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Crítica do filme Mentes Sombrias

O jovem tem que acabar

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quarta, 08 Agosto 2018
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Há alguns anos diversos livros escritos para adolescentes foram adaptados para as telonas na esperança de agradar esse público. Funcionou muito bem com “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, enquanto “A Quinta Onda” e diversos outros não atingiram o sucesso esperado. Acontece que da mesma forma que esse “gênero” de filmes invadiu o mercado e preencheu um lugar que estava vago, simplesmente repetir a mesma fórmula não é algo tão eficiente mais.

Fale sobre ficção científica, uma sociedade distópica e uma protagonista feminina supostamente forte e uma ampla gama de obras imediatamente será lembrada, mas como já foi dito, o público já teve uma boa dose disso. O que torna “Mentes Sombrias” uma aposta bastante ousada para 2018.

Como manda a regra, o filme é baseada numa trilogia homônima da escritora Alexandra Bracken e conta com a direção de Jennifer Yuh Nelson, responsável por “Kung Fu Panda 2 e 3” e sua primeira tentativa fora das animações vem carregada pelo peso da saturação de histórias similares.

Apesar desse tipo de história já ter sido contada diversas vezes, as mensagens passadas continuam relevantes. Seja você mesmo com seus defeitos e qualidades, cuide das amizades e da família e lute sempre pela verdade e justiça. É clichê, mas a juventude precisa ser lembrada dessas coisas simples constantemente.

É tipo X-Men com Jogos Vorazes, só que não.

A história se passa nos Estados Unidos, 98% das crianças foram erradicadas devido a uma terrível doença e os 2% que restaram desenvolveram poder sobre-humanos. Os mutantes remanescentes são levados para campos de concentração do governo para a segurança da população e delas mesmas. Lá, as crianças são separadas por cores que identificam o tipo de poder que elas manifestaram, e os mais perigosos são imediatamente eliminados.

Juventude animada

A protagonista é Ruby Daly (Amandla Stenberg, a Rue de Jogos Vorazes), uma garota de 16 anos com poderes telepáticos que podem ser usados para controlar outras pessoas. Para evitar ser morta, ela passou os últimos 6 anos disfarçada como alguém de outra cor dentro do campo militar em que foi levada assim que manifestou seu dom. Ela consegue fugir com a ajuda da médica Cate (Mandy Moore), mas logo escapa de seus cuidados para se juntar a outro grupo de adolescentes fugitivos.

Ruby conhece Liam (Harris Dickinson), com habilidades telecinéticas, Bolota (Skylan Brooks), com a habilidade de aumentar seu já elevado QI e Zu (Miya Cech) com poderes elétricos, e eles estão indo em busca de um santuário secreto onde crianças e adolescentes podem viver livres das garras do governo.

O foco são os jovens, mas o elenco “adulto” é totalmente desperdiçado. Por estarem foragidos, os protagonistas são perseguidos por caçadores de recompensa contratados pelo governo. A principal é Lady Jane (Gwendoline Christie, a Brienne de Game of Thrones), usando uma peruca ridícula e servindo como um mero contratempo banal dentro da história, apenas para citar um exemplo.

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Toda a ambientação e situações são rasas, não há uma explicação sobre o real motivo da doença que exterminou quase que inteiramente a população juvenil ter surgido, o mundo distópico não é tão caótico assim e existem três facções que lutam entre si pelos sobreviventes e seus poderes. Mas em nenhum momento é explicado qual a razão de juntar um bando de jovens superpoderosos num lugar só. Provavelmente os livros deem mais detalhes sobre essas ideias, mas é preciso se apegar a jornada de Ruby tentando entender seus poderes e sua ligação com seus companheiros, porque não há muito mais além disso para ver.

A parte final tenta forçar uma reviravolta que praticamente implora por uma continuação, mas é tudo tão vago que a vontade de saber o que vai acontecer passa junto com os créditos finais. A necessidade de um filme como esse precisar ser contado em uma trilogia desmotiva. Com exceção de quem já é fã dos livros, dificilmente alguém vai esperar para ver o final dessa história.

A sensação que eu tive foi a de assistir um filme feito por fãs, não um estúdio de renome com os mesmos produtores de "Stranger Things" (Dan Cohen e Shawn Levy) e de "A Chegada" (Dan Levine). Os atores são bons, mas nada que seja digno de nota. E pra quem espera efeitos especiais incríveis e demonstrações de superpoderes tipo X-Men, pode esperar sentado. Cada poder é relacionado a uma cor e sempre que são utilizados o olho muda para essa cor. Basicamente é isso, nada de muito impressionante, infelizmente.

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Pelo lado bom, estamos vendo a indústria de filmes ser preenchida por mulheres em papéis de extrema relevância. Uma autora de livros, uma diretora, uma protagonista forte (e negra, ao contrário dos livros e por escolha da própria diretora) e as representação de ideias tão básicas e necessárias para os tempos conturbados em que vivemos.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

Mentes Sombrias

Aqueles que mudaram, vão mudar tudo!

Diretor: Jennifer Yuh Nelson

Duração: 104min

Estreia: 16 / Ago / 2018

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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