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Crítica do filme Annabelle 2: A Criação do Mal

A perversidade em sua essência

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 24 Agosto 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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A boneca mais medonha dos cinemas está de volta... E agora em sua forma original, junto ao seu criador e à sua residência. Todos que ousarem cruzar seu caminho estão sujeitos à morte.

Pois é, os fãs do universo macabro de James Wan já podem conferir o segundo capítulo da história de Annabelle. No entanto, ao contrário da numeração no título, temos aqui um longa-metragem de origem, ou seja, este deveria ser o Annabelle Zero.

Apesar de um pequeno deslize no título, a verdade é que o início desta história horripilante é deveras acertado. Um roteiro bastante simples em sua base, mas muito coerente e preparado para dar espaço ao terror. A história picotada em múltiplos fragmentos temporais se constrói aos poucos, mas não deixa cair o ritmo e se mostra coerente no todo.

A história trata de um criador de bonecas (Anthony LaPaglia) e sua esposa (Miranda Otto) que, anos após a trágica morte de sua filha, decidem acolher uma freira e várias meninas de um orfanato que foi fechado. Eles tinham boa intenção, mas jamais dariam essa brecha se imaginassem que colocariam todos em risco, como alvos da boneca Annabelle.

Importante notar que você não precisa ter visto o primeiro capítulo da boneca maldita para encarar essa barra que é gostar de terror. O filme funciona perfeitamente sozinho, mas também tem boas referências para quem já acompanhou os demais títulos da “franquia” (considerando que Invocação do Mal faz parte desse universo).

O desespero toma conta

A história de “Annabelle 2: A Criação do Mal” é um bocado simples, mas o filme consegue guardar algumas surpresas que vão deixar você se perguntando “tipo o quê?”. A ideia de usar crianças para esse tipo de filme é sempre válida, ainda mais no caso de garotinhas órfãs que, apesar de buscarem um amparo, parecem estar mais preparadas para as adversidades.

O filme abusa disso e vai além ao colocar uma menina debilitada no papel principal. É claro que a inclusão é importante, mas, num caso em que temos uma boneca possessa pelo capiroto cheia de malícia pronta para aniquilar qualquer um em seu caminho, a sensação de impotência e até receio pelo que pode acontecer pela pequenina deixa a trama ainda mais escabrosa.

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É claro que toda a situação das personagens que carecem de ajuda é argumento fundamental para o roteiro, porém o desenvolvimento se dá mesmo é pelos pequenos detalhes. Basta um ou outro estalo na casa, uma porta que se abre sozinha, uma sombra macabra ou outra artimanha na hora certa para deixar toda a plateia receosa.

Com base em pequenas inserções e ao colocar o público trancado em pequenos ambientes com a boneca Annabelle, é que o roteiro de Gary Dauberman (que já fez o texto do primeiro filme e que está por trás de “IT: A Coisa”) consegue transmitir o pavor em pequenas ações. Sim, o medo e os sustos vão se intensificando com a progressão da história, o que também vem a calhar dentro do contexto proposto.

Agora, uma surpresa muito grata aqui é o tom de comédia anormal em filmes do gênero. Acredite se quiser, mas tanto roteiro quanto as atrizes mirins conseguem aproveitar uma brecha bem clara para rir na cara do Coisa Ruim. É claro que esse alívio cômico é usado com parcimônia, o que deixa o desenvolvimento mais divertido e menos cansativo — já que sustos em excesso acabam deixando a plateia muito apreensiva.

Clichês incrementados

Apesar dos acertos de roteiro e até da vitória ao entregar uma sequência (que na verdade é uma história que volta no tempo) mais assustadora, a nova produção de James Wan insiste obviamente nos clichês básicos previstos em qualquer filme de terror. Isso é um problema? Não exatamente, mas é claro que a gente sempre tem a esperança de ver algo inovador.

Não é bem o caso aqui, pois muitos sustos ainda são baseados na velha tática do “jump scare”, então é claro que a gente fica só esperando aquela viradinha de câmera óbvia com um capeta já pulando na tela. Agora, graças à insistência nesse tipo de recurso, a boneca medonha aqui tem umas boas sacadas, ao deixar inúmeras deixas e pegar a plateia desprevenida.

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Assim, não é toda cena com espelho que vai te pegar de calças curtas e não é qualquer deixa que vai ser aproveitada como gancho para uma sequência assustadora. Esse tipo de mistério adicional é uma ferramenta bem útil aqui, pois o clima de tensão é uma constante em boa parte do filme. Não importa se é dia ou noite, sempre há espaço para alguma marotagem da Annabelle.

E olha, bom dizer que o diretor David Sandberg, que tinha decepcionado com “Quando as Luzes se Apagam” dá a volta por cima e apresenta um terror bem mais incrementado. Ele ainda insiste nas brincadeiras de luz e sombra, mas agora não fica nos repetecos e faz um bom trabalho ao aproveitar algumas artimanhas já vistas em outros filmes de Wan. Nada como uma escola com um cara que já fez “Gritos Mortais”, “Sobrenatural” e “Invocação do Mal”.

Verdade seja dita que também muito do medo neste filme se deve ao ambiente propício e ao colorido limitado às penumbras. A fotografia predominante nas sombras casa perfeita com a sonoridade sombria, que, conforme já dito, abusa de truques básicos, mas nada anormais para uma casa velha. Com uma trilha expressiva e gritante, a maldade ganha espaço na trama.

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Talvez um grande deslize do filme se dá pelo elenco pouco entrosado. Não se trata nem de desenvolvimento de personagem, mas de atuações precárias mesmo. Anthony LaPaglia é um dos nomes que não contribui muito e até prejudica a participação de outras personagens. Felizmente, as atrizes principais, incluindo Stephanie Sigman (no papel da Irmã Charlotte), de certa forma salvam o dia.

Seja você um grande fã de terror ou uma pessoa que se assusta fácil, dá pra dizer que “Annabelle 2: A Criação do Mal” é um bom título para deixar você sem dormir ou se divertir com alguns sustos bem impactantes. Um acerto conveniente para armar ainda mais o universo diabólico da Warner. Agora, ficamos no aguardo de “IT - A Coisa” e “A Freira”.

Bons sonhos com a Annabelle e não se esqueça de fazer uma oração!

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Annabelle 2: A Criação do Mal

A origem maligna da boneca mais temida do cinema!

Diretor: David F. Sandberg
Duração: 109 min
Estreia: 17 / Ago / 2017

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