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Crítica Animais Fantásticos e Onde Habitam

A trouxa dificuldade de deixar ir

Lu Belin

por
Lu Belin

Quinta, 17 Novembro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Se há uma dúvida que eu não tenho, é a de que "Animais Fantásticos e Onde Habitam", que estreia hoje no Brasil, será um grande sucesso de bilheteria. Isso porque nenhum fã do universo mágico de Harry Potter vai querer deixar de conferir de perto uma, duas vezes, a produção que traz de volta essas criaturas incríveis.

Mas quem leu o minúsculo livrinho que traz o mesmo nome sabe que o longa-metragem dirigido por David Yates foi só uma desculpa pra J.K. Rowling ressuscitar o universo do bruxo mais querido dos últimos tempos - ainda que sem trazer de volta o próprio Harry (pelo menos por enquanto).

Tenho um pé atrás com a ideia desse filme desde que ele foi anunciado, ainda que as imagens e notícias da última semana tenham me animado um pouco a respeito dele. No entanto, depois de assistir ao resultado da produção - a primeira roteirizada e acompanhada de perto pela própria J.K.Rowling, confesso que saí do cinema precisando de um pouco de Felix Felicis.

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O filme se situa em um tempo bem antes da história de Harry, antes mesmo do nascimento do próprio Voldemort, provavelmente, quando a posse de criaturas mágicas ainda é ilegal em alguns países.

Newt Scamander (Eddie Redmayne), um pesquisador desses bichinhos e defensor do direito de conviver com os mesmos é uma figura um tanto excêntrica ah vá que desembarca nos Estados Unidos, um desses países ainda não muito amigáveis com os animais mágicos, com um objetivo que inicialmente desconhecemos.

O fato é que ele traz na mala, obviamente encantada com todo o tipo de magia, uma série dessas criaturas, que ele estuda e cuida dentro de um verdadeiro zoológico de bolso. Atrapalhado - e com a "ajuda" da bruxa e ex-auror Tina (Katherine Waterston), e do padeiro trouxa (ou non-maj) Kowalski (Dan Fogler) - ele acaba perdendo alguns dos seus bichinhos de estimação e é aí que começa a aventura.

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Paralelamente a isso, o mundo vive conflito em que os bruxos tentam se esconder da população desprovida de magia a plena vista, enquanto um grupo de fanáticos religiosos quer provar que eles existem sim, e são criaturas malignas.

Muita magia, pouca simpatia

Nas mais de duas horas de filme que se seguem, Newt, Tina e Kowalski têm suas trajetórias cruzadas com a da presidente Seraphina Picquery (Carmen Ejogo) e com o auror Graves (Colin Farrell), além da irritante Mary Lou (Samantha Morton), sempre acompanhada de suas crianças Credence (Ezra Miller), Modesty (Faith Wood-Blagrove) e Chastity (Jenn Murray).

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Tanta coisa acontece, mas ao mesmo tempo você termina o filme um tanto confuso e com a sensação de que o mesmo sai do nada e vai a lugar algum - salvo uma grande surpresa no final que dá a entender qual é a real motivação e a verdadeira história que vai ser contada nessa nova sequência (que, sabemos, terá mais quatro filmes).

"Animais Fantásticos e Onde Habitam" até tem chance de se tornar uma grande saga, até bastante indepentende dos outros filmes, mas vai precisar de muito mais do que melhorar o capricho no roteiro: vai precisar investir nos personagens.

Os atores são muito bons. Embora eu particularmente ache Eddie Redmayne muito igual em todos os seus papeis, gostei bastante da performance como Newt Scamander, que parece um protagonista complexo que ainda tem muito a nos revelar.

Por outro lado, Tina, Kowalski, a presidente Seraphina e o próprio Graves são pouco cativantes e alguns parecem não ter propósito algum além de trazer o famoso alívio cômico (e alívio cômico pra quê, considerando que o filme não é pesado nem mega sombrio nem nada do gênero?).

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Talvez para compensar essas inconsistências e elos frágeis na história, David Yates apostou nas cenas de duelos e uso de magia. Embates com as varinhas, faíscas e objetos brilhantes e cintilantes, todo o brilho do universo Harry Potter está ali, talvez até mais forte. E isso pode até conquistar os fãs menos críticos, mas não passa batido por quem vai para o cinema atrás do pacote completo que, sabemos, J.K.Rowling é capaz de oferecer.

Beleza sombria e misteriosa

A competência técnica da equipe de Yates em reconstruir os cenários e a fotografia de um mundo do começo do século passado é inquestionável. E nesse ponto "Animais Fantásticos e Onde Habitam" não fica devendo pra ninguém.

A fotografia do filme é muito bem feita, assim como a leitura dos bichinhos. As criaturas são um dos principais pontos positivos da produção, embora figurem como plano de fundo, mais do que como protagonistas.

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O mesmo vale para a trilha sonora, que ajuda muito a criar uma atmosfera de mistério. Muito parecida com a dos filmes anteriores, ela funciona muito bem para incentivar alguns poucos momentos de tensão e a marcar o tempo das cenas descontraídas, das divertidas, das pausas de calmaria. O problema é que competência técnica não é suficiente.

Let it go

A saga de Harry Potter e seus amigos é muito consistente. J.K.Rowling conseguiu construir nos livros e reproduzir muito bem nos filmes um universo belíssimo, capaz de despertar a empatia e a simpatia pelos personagens - e atores - queridos, movendo uma legião de fãs no mundo todo, com todos os detalhes muito amarradinhos, porém com abertura na medida certa pra deixar nossa imaginação voar.

A saga Harry Potter está eternizada nos nossos corações. Mas é preciso reconhecer que ela começa no filme 1 e termina no filme 8. 

Eu sei que ninguém quer colocar um ponto final nessa história - prova disso são as ~zilhares de fanfics com os personagens, além da tentativa da própria autora de manter a chama acessa com o site Pottermore e, agora, com o novo livro-peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.

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E o problema com "Animais Fantásticos e Onde Habitam" é exatamente o mesmo da referida peça. Força a amizade - e olha que amizade é o ponto principal da bagaça toda. O roteiro se sustenta com bastante dificuldade, pautado em algumas cenas engraçadas e pendurado em  poucas referências à história já conhecida.

É um filme engraçado e bem divertido, que vale a pena ver se você está disposto a visitar a maleta de Newt Scamander sem grandes exigências. Mas não espere um Harry Potter número 9, pois Animais Fantásticos está longe disso.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Explore uma nova era do mundo mágico antes de Harry Potter

Diretor: David Yates
Duração: 133 min
Estreia: 17 / Nov / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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