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Crítica do filme Bem Vindo a Marly Gomont

Uma história sobre resiliência

Nicole Lopes

por
Nicole Lopes

Domingo, 11 de Novembro de 2018
Fonte da imagem: Divulgação/E.D.I Films
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O cinema antes de qualquer funcionalidade tem como princípio contar histórias, às vezes de ficção e outras inspiradas em histórias reais de pessoas que marcaram uma época, uma sociedade, um país ou até mesmo um pequeno vilarejo, como é o caso do filme  “Bem Vindo a Marly Gomont” de Julien Rambaldi, que conta a trajetória de Seyola Zantoko, jovem médico, que decide morar com a sua família no interior da França.

Ser estrangeiro não é fácil, construir o seu sonho longe do seu país de origem é um desafio que leva tempo e coragem, especialmente no caso de Seyola Zantoko, médico negro natural de Kinshasa capital do Congo, que após se formar em medicina e recusar um cargo de prestígio em seu país que enfrentava a ditadura liderado pelo General Mobutu,  aceitou a proposta de ser médico em um pequeno vilarejo francês chamado “Marly Gomont”, que nunca teve moradores negros até a mudança da família Zantoko.

Longe de ser um filme que se aprofunda com questões raciais, “Bem Vindo a Marly Gomont” conta as dificuldades, desafios e superações que a família Zantoko enfrentou na  pequena cidade. De uma forma leve e com uma narrativa que mistura os momentos de drama  sem tirar o humor do roteiro, o filme expõe o impacto de ser diferente em uma terra fértil para ignorância, como disse o próprio personagem natural de Marly Gomont, o fazendeiro Jean (Rufus).

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A grande virtude do filme fica por conta da simplicidade e sutileza que Kanini, filho de Zantoko, narra a sua história e da sua família. Sendo o co-escritor do longa junto com o diretor Rambaldi e o roteirista Benoit Graffit, o filho mais novo de Zantoko mostra a prepotência da classe política, o bullying presente na vida colegial e a cultura afro em suas várias vertentes.

Semelhante ao longo francês Intocáveis (2011) de Olivier Nakache e Éric Toledano, o filme de Julien aborda principalmente à procura de aceitação, tanto pelo médico que chegava a reprimir os costumes e o modo que a sua família agia quanto moradores do vilarejo que também sofriam por serem “diferentes”. Contudo, a repressão era advertida com humor, especialmente por Anne Zantoko (Aissa Zinga), esposa do médico, que com base de comentários ácidos torna a história mais leve e cômica.

Bem vindo à Marly-Gomont não é somente um filme sobre racismo, e sim uma de história resiliência de uma família estrangeira em uma terra cheia de preconceitos, algo um tanto comum nos dias de hoje. Porém, longe de utilizar os momentos difíceis para basear as angústicas que os personagens viveram, o filme emociona com cenas de superação e de saídas divertidas que arrancam lágrimas de emoção e humor.

Fonte das imagens: Divulgação/E.D.I Films

Bem Vindo a Marly-Gomont

Expõe o cotidiano de uma terra fértil para a estupidez

Diretor: Julien Rambaldi

Duração: 96 min

Estreia: 28 / Out / 2016

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Nicole Lopes

À procura do mundo invertido 

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