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Crítica do filme Amor por Direito

A triste luta pela igualdade

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 21 Abril 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Endgame Entertainment
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Filmes biográficos estão em alta, afinal as pessoas buscam muita inspiração em pessoas de verdade que vivenciaram experiências fantásticas, revolucionaram o mundo ou simplesmente tiveram grande importância para uma determinada causa. No caso de “Amor por Direito”, vemos uma história que consegue reunir quatro gêneros para o debate de algumas pautas de grande importância.

Temos aqui uma biografia cinematográfica que começa falando da policial de New Jersey Laurel Hester (Julianne Moore), da sua dedicação à carreira, passando pela fase romântica, em que conhece sua amada Stacie Andree (Ellen Page), até chegar a um drama de proporções absurdas que coloca em debate tanto a fragilidade de uma pessoa com uma doença terminal quanto a problemática da igualdade para casais homossexuais.

Para muitos, a abordagem do filme talvez não seja lá grande coisa, afinal muitos países já declararam a legalidade do casamento homossexual. Acontece que estamos em 2016 e, como você já bem deve saber, há um número infindável de casos de homofobia, que geralmente envolvem violência, preconceito, ódio e outras coisas absurdas que mostram como estamos estagnados.

Então, como mudar esse cenário? Oras, fazendo um filme com excelentes atrizes como Julianne Moore e Ellen Page para mostrar como esse tipo de visão retrógrada só prejudica pessoas inocentes que apenas querem viver suas vidas sem fazer mal a ninguém. Vamos falar um pouco sobre essas problemáticas e a produção.

Passando a mensagem de forma clara

Essa questão de direitos parece simples, afinal não se trata de pedir algo absurdo ou privilégios. O filme, inclusive, vem justamente para bater na tecla da igualdade. Casais como Stacie e Laurel existem em todos os lugares do mundo. São apenas pessoas querendo amor, sucesso, alegria e respeito. O mais curioso é perceber que, assim como no filme, as pessoas na vida real só recebem valores invertidos. Qual a necessidade disso?

Poderia ser sua colega, sua prima, sua amiga, sua irmã ou apenas uma pessoa conhecida. Na verdade, mesmo que fosse um desconhecido, você há de convir que não importa quem seja o envolvido na situação, a falta de empatia e respeito para com o próximo se mostra algo totalmente desnecessário. No cinema, a plateia se emociona e chora, mas o longa esclarece que isso é algo comum na vida real.

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Eis aqui o trunfo do filme, retratar que não existe sentido nessa homofobia, ainda mais na questão da politicagem, que nega direitos a cidadãos que pagam seus impostos, vivem sem incomodar ninguém e só querem um pouco de compaixão (pra não dizer apenas o que é justo).

Curioso é perceber também os motivos dados por terceiros para se opor a tal causa. Os colegas de Laurel não fazem questão alguma de dar apoio, mas não apresentam argumentos para tratar uma pessoa tão querida com descaso e uma falta de compaixão sem cabimento. É triste e não é só ficção.

Dedicação para elevar o realismo

Bom, falando da produção como um todo, é mais do que justo enaltecer primeiramente a perfeita sintonia de Julianne Moore e Ellen Page. As duas formam um casal convincente, algo perceptível tanto no início do romance quanto no amor exibido no desenrolar da trama. Page parece um pouco mais participava, mas Moore é mais expressiva e dedicada, até por conta do caso delicado de Laurel.

A maquiagem (ou a falta dela) também incrementa na construção da trama. Julianne Moore se mostra incrivelmente bela e realista sem precisar de quilos de pó e cores no rosto. Isso contribui tanto para a construção do personagem quanto para enaltecer os problemas da doença e do drama vivido por Laurel.

É legal que mesmo coadjuvantes apresentam pontos de vistas que agregam algo ao debate aqui e, certamente, a presença dos atores Michael Shannon e Steve Carell são de suma importância para o desenvolvimento desses personagens que também são comuns na luta da causa. Um deles (Shannon) é o amigo que apoia, que se mostra relutante, mas ainda importante. Outro (Carell) partilha da luta, ainda que se mostre focado em outras questões. Os dois atores se mostram dedicados e muito convincentes e até acrescentam toques de comédia à película.

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Para dar dramaticidade, a produção se apoia muito na fotografia, que apresenta um tom mais verídico e ainda exala delicadeza. Cenas marcantes são apresentadas para ressaltar o romance de Laurel e Stacie, com direito a paisagens belíssimas pensadas para evidenciar a parte apaixonante do relacionamento das duas. Belas sequências na praia, na casa e em outros cenários colaboram muito para enriquecer a parte visual da película.

Algo muito interessante no desenvolvimento de  “Amor por Direito” é perceber que a obra evita o uso de trilhas comerciais. A musicalidade comandada pelo mestre Hans Zimmer e por Johnny Marr é duma sensibilidade ímpar e dá toques sutis aos momentos mais dramáticos. Apesar disso, o tema da Miley Cyrus também merece aplausos, porque caiu como uma luva e se encaixa perfeitamente para uma reflexão.

Um detalhe que talvez incomode aos mais atentos é a falta de continuidade ao caso policial investigado por Laurel no começo da trama. Contudo, o roteiro deixa essa parte de lado, uma vez que só faria sentido insistir em tal assunto se a protagonista continuasse envolvida na situação. Depois, o filme até dá alguma pincelada no caso, só pra não deixar ponta solta, o que é muito bom do ponto de vista de construção.

Quer algumas dicas para curtir este filmão? Primeiro, vá a um cinema confortável, com telona e boa qualidade de som. Não se esqueça de levar lenços, pois você vai precisar. Ah, claro, e também leve o coração aberto, pois você vai amar e se emocionar.

Fonte das imagens: Divulgação/Endgame Entertainment

Amor por Direito

Todo amor é igual

Diretor: Peter Sollett

Duração: 103 min

Estreia: 21 / Abr / 2016

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