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Crítica do filme A Árvore da Vida

Quem é o ser humano no Universo?

por
Fábio Jordão

04 de Setembro de 2011
Fonte da imagem: Divulgação/Imagem Filmes

Desde o primeiro momento em que Terrence Malick (diretor) anunciou "A Árvore da Vida", muitas pessoas ficaram com expectativas positivas esperando pelo melhor — principalmente por conta da fama do cineasta. Detalhes sobre o longa demoraram a ser revelados, mas pelo título já se sabia que o título nada tinha a ver com ação, suspense ou qualquer outro gênero aleatório.

As dúvidas de muitos espectadores permanecem até agora, tanto que em um dos cinemas de Curitiba há um cartaz informando que o filme é do gênero drama. E de certa forma realmente o é, porém, também o considero como um documentário fotográfico. A película deixou o público bem dividido, entre aqueles que idolatraram o filme e os demais que odiaram (ou sentiram-se frustrados por não compreenderem o sentido da história).

O detalhe principal, ao qual muitos espectadores não atentam, é que o filme não tem uma história para ser compreendida. Basicamente, "A Árvore da Vida" é um longa para ser assistido e apreciado, sem ter de ficar se preocupando com o porquê das coisas.

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O enredo do filme gira em torno da vida de Jack (interpretado por Sean Penn na fase adulta). Quando jovem, Jack presenciou a morte do irmão, fato que abalou profundamente a família. E o filme começa com truques logo nesse cenário. Apesar de ser um dos detalhes do filme, a morte do irmão não é o foco principal. Aos poucos, o diretor Terrence introduz outros pormenores sobre a vida do garoto.

Assim, a película fica dividida em três partes principais: a morte do irmão de Jack, a dualidade na criação dele (momento em que vemos as diferenças entre o que o pai ensina e o que a mãe acha correto) e o Universo existindo independentemente dos humanos. Talvez nesse terceiro enfoque é que muitas pessoas ficam se perguntando o que os eventos têm em comum com  a família.

Durante o filme são introduzidas diversas situações em que vemos Jack se deparando com o pai castigador, tendo que obedecer a um homem que parece severo de mais – mas que ao mesmo tempo demonstra amor, e tenta apenas passar costumes que permitam ao filho enfrentar a vida. Vez ou outra, vemos a situação contrária, em que a mãe acolhe os filhos, dá liberdade e os educa de forma simples.

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Nesse quadro encontramos Jack sofrendo uma dualidade absurda. O garoto demonstra sinais claros de que deseja matar o pai, principalmente porque ele não desenvolve algumas habilidades que os irmãos desenvolveram; e também porque existe maior cobrança dele (que é o primogênito) do que dos irmãos mais novos.

O garoto aos poucos vai sofrendo influência dos amigos, do pai, da mãe e não sabe para que direção seguir. É possível até ver indícios nítidos de que o garoto tem o complexo de Édipo. O garoto afirma claramente que a mãe ama mais a ele (que é o filho) do que ao esposo (interpretado por Brad Pitt).

Mas não é só o garoto que passa por transformações, a família está constantemente sofrendo mudanças. E em diversos momentos nota-se que alguns integrantes se perguntam onde está Deus, porque ele os abandonou (durante a morte do irmão aos 19 anos) e outras tantas questões que muitas famílias fazem até hoje.

Para contrapor todo esse drama familiar, o diretor começa a história do Universo do zero. Cenas muito bem elaboradas demonstram que o objetivo é focar na existência de tudo, antes de qualquer ser humano existir. Mostrando desde grandes acontecimentos (como a existência e extinção dos dinossauros) até pequenos eventos (pequenos microrganismos e atividades celulares), o filme exibe que tudo é perfeito, sendo possivelmente obra de um ser superior.

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Acompanhando as tantas cenas belas e dilemas, A Árvore da Vida conta com uma trilha sonora espetacular. A música bem orquestrada é considerada por boa parte do público como “música para dormir”, mas a meu ver, os sons utilizados no longa são ideais para fazer o cérebro deixar a vida de lado um pouco e refletir sobre as mensagens que estão sendo passadas.

Bom, não digo que A Árvore da Vida é um filme com temáticas fáceis de compreender, eu mesmo ainda tenho diversas dúvidas. Todavia, considerando os demais títulos que são lançados apenas para fazer dinheiro, simplesmente posso dizer que o filme de Terrence Malick supera de longe quase todos os longas lançados até agora. Recomendo que todos assistam pelo menos uma vez, afinal, não há como criticar algo sem experimentar.

Fonte das imagens: Divulgação/Imagem Filmes

A Árvore da Vida

Buscando por respostas para o sentido da vida

Diretor: Terrence Malick
Duração: 139 min
Estreia: 12 / Ago / 2011

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