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Crítica Polícia Federal – A Lei é para Todos

A difícil luta contra a corrupção

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 29 Agosto 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Faz pouco mais de 500 anos que o Brasil sofre com a corrupção, mas os recentes capítulos de nossa história tomaram uma proporção tão superlativa que repercutiram globalmente e nos levaram a presenciar um momento histórico — e vergonhoso. É o famoso: todo dia um "7 a 1".

Com tantos partidos envolvidos nos casos, políticos investigados, operações policiais com inúmeros desdobramentos, uma cobertura detalhada da mídia e um verdadeiro reboliço nas timelines do Facebook, o assunto deu pauta para um filme que tem dividido opiniões já antes do lançamento.

“Polícia Federal – A Lei é para Todos” vem para dar uma pincelada sobre a Operação Lava Jato. O recorte histórico é um tanto datado, já que o filme não pega os últimos capítulos desta novela, mas o enredo mostra desde as primeiras investigações até alguns dos capítulos mais importantes.

Com base na perspectiva do delegado Ivan (Antonio Calloni) e de sua equipe, em conjunto com a força-tarefa do Ministério Público Federal, o longa mostra os esforços para desvendar o esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a executivos da Petrobras, empreiteiras, partidos políticos e parlamentares.

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais

Ao contrário do que muito possam imaginar, o foco deste filme não é exatamente a politicagem. Sim, algumas investigações giram em torno de acordos políticos e, no fundo, a gente sabe que sempre tem algum partido ou uma figura por trás dos esquemas e lavagens. Todavia, conforme o próprio título sugere, o viés aqui é muito mais policial.

Não estamos falando aqui de um Tropa de Elite com direito a inúmeras perseguições e uma abordagem mais truculenta, até porque estamos tratando da Polícia Federal, que faz um trabalho muito mais investigativo do que presencial. Assim, há muitas cenas em gabinete ou de espionagem, que tentam ilustrar como foi o trabalho da PF ao longo desses últimos anos.

Felizmente, entre tantas cenas na espreita, há uma ou outra sequência com uma pegada de ação. As perseguições estão aqui, com direito a doleiros correndo nos corredores dos hotéis e, por sorte, coube até correrias em rodovias com direito a um pouquinho de adrenalina. Não é bem aqueles filmes de Hollywood policiais, mas é 99%.

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Agora, uma coisa que pode tornar o filme um pouco cansativo são as voltas de roteiro — e isso não é uma falha do longa-metragem, mas da justiça brasileira. Considerando que a obra aqui tenta retratar os fatos da Lava Jato (e sabendo pelas notícias sobre as inúmeras reviravoltas), fica visível que o roteiro busca ressaltar essa questão dos corruptos que se esgueiram da justiça.

Assim, boa parte do argumento de ”Polícia Federal – A Lei é para Todos” é essa questão da impunidade e da diferenciação na abordagem de alguns figurões supostamente importantes. Eis aqui uma falha relacionada ao título, que tenta frisar a tentativa da Lava Jato ser imparcial e investigar tudo e todos, mas a dificuldade em conseguir aplicar a lei para todos. No fim das contas, isso parece apenas um retrato cansativo do Brasil. Triste...

Um resumo da vergonha nacional

O trio principal de policiais que comandam a operação — e também o filme — se mostra muito entrosado e bastante convincente. Antônio Calloni é o fio condutor da história, sendo o cabeça da investigação, ele narra os fatos e orienta o público sobre os detalhes (comentamos sobre tal aspecto posteriormente).

Bruce Gomlevsky é marcante em quase todas as cenas que participa, até por que seu papel é de um delegado que não apenas toma decisões, mas que vai atrás e faz acontecer. Seu personagem é usado com frequência para dar alguns contrapontos — diante das ações da PF —, algo retratado pelas reações do pai do delegado.

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Agora, tal qual a própria Flávia Alessandra falou durante o evento de pré-estreia do filme em Curitiba, é muito bom ter uma mulher participando deste caso. Além de marcante em inúmeras cenas por sua ótima atuação, sua personagem é bastante aproveitada, o que dá um tom diferenciado para um filme que é, em sua essência, do gênero policial.

Uma dificuldade visível é a escolha do elenco para representar algumas figuras famosas, o que deixa a situação um tanto cômica em alguns momentos. Apesar de algum esforço neste ponto, a falta de atenção aos detalhes e as imitações nem sempre colam — a parte boa disso é que o título consegue arrancar algumas risadas nesses tropeços.

Conforme Marcelo Antunez, diretor do longa-metragem, argumentou antes de dar início ao filme na sessão de pré-estreia, o filme “Polícia Federal – A Lei é para Todos” não pretende ser uma obra de política, mas uma produção que leve entretenimento e alguma reflexão à plateia. É claro que muitos vão criticar a abordagem dos casos abordados, mas é visível que o filme tenta evitar de todas as formas falar nisso.

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E, de fato, o filme não tenta pregar a favor ou contra partidos, mas apenas retrata o que aconteceu nos episódios recentes da famigerada Operação Lava Jato, ou seja, trata-se de um resumo do que acompanhamos nas notícias. Há uma enorme dificuldade em desvincular uma coisa da outra, porém na minha opinião, diferente do que vimos no trailer, o resultado final desta obra é aceitável.

O triste mesmo é perceber que nada aqui é ficção, sendo que os números ao fim da película são ainda mais desoladores. E, pior, por se tratar de uma obra baseada em eventos históricos, você já sabe, antes mesmo de entrar na sala, que toda essa história não acabou e não deve terminar tão logo — e há chances de ter uma continuação em breve.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Diretor: Marcelo Antunez

Duração: 107 min

Estreia: 7 / Set / 2017

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