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Crítica do filme A Onda

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura

por
Fábio Jordão

12 de Junho de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Fantefilm
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Você pode não perceber, mas nosso planeta é um organismo complexo em constante evolução. A natureza se adapta diariamente e nós, pequenas criaturas que habitam a superfície, podemos apenas observar os fenômenos de proporções gigantescas.

Movimentações no interior do planeta podem ocasionar terremotos, mudanças nos ventos podem gerar tornados, reações no núcleo da Terra podem despertar vulcões e a força dos mares pode ser testemunhada em fenômenos que recebem o nome de tsunamis.

Todos os anos, vários casos são noticiados, sendo que muitos já serviram de base para filmes de catástrofes. O mais recente título a integrar essa lista é o longa-metragem norueguês “A Onda”, que usa cenários reais para contar uma história assustadora que pode acontecer a qualquer momento — e que você pode ver no Netflix.

O local principal é o fiorde de Geiranger, uma região famosa na Noruega onde o mar invade os espaços entre as montanhas. Os ambientes são de tirar o fôlego, mas os casos de desastres naturais registrados no local deixam a população sempre em alerta para possíveis novas ocorrências de ondas gigantes e deslizamentos de terra.

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A história aqui gira em torno do geólogo Kristian Eikjord (Kristoffer Joner), que estudou a região por anos, mas está prestes a se mudar com sua família para outra parte do país. No entanto, antes de partirem, o especialista das montanhas percebe que há algo de errado e pode ser que uma onda gigante dizime a população local.

É difícil prever se o pior vai acontecer, mas, se a onda vier, o povo terá poucos minutos para escapar da força implacável do mar. Assim, Kristian tem o dever de dar o alerta de “Onda, onda, olha a onda” e avisar para ninguém tentar nadar contra a maré. Tenso, intenso e cheio de surpresas, este é um título que merece sua atenção. Embarque na jangada para saber mais!

Gente que dorme a onda leva

Se você já viu o trailer do filme “A Onda”, você já começou errado. É claro que uma única imagem no Netflix ou o próprio nome já dão um belo spoiler sobre o que vai acontecer, mas esse é o tipo do filme que você começa a assistir e fica só no aguardo pelo momento mais terrível, afinal, em algum momento vai dar ruim.

Com quase duas horas de duração, o longa-metragem dirigido por Roar Uthaug (cineasta que vai encabeçar o novo “Tomb Raider”), se mostra bastante coerente em sua construção. A história começa com tempo suficiente para dar brecha para contextualizar o espectador e apresentar argumentos dos perigos iminentes.

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Na primeira parte, o filme faz questão de mostrar todo o esquema de monitoramento da região e como o povo já está preparado para uma situação catastrófica. Esse início do roteiro de John Kåre Raake e Harald Rosenløw-Eeg também se mostra importante para darmos importância aos personagens principais.

Da mesma forma, a construção progressiva do script se mostra bem válida para comentar sobre a incredulidade de muitos cidadãos e como o ser humano se deixa levar pela rotina, ignorando o fato de que a natureza não pestaneja em trabalhar com força. É claro que há conveniências nesta história, mas elas funcionam bem de embasamento ao restante do filme.

Salve-se quem puder!

Após tantas batidas na mesma tecla, o alarme de “Deus nos acuda” finalmente é soado, e aí meu amigo, não sobra um corajoso para enfrentar essa onda de 90 metros de altura. A sequência de desastres é realmente impressionante, tanto pela proporção quanto pela forma como foi construída. Inclusive, é nesse ponto que você pensa “agora dei valor para o cinema norueguês”. Os efeitos são realmente top, minha gente!

Pois é, ainda que seja uma produção um tanto distinta do que estamos habituados a ver nos cinemas, “A Onda” é uma obra construída com atenção aos detalhes. A fotografia é simplesmente magnífica, com ambientes que nos fazem entender o porquê de as pessoas continuarem vivendo numa região tão perigosa.

O tom sombrio dá a pegada mais séria do filme e deixa o espectador um tanto desconfortável quanto às possíveis situações de emergência que podem ser desencadeadas a qualquer momento. Por outro lado, os personagens bem-humorados e marcantes garantem uma narrativa mais solta e preocupante.

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A família principal é o fio-condutor da história, mas é Kristoffer Joner com um rostinho familiar — que vai lembrá-lo de Norman Reedus, o famoso Daryl de The Walking Dead — que garante o desenrolar de toda a trama; e ele o faz muito bem, dando credibilidade ao personagem que se mostra sagaz em suas ações e bastante corajoso.

Para embalar toda essa desgraça (no sentido mais destrutivo da palavra), temos uma trilha muito assustadora. As músicas deixam o clima cada vez mais pesado e o responsável por essa pérola é Magnus Beite, compositor que arrasou ao planejar sons que se complementam e dão intensidade ao desastre.

Enfim, diferente de muita porcaria de Hollywood (que apela para nomes famosos e cenas clichês), o filme norueguês “A Onda” consegue entregar momentos de tensão convincentes, ainda mais pela temática abordada com fidelidade à realidade. Um ótimo filme para ver no conforto da sua casa e para repensar que a Natureza nunca está para brincadeira!

Fonte das imagens: Divulgação/Fantefilm

A Onda (2015)

Onda, onda, olha a onda!

Diretor: Roar Uthaug
Duração: 105 min
Estreia: 1 / Jun / 2016

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