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Crítica do filme O Touro Ferdinando

Nunca julgue pelas aparências

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Sexta, 12 Janeiro 2018
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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Sabe aqueles filmes que são bem leves, que você só fica sentado ali se divertindo enquanto o tempo passa? “O Touro Ferdinando” é um ótimo exemplo para essa situação. A premissa é super simples, mas não superficial. A história é baseada em um clássico livro de 1936, de Munro Lead. E na mesma época, Walt Disney produziu um curta de animação baseado no conto e levou um Oscar em 1939.

Ferdinando é um touro extremamente de boa, zen, está em paz e não quer guerra com ninguém. Seu maior prazer é observar e sentir o aroma das mais belas flores do campo. Obviamente essa postura não é bem vista pela sociedade bovina, cujo objetivo de vida é vencer os adversários para ser o touro escolhido nas touradas em Madri.

O único que parece aceitar os ideais de Ferdinando é seu pai, que apesar de entender o filho tenta mostrar que não há outro jeito de ser bem sucedido além de lutar na arenas. Ele acaba sendo escolhido por se destacar na fazenda mas jamais retorna da tourada, para total infelicidade do tourinho pacífico. Sem nada que valesse a pena para mantê-lo naquela vida, Ferdinando resolve fugir e como um golpe de sorte do destino, ele acaba sendo adotado por uma menina carinhosa chamada Nina (dublada pela Maísa Silva) e seu pai Juan, que possui uma fazenda de flores.

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O tempo passa e Ferdinando (dublado por John Cena no original e Duda Ribeiro na versão brasileira) vive seu sonho. Ele divide seu tempo entre brincar com a Nina e seu cachorro e ficar sentado embaixo de uma árvore desfrutando o aroma das flores do campo num cenário paradisíaco. Mas se fosse só isso não teria emoção nenhuma na história, então por alguns vacilos e muito azar, Ferdinando acaba voltando para a fazenda onde nasceu.

Lá ele reencontra os amigos/rivais de sua infância, todos ainda com o sonho de ser o touro mais forte. Pra surpresa de todos Ferdinando cresceu muito mais que os outros, chamando muito mais atenção sem muito esforço, além de sua força descomunal. Porém, ele ainda não está disposto a duelar com o maior toureiro de Madrid, e é aí que a coisa começa a ficar divertida.

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O longa é produzido pelo estúdio Blue Sky, e conta com a direção do brasileiro Carlos Saldanha, responsável anteriormente por grandes animações como “Era do Gelo” e “Rio”. Do ponto de vista técnico, a animação não deixa a desejar em nada as grandes produções, apresentando personagens cativantes, cenários belíssimos e trilha sonora repleta de canções pop.

A trama teve acréscimo de alguns personagens para dar ainda mais graça a história e são responsáveis pela maior parte da diversão no longa. A cabra hiperativa Lupe (dublada por Kate McKinnon na versão original e por Thalita Carauta na nacional), que deveria ser a responsável por acalmar Ferdinando, mas que pelo seu jeito "animado" acaba colocando o touro amigável em diversas situações de risco muito engraçadas.

Vemos ainda a gangue de ouriços ladinos Una, Dos e Cuatro (nós não falamos sobre o Tres :c), que roubam a cena sempre que aparecem. E um dos contrapontos aos truculentos touros são os cavalos dançarinos com um sotaque alemão que adoram tirar sarro dos chifrudos, zombando deles com sua beleza e movimentos suaves, outro dos pontos altos do filme.

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Todas as situações apresentadas são bem divertidas, como a óbvia cena em que um touro gigantesco precisa passar despercebido por uma loja repleta de louças delicadas. Mas é visível que tudo foi muito bem pensado para a realização desse filme. O próprio papel do “vilão” representado pelo toureiro acaba não sendo tão cartunesco e tradicional assim. Ele não está ali porque é cruel e ama ver o sangue e assassinar os touros, mas sim porque culturalmente ele representa um papel de destaque e duelar com os bichos faz parte do “espetáculo”.

Porém, apesar de bastante sutil, é bem visível a crítica aos matadouros e as touradas, assunto que vem sendo debatido e repensado com bastante entusiasmo dentro da cultura espanhola nos últimos tempos. Provavelmente as crianças não vão se preocupar muito com essas questões, ou talvez seja um primeiro momento para elas terem esses assuntos apresentados. Mas o fato é que “O Touro Ferdinando” possui um ótimo humor e é tranquilamente desfrutável por toda a família.

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Além das questões culturais sobre as touradas, é interessante ver que a fórmula do estranho no ninho continua funcionando para contar histórias. Seguir os seus sonhos, deixar de julgar os outros a partir de preconceitos ou aparências, aceitar as diferenças e particularidades de cada um. Está tudo ali, de forma bastante sutil e sem tomar o espaço da diversão que todo mundo busca ao assistir animações.

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

O Touro Ferdinando

Não julgue um touro por sua aparência

Diretor: Carlos Saldanha

Duração: 106 min

Estreia: 11 / Jan / 2018

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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