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Crítica do filme A Grande Mentira

Bom demais para ser verdade

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 21 Novembro 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Primeiro de tudo, que a verdade seja dita: a indústria cinematográfica carece de bons filmes de suspense. Assim, quando surge um trailer de um filme como “A Grande Mentira”, que sugere uma história minimamente intrigante, ficamos interessados em saber os segredos que um roteiro possivelmente bem construído pode guardar.

Melhor ainda é quando vemos na prévia que estamos diante de uma obra com atores gabaritados como Ian McKellen e Hellen Mirren. Dessa forma, qual é a probabilidade de termos um resultado pouco convincente? É claro que a premissa de um filme e o elenco não garantem uma obra memorável, mas as chances são grandes.

Na trama de “A Grande Mentira”, o golpista Roy Courtnay (McKellen) pensa que tirou a sorte grande quando conheceu a viúva Betty McLeish (Mirren) em uma página de relacionamento. No entanto, aos poucos, Roy percebe que está se afeiçoando a ela, o que pode transformar um golpe brilhante numa corda bamba.

A sinopse não entrega muito, mas o trailer já exibe algumas pistas mais reveladoras. Então, minha primeira dica para quem não foi atrás de muitos detalhes, é parar o texto por aqui e ver o filme antes de ter a experiência prejudicada. Não que o trailer tenha spoilers, mas mínimas informações já podem deixar o enredo menos surpreendente.

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E já respondendo a dúvida daqueles que buscam um parecer que vai direto ao ponto: sim, “A Grande Mentira” é um filme bom. Apesar de tropeçar um tanto em sua própria colcha de retalhes, o roteiro guarda bem os segredos até o último momento. O maior problema talvez seja a enrolação do script e a história pouco crível mesmo.

Acontece nos filmes, não acontece na vida

Há muitas formas de criar um clima de suspense e, seja através de nuances na história ou ao esconder as tramoias de um personagem, o resultado pode ser completamente diferente. No caso de “A Grande Mentira”, a escolha de seguir o viés de um único protagonista nos dá um norte da história, o que tira um pouco da graça.

Mesmo tentando esconder o jogo, o roteiro não consegue disfarçar suas reviravoltas, de forma que a plateia apenas espera o momento de uma surpresa chocante. Isso não seria um problema se estivéssemos falando de um filme curto, porém os devaneios alongam e prejudicam o ritmo do longa-metragem.

Isso quer dizer que a história é ruim? Não, mas a demora em conectar alguns pontos nos leva a acompanhar uma trama diferente da que imaginamos. Ainda é um filme que prende nossa atenção, mas não necessariamente da forma que alguns podem estar esperando numa obra que poderia pender para um suspense mais intenso.

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Tirando esse desvio da proposta, ainda temos a questão dos detalhes que são pouco convincentes. Sim, eu sei que estamos falando de um filme, mas a aproximação com a realidade é um fator que pode ajudar a nos convencer de que não se trata apenas de uma ficção, o que poderia deixar o rumo da trama bem mais coerente.

A mentira tem pernas cansadas

Felizmente, acompanhar essa odisseia de mentiras é um deleite com protagonistas que parecem estar bem confortáveis. Estamos falando de estrelas com décadas de experiência, então tudo soa de forma natural. Claro que devido à idade dos personagens, a história chama a atenção para detalhes que são pouco abordados em tramas similares. 

Assim, aproveitando tanto essas características dos personagens quanto os atores, o filme consegue sair de uma pegada que seria mais suspense para dar espaço a alguns traços de comédia e até ação. Para falar a verdade, eu fiquei bastante surpreso com a versatilidade de Ian McKellen, que no auge de seus 80 anos mostra uma energia surreal.

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A química com Hellen Mirren é algo excelente também, algo que muita gente sequer imaginava ver, mas que felizmente aconteceu. A atriz com seus quase 75 anos também não faz por menos e, apesar de aparecer menos na trama, garante momentos muito impactantes, principalmente por conseguir disfarçar os traços de sua personagem.

Em termos de produção como um todo, “A Grande Mentira” não é exatamente um filme inovador e prefere jogar seguro, porém temos algumas cenas mais complicadas, principalmente algumas em meio a grandes áreas urbanas. O que chama a atenção mesmo é a reconstrução de alguns cenários, que enriquecem muito a história.

Enfim, se você não é uma pessoa muito exigente, provavelmente o rumo desta obra vai ser suficiente para sair satisfeito da sala de cinema e recomendando o título aos amigos que gostam de suspense. E acho que no fim é isso que vale, pois mesmo com alguns deslizes, o filme prende nossa atenção e se mostra uma grande mentira.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

A Grande Mentira

Leia as entrelinhas

Diretor: Bill Condon
Duração: 109 min
Estreia: 5 / Dez / 2019

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