michael B. Jordan).

Para além dos batalhões, a vida das pessoas é pra lá de monitorada e manipulada. Elas se alimentam de informações apenas visualmente, por meio de telas de TV gigantescas que ocupam as paredes inteiras de seus apartamentos.

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Eles parecem estar se dando bem na missão de não deixar nenhum livro ser mantido intacto. A cada vestígio de um exemplar, Montag é o primeiro a aparecer e incinerar tudo. Até que algo acontece e intriga o bombeiro: será que o que ele está fazendo é justo e tem fundamento? Ou está sendo manipulado?

Toda a profondidade da obra de Bradbury está presente no filme da HBO, com algumas adaptações da obra original voltadas a atualizá-la. No filme, Sofia Boutella é Clarisse McClellan, uma rebelde contra o sistema que trafica objetos. Ela chama a atenção de Montag, que começa a entender melhor do que se trata a leitura e tudo o que vem com ela.

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Outra atualização interessante do longa-metragem é que ele traz a base da história para a era digital. Embora a história se passe no futuro em relação à época em que foi escrito, esse futuro do passado não se ajusta mais à concepção que nós temos do futuro.

Assim, além de incendiar cópias físicas, os bombeiros também combatem a possibilidade de upload das obras na rede, o que é bem interessante. Em tempos de internet, como impedir que os livros sejam disseminados em cópias online. A forma como o diretor e roteirista construiu isso na película foi interessante.

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Com um visual bacana e uma bela representaçaõ do futuro, "Fahrenheit 451" traduz para as telas com bastante simplicidade uma das mais importantes obras da literatura universal. As atuações são satisfatórias, mas não trazem nada de excepcional, apesar de se tratar de um time talentoso.

Ainda assim, é um bom filme com uma bela mensagem, que vale a pena ser visto - especialmente por quem quiser conhecer um pouco sobre a obra de Ray Bradbury.

Fonte das imagens: Divulgação/HBO Filmes

Fahrenheit 451 (2018)

"Um livro é uma arma carregada..."

Diretor: Ramin Bahrani

Duração: 100 min

Estreia: 19 / Mai / 2018

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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