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Crítica do filme Djon, África

À beira da ficção e o real

Nicole Lopes

por
Nicole Lopes

Sexta, 08 Junho 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Terra Treme
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Em momentos de turbulências políticas e crise migratória, a 7º edição do Festival Olhar de Cinema traz de forma inédita para o Brasil o filme premiado “Djon, África” de João Miller e Filipa Reis, que mostra a incansável procura de um jovem português descendente de imigrantes cabo-verdianos por suas raízes familiares.

O longa é uma coprodução de três países de língua portuguesa: Brasil, Cabo Verde e Portugal, que ressalta a era do cinema contemporâneo ao produzir uma obra que vive entre dois gêneros: ficção e documentário.

Inspirada na história do ator do documentário “Li Ké Terra”, Miguel Moreira, o filme conta a aventura de Djon África,  filho de cabo-verdianos, nascido na periferia de Lisboa, que decide embarcar para o continente africano à procura de seu pai, que nunca conheceu. 

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O longa "Djon, Áfria"  foca em relatar a travessia da autodescoberta de Miguel por Cabo Verde, uma terra desconhecida e envolvente que carrega as raízes do seu passado.  Durante a jornada depara-se com encontros e revelações que ao todo momento alimenta o seu sentimento de sempre se sentir um estrangeiro. Mas, como já dizia o escritor brasileiro João Guimarãe Rosa em seu livro Grande Sertão: Veredas, "O real não está na saída e nem na chegada. Ele se dispõe para gente é no meio do travessia". 

De forma poética, os diretores produzem um filme híbrido e intimista que beira a ficção e a história real de Miguel ao conhecer o país do seu pai.  “A raiz deste filme é olhar para história verdadeira de Miguel, um ator que já trabalhamos em outros filmes”, conta o diretor João Miller Guerra. 

"O filme mostra a história da humanidade, não somente da era da escravatura, mas o que vivenciamos hoje com o fluxo imigratório"

Considerado um road-movie, “Djon, África” se diferencia dos demais filmes do gênero ao retratar uma trajetória que vai além das fronteiras do espaço e do tempo presente. Com um tom ácido, o longa percorre pelos vestígios da história de um país que nasceu do imperialismo e a atual realidade de uma terra que já foi colonizada. “O filme mostra a história da humanidade, não somente da era da escravatura, mas o que vivenciamos hoje com o fluxo imigratório” declara  Filipa Reis.

A naturalidade presente em vários momentos durante o longa proporciona uma experiência singular ao telespectador, que por vários momentos são teletransportados para o cotidiano de Cabo Verde. Além de narrar aventura de Miguel, o filme se conecta com o momento atual da sociedade e os desafios que enfrentamos ao responder a pergunta: "Tu és daqui?"

Fonte das imagens: Divulgação/Terra Treme

Djon, África

Embarque numa viagem de autodescoberta por Cabo Verde

Diretor: João Miller Guerra, Filipa Reis

Duração: 96 min

Estreia: 6 / Jun / 2018

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Nicole Lopes

À procura do mundo invertido 

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