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Crítica do filme A Grande Jogada

O que disse machista?

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 01 Março 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films
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Grandes fãs de pôquer que acompanham os tabloides internacionais possivelmente ouviram falar algo sobre uma mulher chamada Molly Bloom, que roubou as manchetes lá em 2013 ao ser acusada — e presa — por lavagem de dinheiro e operação ilegal de jogos de azar.

A história de Molly e seu incrível jogo de pôquer que conquistou famosos de Hollywood e os grandes investidores de Wall Street começou mesmo quase dez anos antes, quando ela deixou de ser garçonete e entrou no ramo da jogatina ao ajudar um ricaço do segmento.

Agora, cavando mais a fundo, esta incrível mulher teve seus primeiros momentos de sucesso ainda jovem, quando era uma promissora esquiadora que buscava medalhas em jogos olímpicos. De desportista a top nas mesas de pôquer, o filme “A Grande Jogada” nos leva a conhecer os detalhes da carreira de Molly.

Pois é, e a história acima pode parecer mesmo o roteiro de um filme, mas é na verdade uma história real, que foi baseada no livro da própria Molly Bloom. No longa-metragem, acompanhamos em detalhes toda a trajetória de sucesso de Molly em meio a um ninho de homens asquerosos que pensavam ter o poder e, eventualmente, caíram do cavalo.

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Com a astúcia de Aaron Sorkin (roteirista de “O Homem que Mudou o Jogo”, “A Rede Social” e “Steve Jobs”), podemos — quase — compreender cada passo da jovem princesa do pôquer, que demonstra total controle da narrativa de sua vida e do filme. É claro que ela conta com vários trunfos, principalmente uma ajudinha de um advogado supimpa.

Para você que não pretende mergulhar no restante da crítica, já antecipo que “A Grande Jogada” não é um filme imprescindível para sua vida, mas ele tem algumas cartas na manga e se sai bem no quesito entretenimento, principalmente quando pensamos que isso aconteceu de verdade. Talvez tenha dois dedinhos de whisky na história, mas é uma boa pedida.

Difícil como um jogo de pôquer entre poderosos

O foco principal de “A Grande Jogada” é a vida da própria Molly Bloom, mas é inevitável que uma parte gigantesca do roteiro seja focada nas mesas de carteado. Assim, a narrativa, ainda que interessante e devidamente diluída em doses de piadas e explicações simplificadas, gira em torno de termos específicos do pôquer.

Até aí, zero problemas, já que temos outros filmes que lidam com jogatinas e se explicam de alguma forma. Aqui funciona parecido e você só não vai entender nada se não der a devida atenção a cada palavra da protagonista — e ela fala muito —, porém as jogadas sequenciais, somada a rapidez na narração e aos tantos nomes é o que complica o meio de campo.

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O script, ainda que bem montado, fica em rodeios entre o presente e o passado, fazendo analogias e se alongando com os pensamentos de Molly. Funciona super bem para explicar os pormenores da história e deixar tudo muito engraçado, só que a partida fica um tanto cansativa quando não vemos ligações mais claras e coerentes com a atualidade.

Com uma pegada que mistura toda essa questão temporal, voltando lá na infância da protagonista, até a repercussão dos fatos em quem ela se tornou, o filme pode ser um bocado entediante para quem não estiver concentrado ou mesmo dificultoso pelo linguajar polido e acelerado. Apesar difícil, há várias cartadas animadoras até chegar ao fim do jogo.

Delicioso como o sabor da vitória sobre os canalhas

Pode ser que “A Grande Jogada” seja um filme longo e cansativo para algumas pessoas, mas as recompensas para o público são gratificantes. Graças à protagonista brilhante em suas falas e com um tom de humor esplêndido, o roteiro deixa a monotonia de lado e se revela inovador a cada novo diálogo. Não é raro conseguir ver um soco de empoderamento e uma voadora acompanhada de um “O que disse machista?”.

A escolha de Jessica Chastain para o papel principal, aliás, foi algo pensado para conquistar o público já nos primeiros instantes. Não é nem preciso entrar nos detalhes da voz charmosa e da beleza ímpar da atriz, porém cada olhar imponente e a presença entre os tantos marmanjos mostra que este é um filme para revelar o poder de uma mulher de grandes ambições.

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Além disso, os planos muito bem arquitetados de Molly Bloom mostram outro lado ainda mais divertido de observar: a ruína de milionários que pensam estar se divertindo, mas que estão apenas cavando suas próprias covas. É justamente na derrocada de estereótipos e nos comparativos mais esdrúxulos que o filme se mostra ainda mais saboroso.

Completa com perfeição a história dois homens que são importantíssimos: Idris Elba e Kevin Costner. Um é apresentado como um modelo em todos os sentidos, outro é o contraponto que pode ser o estopim para inúmeros desdobramentos do roteiro. É muito legal ver um filme flertando com tantas pautas e ainda entregando boas surpresas.

No fim da partida, “A Grande Jogada” é como um Royal Straight Flush (a melhor mão possível numa partida de pôquer) na cara dos magnatas. As jogadas ousadas de Molly Bloom chegam num momento importante para reforçar o empoderamento feminino. Não é um filme obrigatório para o cinema, mas é claro que tudo fica ainda mais lindo na telona. Recomendo!

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

A Grande Jogada

Cartas, mistério e sedução

Diretor: Aaron Sorkin

Duração: 140 min

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