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Crítica do filme A Grande Aposta

Os primeiros sopros da bolha

Lu Belin

por
Lu Belin

Quarta, 03 Fevereiro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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Se eu começar essa crítica dizendo: você vai ver um filme sobre o surgimento da bolha imobiliária nos Estados Unidos e vai se divertir, é provável que a sua reação imediata seja essa:

Ah, é?

É, eu também estava cética. Mas um dos motivos pelo quais é possível assistir A Grande Aposta e sair satisfeito é o próprio cara que está nesse gif, o Christian Bale.

No longa inspirado no livro “The Big Short: Inside the Doomsday Machine”, de Michael Lewis, ele interpreta o ex-dentista e atual consultor financeiro Michael Burry. Trata-se de um prodígio do mundo do investimento que faz umas contas impossíveis e descobre que, mais cedo ou mais tarde, dentro de um determinado intervalo de tempo, o mercado imobiliário norte-americano vai quebrar. 

Em outras palavras, ele prevê o surgimento da chamada bolha imobiliária que quebraria não apenas as finanças dos Estados Unidos, mas teria consequências no mundo inteiro. A partir dessa descoberta, ele faz o que qualquer pessoa em sã consciência faria: alerta as autoridades responsáveis investe uma dinheirama em uma espécie de aposta contra o mercado imobiliário.

Christian Bale como Michael Burry

Não é todo dia que alguém aposta contra a forma de investimento mais segura das Américas, então, quando um maluco resolve fazer algo do gênero acaba chamando a atenção de algumas pessoas. É assim que entram nessa história o Jared Vennett (Ryan Gosling), Mark Brawm (Steve Carell), Vinnie Daniel (Jeremy Strong), Porter Collins (Hamish Linklater) e Danny Moses (Rafe Spall).

Esse elenco de peso conta também com Brad Pitt, no papel do veterano do mercado financeiro Ben Rickert, Finn Wittrock como Jamie Shipley e John Magaro como Charlie Geller, todos muito bem caracterizados. 

Os destaques na atuação vão para Christian Bale, que parece ter captado muito bem o espírito do investidor insano e um tanto antissocial que faz do mercado financeiro sua vida, e Steve Carell – e tive que morder um pouco a língua pra fazer essa observação, pois particularmente não gosto nada desse ator. São personagens com essências bem diferentes e as atuações conseguiram fazer transparecer os backgrounds de cada um. 

Ostentação 

Se "A Grande Aposta" ostenta no elenco, também esbanja nas iniciativas para quebrar a seriedade da temática. A trilha sonora é animada, mantém o público sem vontade de cochilar, o ritmo do filme é bom, agitado, e são utilizados vários recursos visuais que ajudam a trazer uma quebra interessante às sequências de diálogos técnicos. 

A inserção de cenas que funcionam quase como glossários e que fogem completamente da linguagem também contribuem com a narrativa. Geram uma quebra em uma sequência que já estava começando a dar um nó na cabeça e ajudam o espectador leigo a entender melhor do que se trata – ou seja, traduzem o assunto.

As cenas com Margot Robbie e Selena Gomez simplificando a linguagem e as terminologias, por exemplo, funcionam como divertidos escapes na fixação de quem é quem nos sistemas financeiro e imobiliário e são super bem posicionadas. 

A Grande Aposta

A Grande Aposta é, por sinal, muito bem dirigido e roteirizado. Adam McKay (Homem Formiga, Saturday Night Live), consegue conduzir tudo com muito bom humor e os textos, diálogos e a composição do filme são muito bem organizados e executados. 

Não é fácil falar sobre um assunto como a bolha imobiliária, convenhamos. Assim, o filme tinha tudo pra ser muito chato, mas não é. Se fosse mal roteirizado, nem o elenco milionário salvaria A Grande Aposta. 

Assim, talvez a fórmula de sucesso dessa produção seja uma pegada que muito tem de Onze Homens e Um Segredo – e todos os outros homens e os outros segredos.

Brad Pitt como Ben Rickert

Com essa dinâmica descontraída, de muito movimento, mas com ápices de tensão, consegue ser um filme divertido e envolvente, apesar de tratar de um assunto que é conhecido por ser maçante e difícil de entender.

The Big Short é inteiro um alívio cômico para um assunto que tem tudo a ver com um dos grandes defeitos da humanidade: a ganância.  Vale o tempo investido – se não pelo bom humor, ao menos pela sintonia desse grande elenco e pela visão do Brad Pitt na versão professor aposentado.

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

A Grande Aposta

Eles tiveram uma ideia de honestidade duvidosa

Diretor: Adam McKay

Duração: 130 min

Estreia: 4 / Fev / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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