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Crítica do filme A Sereia – Lago dos Mortos

Afogado em clichês

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 31 Janeiro 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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O gênero de terror é marcado por filmes inusitados que nos pegam de surpresa — tá aí “O Ritual” que não me deixa mentir com uma pegada genuína de suspense e tensão. Por outro lado, tem um calhamaço de títulos que nos pegam desprevenidos no pior sentido e aí a gente se pergunta “por que eu gastei meu tempo com isso“?

Foi assim com o “A Noiva”, que decepcionou tanto que eu até tinha prometido nunca mais ver filmes de horror vindo da Rússia. No entanto, eu mudei de ideia e resolvi dar uma chance para “A Sereia - Lago dos Mortos”. Bom, só para você entender do que eu estou falando, a sinopse diz o seguinte:

Uma sereia malvada se apaixona por Roman, noivo de Marina, e tenta mantê-lo longe dela em seu Reino submerso. Marina terá apenas uma semana para superar o medo do oceano, lutar com monstros e se manter viva e na forma humana.

Só pelo texto não dá para ter muita noção se o filme presta, mas a premissa não é de todo mal, afinal sempre houve muito misticismo sobre sereias. E ok, o trailer já não é aquelas coisas, mas “a esperança é a última que morre”, o que é uma tragédia, porque aí já é tarde e a gente já deu aquele mergulho de cabeça num rolê terrível – no sentido ruim da coisa.

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Todavia, o grande problema é que quando começa o desenrolar da coisa, você acaba vendo que o filme não é bem o que foi vendido. E tudo só vai indo por água abaixo (sim, vai ter muitos trocadilhos com água neste texto) a cada novo capítulo da história. Então, o aviso inicial é bem claro: não embarque nessa jangada, porque você vai ficar triste no meio do lodo.

Não é qualquer um que sabe surfar a onda do terror

Bom, se você teve coragem de prosseguir nesta crítica, é porque você realmente quer alguns argumentos a mais para desistir dessa ideia. A lista de problemas mais parece uma cachoeira, mas vamos por partes. O primeiro dos inconvenientes é a dublagem, que causa estranheza, já que a boca fica dessincronizado com o áudio.

Mas credo, você viu dublado, Fábio? Acontece que “A Sereia - Lago dos Mortos” é um filme russo, mas, em vez de deixar o idioma original, a distribuidora resolveu trazer o filme dublado em inglês ou em português, ou seja, só tem dublado mesmo, só que a versão no idioma americano tem legendas. É a mesma coisa que rolou com “A Noiva”, o tom fica mais de piada do que de terror.

Não que as atuações ajudem muito, porque a gente não consegue dar muita bola para a história e os climas de terror, já que em boa parte do tempo estamos neste conflito de áudio e também dos personagens não se entrosarem em momento algum. Talvez a questão mesmo é que não estamos acostumados com o cinema russo e aí fica essa sensação esquisita.

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Nesta lista de tropeços, temos ainda questões básicas de produção mesmo. Apesar de ser uma produção de orçamento reduzido, ainda mais num comparativo com as produções americanas, os efeitos especiais simplesmente não ajudam muito no climão - e não estou falando das cenas aquáticas, que até são incrivelmente bem feitas.

Acontece que a personagem que leva o nome do filme não tem uma aparência muito bem definida. Tudo bem, sendo justo, parte dessa limitação se deve a forma como ela criada na trama, porém há cenas que a maquiagem e mesmo as adições computacionais não deixam a coisa muito incrível. Não se trata de algo amador, mas a gente vê algumas limitações.

Roteiro mais furado que encanamento velho

O excesso de clichês já é uma constante em muitos títulos de terror, mas os russos realmente exageram na coisa - e até acabam com a surpresa quando muitos trechos já foram exibidos nos materiais de divulgação. O resultado é uma série de cenas que não surpreendem pelo terror psicológico, mas apenas pelo excesso de barulho e as viradas de câmera já conhecidas.

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O que mais deve deixar o público frustrado é o roteiro do filme mesmo, que se afasta da promessa do título, para desenvolver algo muito mais raso. A história começa no passado e logo temos um salto para o presente com outros personagens. Até aí, zero problemas, porém as coisas ficam complicadas quando as pontas não se ligam e deixam a gente com uma expressão de “sério que os personagens vão agir assim”?

Os protagonistas agem como se soubessem o que estão fazendo, as peças do quebra-cabeça aparecem sem qualquer explicação e ainda temos o fator humano muito mal aproveitado. Sabe que ele filme que você sabe que vai dar ruim para o personagem e fica dizendo para ele não ir atrás do perigo, mas ele vai e faz justamente o que não devia fazer? Então, “A Sereia - Lago dos Mortos” é um filme que nada neste rio de burrice do começo ao fim. Nada faz muito sentido, o que deixa a gente frustrado.

A gente vai esperando um lago profundo de desespero e vê que o script não passa de uma poça bem sem graça

No fim do dia, o principal culpado por essa festa aquática mal programada é o senhor Svyatoslav Podgayevskiy, que é diretor e co-roteirista de “A Sereia”, sendo que ele também já tinha aprontado muito na história fraca de “A Noiva”. Dá para ver algum esforço na atmosfera de terror com uma fotografia competente, mas o restante é tão desastroso, que a gente só fica com a má impressão mesmo. Evite o desgaste e procure outros filmes de terror.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

A Sereia – Lago dos Mortos

O terror está sob a superfície

Diretor: Svyatoslav Podgaevskiy

Duração: min

Estreia: 31 / Jan / 2019

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