Crítica do filme Boneco do Mal

Boneco vazio não para em pé

por
Lu Belin

26 de Dezembro de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films

A maioria de nós está acostumada a ver Lauren Cohan no papel da destemida e determinada Maggie, de The Walking Dead. Em "Boneco do Mal", ela dá vida a uma igualmente corajosa personagem, a norte-americana Brenda, que chega ao Reino Unido para trabalhar como babá para uma família de milionários.

Tudo dentro da normalidade, até que ela percebe com incredulidade que cruzou o oceano para cuidar de um boneco, que é tratado pelos pais como um humano.

Logo no começo do filme, descobrimos que o Brahms (James Russel) de carne e osso morreu duas décadas atrás, quando tinha oito anos, em um incêndio. Como não conseguiram superar a perda, seus pais, os Heelshire (Jim Norton e Diana Hardcastle), criam um boneco de cerâmica que representa o menino, com um rigorosa rotina para ser seguida.

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Mesmo com essa revelação, Brenda decide ficar na casa, já que simultaneamente aos fatos do filme, precisa lidar com questões pessoais e seus motivos reais para sair dos Estados Unidos e buscar uma nova vida no Reino Unido.

Direto da cartilha

Todo filme de terror é, no fundo, um amontoado de clichês. Têm certas coisas que se repetem em cada um deles, mas que, quando bem usadas, podem fazer toda a diferença para a manutenção do clima de tensão e suspense. O problema é que só os elementos estarem ali não é suficiente.

Um piano, uma noite escura, trovoadas, escuridão rompida por um solitário ponto luminoso,c coisas estranhas que acontecem durante o banho, um espelho que reflete (ou não) coisas que não deveria refletir... "Boneco do Mal" segue a cartilha direitinho e traz tudo isso e muito mais para a tela. Se o resultado é uma boa composição? Não exatamente.

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Não se trata de um filme ruim, mas da reunião legalzinha de alguns bons elementos com outros nem tanto. O plot não se sustenta, no máximo cambaleia se segurando em alguns aspectos. E a primeira questão que você se coloca é: é sério mesmo que Brenda vai ficar na casa mesmo sabendo que a criança da qual deveria cuidar na verdade não existe? E, ainda que esteja intrigada, é sério que ela não se deu conta que está em um cenário de filme de terror?

Sim, são perguntas normais em várias produções do gênero, mas estamos em pleno 2016, então é normal esperar alguma novidade nesse sentido.

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Conforme o roteiro vai e desenrolando, algumas dessas questões recebem respostas e você entende os motivos da moçoila, mas vai um bom tanto de enrolação até chegar nesse ponto.

Corpo bom

Caso esteja intrigado com o andamento da história e persista para ver onde a coisa toda vai dar, você vai perceber que "Boneco do Mal" tem uma sustentação legal em aspectos como a trilha sonora e a iluminação.

Os cenários são típicos de um filme de terror mesmo. Uma casa enorme e vazia, isolada de tudo. Campos lindos e verdes, espaços internos chiquérrimos. Tudo em tons pasteis, tons de cinza, marrom e preto. Uma bela fotografia, pra contar uma história bem mais ou menos.

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Outro ponto positivo que contribui com o clima de tensão é o jogo de silêncio e volume, que traz os sons perfeitos nas horas exatas em que você precisa sentir medo. Nesse ponto, o longa-metragem dirigido por William Brent Bell não fica devendo não. Tudo é conduzido com bastante primor, resultando em boas cenas, apesar das mesmas demorarem a chegar.

Assim, embora o roteiro de Stacey Menear ser um pouco lento no gatilho, "Boneco do Mal" consegue convencer por conta desses aspecos mais técnicos e até surpreender em seu desfecho, que foge um pouco do esperado.

Uma boa pedida para fãs de terror e suspense que quiserem se distrair, e uma escolha satisfatória para consumidores iniciantes desse gênero tomarem alguns sustos.

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

Boneco do Mal

O que há por trás desse enigmático brinquedo?

Diretor: William Brent Bell
Duração: 97 min
Estreia: 18 / Fev / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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