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Crítica do filme O Pesadelo - Paralisia do Sono | Boa noite, e boa sorte...
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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Quando acordar não põe fim ao pesadelo...

Diretor: Rodney Ascher

Duração: 90 min

Estreia: 26 / Jan / 2015

Você desperta e logo percebe que algo não está certo. Uma força estranha estala seus sentidos e você instintivamente sabe que não é seguro. Sua mente acelera e comanda seu corpo a se levantar e investigar o que está acontecendo. Entretanto, ao tentar se mover seus braços e pernas não respondem. A vontade existe, mas seus membros não se mexem. 

Você tenta chamar por socorro, mas também não consegue. A sensação de incerteza e insegurança aumenta. Sem saber o que está acontecendo o pânico se instala. A respiração fica cada vez mais difícil e você começa a sentir a paralisia se espalhar para o seu peito, pressionando os seus pulmões.

De repente tudo começa a tremer, como um terremoto cujo epicentro é você. Um apito ensurdecedor começa a tocar, você sabe que algo o espreita e está prestes a dar o bote, quando, sem qualquer aviso, você acorda de sobressalto em sua cama. 

Essa é uma das descrições mais amenas da “paralisia do sono”. Ninguém sabe ao certo o que é, mas são várias as vítimas espalhadas pelo mundo.

Com descrições que vão do mitológico ao extraterrestre, os episódios de dessa sindrome podem tomar contornos realmente aterrorisantes. Certamente um dos documentários mais assustadores já feitos, O Pesadelo - Paralisia do Sono de Rodney Ascher mistura depoimentos e re-encenações de histórias de pessoas que vivem com a Síndrome da Paralisia do Sono.

Angustiantemente curioso

Partindo de um lugar de curiosidade pessoal, o diretor parece buscar mais empatia do que respostas. O que acaba funcionando na hora de transformar o filme em entretenimento, mas distancia um pouco da objetividade típica do gênero.

Vale destacar que Rodney Ascher é o mesmo diretor do enigmático Labirinto de Kubrick. Para quem não viu, o documentário explora a miríade de teorias em uma das obras mais emblemáticas de Kubrick, O Iluminado, e diferentemente do que realiza em Labirinto de Kubrick, Ascher se insere dentro do projeto em busca de respostas para algo que lhe incomoda desde a infância, haja visto que o próprio diretor também sofre com os episódios de paralisia do sono.

O diretor transforma as narrativas das vitimas em verdadeiros contos de terror.

A percepção de Ascher é obviamente afetada por sua proximidade do assunto, no entanto, isso acaba rendendo uma interpretação singular do tema, e aqui está o grande trunfo do filme. Ao entrevistar oito pessoas, que relatam suas experiências com o distúrbio, o diretor consegue prender a atenção do espectador transmitindo com muita eficácia toda a angústia e pavor das vítimas.

Infelizmente essa característica também é a maior falha do filme. Se em O Labirinto de Kubrick, Ascher se cerca de especialistas e analistas que entregam explicações elaboradas e “cientificamente estruturadas”, em O Pesadelo o diretor não oferece nenhum contraponto as narrativas das vítimas. 

Em momento algum recebemos uma contextualização médica sobre o assunto. Possíveis causas e eventuais tratamentos são deixados totalmente de fora do filme. Isso certamente restringe o mérito científico do documentário, ao mesmo tempo em que o "mistério" ajuda a mostrar a angustia que aflige as vitimas.

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Quando te deitares, não temerás

Para os não iniciados no gênero, O Pesadelo pode ser uma boa “porta de entrada”. O modelo típico documental está ali, trazendo histórias de pessoas afetadas por um problema real e angustiante.

Entretanto, se você já é fã do gênero talvez se sinta um tanto frustrado quando o filme acabar. A total ausência de uma análise médica sobre o tema, sem qualquer participação de especialistas no assunto, contando somente com os relatos e opiniões das próprias vítimas torna toda a abordagem superficial e pouco informativa.

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

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