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Crítica do filme Viva

A vida é uma festa (no céu)

Lu Belin

por
Lu Belin

Quinta, 11 Janeiro 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Pictures
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Música, muitas cores e um olhar festivo sobre a vida após a morte. Não tem como fazer uma história de inspiração mexicana sem incluir esses três ingredientes. “Viva: A Vida é Uma Festa”, animação da Disney Pixar que chegou ao Brasil no início de 2018 é um dos recentes retratos da cultura mexicana e sua relação com o que há depois da vida na Terra.

Nela, o pequeno Miguel só quer saber de música. Aos 12 anos, ele já sabe que este é o seu principal talento e que precisa desenvolvê-lo. Mas isso não vai ser tão fácil, porque ao primeiro sinal de uma sonoridade compassada, qualquer uma das pessoas da sua família tem um surto de pânico.

A abuelita do Miguel e toda a sua prole detestam música desde que o tataravô do menino saiu de casa carregando um banjo para perseguir o sonho de ser artista e nunca mais voltou. Para sobreviver, ela arregaçou as mangas e aprendeu a fazer sapatos. Desde então, a sapataria é o negócio da família e ninguém pode trair a tradição.

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O problema é que na ânsia por provar seu talento para todo mundo, Miguel rouba um item de uma pessoa que já morreu em pleno Dia de Los Muertos, quando supostamente se deve fazer justamente o contrário: presentear nossos entes queridos que já se foram, para que, ao menos nessa noite, eles possam comungar com os vivos.

Ao fazer isso, Miguel rompe sua própria conexão com o mundo dos vivos e abre uma espécie de portal, passando dessa pra melhor – literalmente, nesse caso! Ele vai parar no mundo dos mortos, um lugar incrível, mágico, bem mais cheio de vida do que imaginava.

Para dar vida a essa história encantadora, os diretores Lee Unkrich e Adrian Molina (este também roteirista), chamaram Gael Garcia Bernal para dublar o personagem Hector, um espertinho que quer fazer de tudo para voltar à terra antes que seja completamente esquecido, e o pequeno Anthony Gonzalez para fazer o próprio Miguel.

Outro nome familiar é o de Benjamin Bratt, que faz o Ernesto De La Cruz. Por falar em dublagem original, Viva passou por uma mudança para chegar ao Brasil. Seu nome, no original, era Coco, mas para evitar brincadeirinhas sem graça e interpretações do tipo que a gente sabe que ia fazer, a distribuidora do filme no Brasil decidiu mudar para “Viva: A Vida é Uma Festa”.

Lembra alguma coisa?

Dia de Los Muertos, alguém passando de lá para cá para as terras da Katrina, todas as cores do México e uma pessoa que queria muito ser músico, mas não pode, porque precisa seguir a tradição da família em outro ramo. Tudo isso parece familiar, se você já assistiu a “Festa no Céu”, da Fox, lançada em 2014.

E de fato as histórias têm sim muito em comum, mas, para quem acha que “ “Viva: A Vida é Uma Festa”” é uma cópia descarada da primeira animação, bem, que mal tem? A questão é que se a base do filme é similar e a temática do perdão está presente em ambas, o andamento da trama acaba se desenrolando por caminhos diferentes. Enquanto que a pegada do primeiro filme trata mais de conquistar o coração de uma garota, Viva se centra muito no talento e na busca pela aceitação.

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E a estética também é muito diferente – o tipo dos traços, as linhas, a forma como a própria paleta de cores é utilizada, tudo é bem diferente. Falando especificamente de  “Viva: A Vida é Uma Festa”, que coisa linda, né, minha gente? O colorido é exuberante, com tons quase brilhantes de tão vivos, especialmente quando os mortos são mostrados.

A Pixar já é famosa pela qualidade técnica das suas animações, com gráficos perfeitos, leveza de movimentos e perfeição até mesmo nos mínimos detalhes e isso não falta em mais esse filme. Ainda assim, Viva não consegue manter a linha da genialidade – até porque no ano anterior tivemos o maravilhoso “Procurando Dory”, que é difícil de bater.

O fascinante mundo dos mortos

Se, no entanto, você abandona a expectativa de que tudo que sai da boca da Disney Pixar precisa ser genial, incrível e brilhante, uma obra de arte, e decide que vai apenas curtir uma animação, “Viva: A Vida é Uma Festa” não deixa nadinha a desejar.

Bem, dar vida a uma tradição do folclore mexicano é de uma grande responsa. É uma cultura tão rica, tão linda, e, por outro lado, tão fácil de cair no clichê, que acaba não sendo a tarefa mais fácil do mundo. Mas o filme se utiliza de alguns elementos clássicos trazendo uma leitura tão linda e criativa que é difícil não cair na gargalhada.

A maneira caricata na medida e super bem humorada como o longa retrata a ponte entre os dois mundos, muito similar a uma fronteira entre dois países, por exemplo, é uma sacada e tanto. A presença de figuras conhecidas do país, com a de Frida Khalo é outra tacada certeira que arranca risos de qualquer um que conheça minimamente a artista mais famosa do solo mexicano e sua excentricidade.

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Por fim, a troca entre os personagens humanos e os animais – os vivos e os místicos – é outro grande golaço da animação que, além de tornar a saga do Miguel mais divertida, ainda faz referência aos animais das lendas pré-colombianas do país.

Então largue a expectativa de lado e caia de cabeça nessa animação cheia de cores, vida e morte, porque aprender sobre a cultura dos outros nunca fez mal a ninguém!

Fonte das imagens: Divulgação/Walt Disney Pictures

Viva: A Vida é uma Festa

A música é capaz de levá-lo por onde ele quiser

Diretor: Lee Unkrich, Adrian Molina

Duração: 109 min

Estreia: 4 / Jan / 2018

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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