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Crítica do filme Ben-Hur

Nem todo épico vira clássico

Lu Belin

por
Lu Belin

Quinta, 18 Agosto 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures
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A história de Judah Ben-Hur vem sendo contada pelo cinema há tanto tempo que já tem gente que acredita que o personagem fictício criado por Lew Wallace para o livro “Ben-Hur: A Tale of the Christ”, lançado em 1880, seja real ou faça parte da Bíblia. 

Adaptada para o cinema primeiro em 1925, pelo diretor Fred Niblo, e depois em 1959, na premiada versão dirigida por William Wyler, a saga do judeu Judah Ben-Hur agora retorna aos cinemas, desta vez sob o comando do diretor Timur Bekmambetov ("Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros", "O Procurado").

Com roteiro adaptado por Keith R. Clarke, "Ben-Hur" conta a história épica de um príncipe de Jerusalém, vivido pelo novato Jack Huston (conhecido por "Boardwalk Empire"), que cresce muito próximo do irmão adotivo Messala (Toby Kebbell). Depois de um desentendimento com a família de Judah, Messala se envolve com os romanos, em uma época na qual Roma está determinada a dominar o mundo inteiro, sai para lutar na guerra pelo lado romano e retorna a Jerusalém como um oficial de alto escalão desse exército. 

Envolvido sem querer com os zelotes, grupo de resistência à dominação romana, Judah Ben-Hur acaba acusado de um crime que não cometeu, condenado à escravidão por conta do ressentimento do irmão e outras mazelas que levam ao desenvolvimento de sua saga em busca de vingança contra o irmão.

Remake, né! ¯\_(ツ)_/¯

Nessa era de remakes, até que demorou pra um filme tão clássico entrar na lista de produções a serem refilmadas. E convenhamos, a galera que idealizou e conduziu este novo projeto foi bem corajosa. Vejam, estamos falando de um longa-metragem épico que não necessariamente se beneficia tanto das evoluções tecnológicas do cinema.

E não é qualquer filme, é um verdadeiro marco na história do cinema que, em 1959, já havia se consagrado com 11 estatuetas do Oscar e como uma produção de altíssima qualidade, inovando em vários aspectos.

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Assim, a equipe comandada pelo Timur Bekmambetov arriscou e muito quando decidiu refazê-lo. Levando isso em consideração, “Ben-Hur” consegue ser surpreendentemente bom. Não se trata de uma superprodução impressionante, porém, confesso que mordi minha língua quando subiram os créditos, pois o filme tem uma pegada bem diferente da esperada. 

Me acompanhe no passo-a-passo de porque isso acontece!

Um bom arroz com feijão

Um grande mérito do Timur e seus coleguinhas é que eles não foram muito ambiciosos, ou seja, não se propuseram fazer uma coisa incrível e transformar um remake em um novo clássico, nem nada disso. Em nenhum momento essa parece ser a pretensão nem na sua divulgação, nem no decorrer do filme, mesmo. É isso, um filme legal, sem inventar moda, fazendo bem o feijão com arroz antes de sair inovando.

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A impressão que fica para quem assiste o longa no cinema é de que o objetivo é simplesmente recontar a história de um outro jeitinho, pra quem ainda não existia quando a última versão foi lançada.

Assim, com recursos que antes não eram viáveis e com um outro olhar, “Ben-Hur” revela cenários modestos, mas caprichados, com uma bela fotografia, apesar de ficar devendo bastante para o filme de 1959 nesse sentido.

Se compararmos recursos dos dois filmes, o antigo foi muito mais imponente, com cenários bastante ousados e bonito, principalmente as construções. Enquanto o novo traz tudo de uma forma modesta e que às vezes até parece de baixo orçamento.

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O que compensa a simplicidade nos cenários, no entanto, é a trilha sonora, que é bastante adequada à proposta, com sons épicos e instigantes para as cenas mais agitadas. A trilha inclusive faz toda a diferença para as cenas mais agitadas de lutas e corridas com as bigas. E que corridas! Essa parte é um dos destaques do filme, que investe bonito nas cenas de ação, que mantêm o público com olhar preso na tela enquanto os esportistas competem.

Outro ponto positivo para o remake foi a escolha do elenco, que, com exceção de Morgan Freeman, opta por atores e atrizes novatos, o que traz um frescor para quem assiste. A não opção por galãs para incorporarem Ben-Hur e Messala permitiu muito mais verossimilhança e é um dos fatores que contribui para a simplicidade que faz de “Ben-Hur” um filme legal.

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Apesar disso, nenhum ator deixou a desejar a ponto de prejudicar o andamento da história. Jack Huston dá conta tranquilamente do papel, assim como Toby Kebbell. O resto é resto, já que a trama acaba ficando muito em torno dos dois. Ainda assim, vale mencionar a sempre bela atuação de Morgan Freeman no papel de Deus Sr. Ilderim e a participação bastante positiva do brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus.

Falta um tanto pra ser épico de verdade

Nesse conjunto de boas atuações, trilha bacana, cenários modestos, porém ok, são dois os principais pontos negativos de “Ben-Hur”. O primeiro deles é a caracterização dos personagens, principalmente no que diz respeito ao figurino. 

Em algumas cenas, os personagens parecem estar vestidos para um passeio no clube, e não caracterizados para um filme que se passa contemporâneo a Jesus Cristo.  Parece que na maior parte do tempo o figurino está um pouco fora do lugar.

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O segundo ponto é a adaptação do roteiro, que tenta ser bastante fiel ao original. O problema é que nem tudo que funcionava na década de 1950 funciona atualmente, então alguns aspectos mais dramáticos não fazem muito sentido. Falo especialmente do final, embora não queira entrar em detalhes para não trazer muitos spoilers. 

Mas o fato é que em um determinado ponto o filme se perde um pouco e parece esquecer que é um filme épico, e não religioso, tornando o fechamento da história um pouco forçado. 

Apesar desses dois pontos, “Ben-Hur” é um filme interessante e que consegue prender a atenção do público por mais de duas horas sem deixar o espectador cansado. O tempo passa rápido, a história é interessante. Vale a pena ver, especialmente para quem gosta de épicos com essa pegada mais religiosa e não é lá tão exigente com estes detalhes épicos. Uma surpresa positiva frente a tantos remakes bem ruins que vêm sendo feitos.

Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

Ben-Hur (2016)

Confira a refilmagem deste clássico do cinema mundial!

Diretor: Timur Bekmambetov
Duração: 141 min
Estreia: 18 / Ago / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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