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Crítica do filme Star Wars – Os Últimos Jedi

O despertar dos fanboys

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Sábado, 23 Dezembro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Pictures
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O tão aguardado oitavo episódio de Guerra nas Estrelas despontou nos cinemas na semana passada. De lá para cá, tivemos uma enxurrada de notícias estapafúrdias sobre a aceitação do público quanto ao rumo que as coisas tomaram nas cenas do filme escrito e dirigido por Rian Johnson (que você talvez conheça de “Looper: Assassinos do Futuro”).

De um lado, os fãs mais ávidos aclamam o homem por trás da caneta e da câmera por seus incríveis feitos, alegando que este é o melhor Star Wars de todos os tempos. Do outro, muitos fãs enfatizam suas decepções com uma série de decisões que alegam ser errôneas no contexto geral do universo e incoerentes dentro do próprio filme.

E, dos dois lados da história, temos a velha guerra de xingamentos, com ambos os lados não compreendendo a opinião alheia e jogando argumentos aos quatro ventos de que aqueles que têm ideias diferentes das suas não são os verdadeiros fãs. Claro, como não poderia deixar de ser, ainda temos gente tomando partido político para defender esquerda ou direita.

No meio dessa bagunça, falta gente para avaliar o filme como obra de entretenimento, sem tomar muito partido quanto às decisões nos rumos da história. Aliás, é importante pautar que não adianta espernear e fazer petições, pois tudo que foi passado na telona foi aprovado pela Disney e não há mais volta. O que está ali é o rumo da história e ponto final.

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Assim, resta pontuar aqui o quanto as coisas são coerentes dentro do que foi mostrado e se o filme se sustenta sem precisar retomar ideias do século passado. Antes de partir para o falatório, já adianto que apesar de uma enorme dificuldade, eu tentei manter este texto sem spoilers reveladores. Todavia, se você ainda não viu o filme, recomendo não ler o texto, pois isto pode alterar sua expectativa.

Uma nova pegada nas estrelas

A primeira coisa que devemos dar os parabéns ao senhor Johnson é pela tomada de decisões que foge um bocado das tantas teorias que os tantos fãs tinham antes de ver o filme — mas vamos dar um crédito a alguns fãs, porque sempre vai ter um que dirá “eu falei que ia ser assim”. Bom, tirando os espertalhões, geral ficou surpreso com quase tudo que foi mostrado.

As retomadas das cenas inacabadas do episódio anterior são coerentes em sua maioria, de modo que o filme se conecta bem ao antecessor. Uma guerra nas estrelas top de começo, o retorno real de Luke Skywalker (ao menos ele agora fala e se movimenta), o desenvolvimento dos personagens inéditos desta saga e outras conexões são feitas para conectar os filmes.

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Agora, o que pode vir a chocar — seja positivamente ou negativamente — é a cadeia de ideias subsequentes. É inegável que a mudança no comando do filme deu uma virada chocante no andar da carruagem galáctica, então é normal sentir uma grande chacoalhada do Episódio VII para o VIII. Talvez, seja nesta nova abordagem que as coisas deixaram o público tão dividido.

É perceptível que Rian Johnson recebeu liberdade total para fazer o que bem entendesse com a saga de Star Wars, tanto que ele muda o posicionamento e desenvolvimento de personagens a seu bel-prazer. Sim, a Disney aprovou tudo, então está tudo certo, nada a questionar nesse ponto. Agora, a complexidade da coisa é quando as pontas não se amarram.

Tropeços nas estrelas

Muitos fãs — e eu também — perceberam que há ideias um tanto absurdas e incoerentes com o universo de Guerra nas Estrelas. A mudança no comportamento de personagens-chave, que já tinham todo um background histórico, acaba causando um choque numa geração que estava habituada a uma saga bem consistente.

Além disso, o filme aproveita dicas de outras épocas para explorar coisas que talvez não sejam bem preto no branco. A preguiça notável em criar soluções coerentes no roteiro para dar vez a cenas que deixam os fãs esperneando de emoção é um dos pontos que pode deixar outros tantos fãs irrequietos com grandes besteiras que talvez não façam sentido.

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Seja por falta de evidências claras ou argumentos, cada tomada de decisão crucial no roteiro pode ser tropeço e aí, na soma de todos, pode virar uma grande cambalhota. É curioso que até Mark Hamill diz ter ficado insatisfeito com o rumo do seu personagem e, mesmo que ele tenha voltado atrás, as palavras fortes dele apenas corroboraram o argumento de alguns fãs.

Outro ponto que prejudica muito a trama é a trajetória dos personagens da nova saga. Nós havíamos visto muito pouco deles no primeiro filme, mas agora temos protagonistas mais consistentes em questão de personalidade, mas é claro que isso pode causar reações diferentes em cada fã.

Parte do problema é que, às vezes, o rumo de alguns sujeitos vai contra o ritmo do filme, seja no fator carisma ou na questão de relevância mesmo perante o conceito mais amplo da obra. E vale notar que não estou falando só de desenvolvimento, mas de sequências que deixaram o filme muito mais comprido e não necessariamente agregam valor ao camarote Jedi.

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Há erros de sequência e intromissões de mais, tudo com o único objetivo de deixar o filme mais desesperador. No meu ponto de vista, é impossível não ver esse filme e ter a impressão de que todos os protagonistas vão morrer a todo instante. É uma constante apostar em situações ousadas e que parecem não ter saída, só que aí a emenda saiu pior do que o soneto.

Também fica bem claro que o filme peca no fator ousadia de formas distintas. Há inúmeros clímax, sendo que as decisões drásticas não necessariamente são benéficas para a trama — e, em outras, elas caem em clichês bem toscos. Sim, a decisão cabe apenas ao roteirista, mas se ele queria agradar uma parcela maior de fãs, faltou pensar melhor nas escolhas.

Devemos pautar ainda que o humor pode estar levemente diferente e insistente aqui. Numa época em que se criou um conceito “praçódia da Marvel”, uma enxurrada de fãs pode ter estranhado o excesso de piadas. Sim, é inegável que Star Wars sempre teve cenas engraçadinhas, porém também não podemos negar que isto não foi acentuado na última obra.

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No fim das contas, tal qual disse Mark Hamill, este é claramente um filme para uma nova geração de Star Wars, então pedir coerência nem sempre funciona no roteiro. Ele é um filme que nasceu para agradar a geração que aceitou Rogue One como um Star Wars, sendo também um título que faz alguns fans services em troca de outros desserviços.

Particularmente, eu saí do cinema satisfeito. Apesar de perceber inúmeras falhas, acredito que foram momentos divertidos, principalmente com aqueles Porgs e os nossos androides favoritos. Discordo de muita coisa que tem ali, já que que sempre pode ser diferente, mas a gente está aqui só de espectador. Agora, resta pegar a pipoca e continuar assistindo a guerra dos fanboys, uma das mais pointless.

Fonte das imagens: Divulgação/Walt Disney Pictures

Diretor: Rian Johnson

Duração: 152 min

Estreia: 14 / Dez / 2017

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