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Crítica do filme Acrimônia

Tempestade em copo d’água

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 09 Agosto 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Eu já comentei em outro texto aqui no Café com Filme sobre a divergência da impressão que temos em trailers que prendem nossa atenção — com uma receita até um tanto simples — e a opinião negativa que formamos após ver o resultado final de determinadas obras.

Esse é mais ou menos o caso de “Acrimônia”, o novo filme de Tyler Perry, o qual se vende bem como mais uma história de amor que desanda dum jeito catastrófico. No centro da história está Melinda, esposa fiel que deu tudo de si para continuar com o marido, Robert (Lyriq Bent).

Com uma narração de plano de fundo, que recapitula a história do casal até o presente, o título vai do mais puro amorzinho no começo de um romance até o pós-término, com a protagonista desiludida e desgraçada da cabeça pela vida bem-sucedida de seu ex-marido.

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Para você poupar tempo, já adianto que vale aguardar o lançamento do filme na TV ou nas locadoras, pois ainda que exista uma finalidade na história, isso não significa que ela precisava ser contada — tampouco que você precisa conhecê-la. Acompanhe os próximos parágrafos para entender o porquê do recado já no começo do texto.

Baseado em fatos desnecessários

A pauta básica de “Acrimônia” já é bem conhecida: vingança. Temos inúmeros exemplos de filmes geniais — incluindo até o icônico Kill Bill nessa lista — que mostram a transformação de uma personagem, que numa hora se vê numa situação de fragilidade e noutra dá o troco no melhor estilo.

Zero problemas quanto à premissa do filme de Perry, afinal há inúmeras formas de retratar bons casos de vingança. O problema mesmo está nas justificativas e, principalmente, no desenrolar da coisa para chegar no gran finale. E aqui não cabe aquela história de “os fins justificam os meios”.

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Na tentativa de representar inúmeros casos reais, reforçando a questão dos relacionamentos desiguais, o roteiro acaba patinando num ciclo que parece não ter saída até os 45 do segundo tempo. E ainda que isso possa acontecer na vida, nem sempre queremos uma representação chata ou até irritante de histórias que já nos cansam em nossos círculos de conhecidos.

A verdade é que a protagonista da história tem sua razão em quase todo o script, mas ela se perde em sua raiva e não quer mais sair desse quadro de ódio e tristeza. E, no frigir dos ovos, a plateia fica ali assistindo a receita desandar de uma forma tediosa e acaba servindo apenas como juiz do caso, parecendo até um “Casos de Família”.

Desfavor em forma de filme ruim

Bom, o ponto é que, mesmo com uma direção funcional (e olhe que não estou nem elogiando muito esse quesito, pois o diretor faz apenas o arroz com feijão — mas ok, é um filme simples) e uma produção que preza pelos detalhes, a gente não consegue engolir nada dessa história. Chega uma hora que o público para de ter empatia e deixa aflorar apenas o desgosto. 

A talentosa Taraji P. Henson até que se esforça, mas é complicado nadar contra a maré de um roteiro que coloca a personagem em tamanha posição de fragilidade ou até mesmo de idiotice. Por outro lado, os atores que encenam no papel de marido nem se esforçam muito, talvez pelo roteiro que os colocam como enfeites no contexto.

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Talvez o ápice do interesse nas quase duas horas de filme seja justamente as cenas em que a protagonista está sozinha frente à câmera retratando os detalhes da história, mostrando seu lado dramático. O ponto é que uma cena ou outra não sustentam um filme, mas tem um inconveniente que deve deixar muita gente “puta da cara”.

O problema é que, ao querer contar uma história de vingança, o autor ignora a seriedade da pauta e presta um desfavor, colocando a mulher no papel de louca. Não, eu não quero dizer que deveria ser resolvido com diálogos com a psicóloga (apesar de que esse é um bom começo para casos reais), mas a trama vai contra a construção da personagem. É uma auto-sabotagem.

No fim do dia, todo filme pretende contar uma história, mas algumas são tão ordinárias que nem merecem ser contadas. Enfim, “Acrimônia” é o tipo de filme que pode deixar alguns intrigados pela amplitude das ações dos personagens, mas que vai decepcionar outros tantos que buscam inspirações ou ficções que sejam realmente convincentes.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Acrimônia

Ela quer vingança!

Diretor: Tyler Perry

Duração: 120 min

Estreia: 2 / Ago / 2018

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