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Crítica do filme Buscando...

A verdade está na web

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 15 Janeiro 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Sony Pictures
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Não são poucos os casos de desaparecimento que ficam sem solução. O mundo é tão grande e há tantas variáveis em nosso dia a dia que, por mais que imaginemos que conhecemos nossos amigos e parentes e até mesmo que haja envolvimento da polícia, muitas vezes, não é possível sequer ter um norte do paradeiro de alguém.

Este é justamente o caso na vida de David Kim (John Cho), que parecia ter controle de tudo no relacionamento com sua filha, Margot Kim (Michelle La). Sendo um pai carinhoso e comunicativo, ele sempre manteve contato com a filha através de ligações e mensagens trocadas por aplicativos.

Contudo, em uma determinada noite, ele acabou caindo no sono e perdeu algumas chamadas da filha. Assim, o que poderia ser apenas um episódio habitual de um mal-entendido acaba abrindo inúmeras brechas na consciência de David. Será que sua filha está chateada por algum motivo? Ela fugiu? Ou alguém sequestrou a garota?

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Após algumas tentativas de contato sem sucesso, ele começa a buscar por respostas do paradeiro de sua filha nos locais mais incomuns: as redes sociais. Mas como saber por onde começar sem nem mesmo ter uma conta nos sites? A partir disso, a história de “Buscando...” desenvolve uma jornada que pode revelar verdades para as quais ele talvez não esteja preparado.

Mouse, câmera, ação!

É difícil um filme que consegue ser tão diferente em termos de produção e ao mesmo tempo interessante aos olhos do público. No caso de “Buscando...”, temos um longa-metragem que é desenvolvido com base nas interfaces digitais. Sim, todo o filme se passa através de conversas na webcam e janelas de conversa no computador.

Só no trailer ou mesmo nessa simples introdução, muita gente é capaz de desistir de sequer dar uma chance ao filme, ainda mais após ter exemplos como “Amizade Desfeita”, que usam esse tipo de recurso e conseguem afastar o público com atuações pouco convincentes. Mas acredite, este não é o caso de “Buscando...”.

O ponto é que o sucesso de um filme depende basicamente de alguns alicerces: direção, roteiro e atuação. Outros aspectos podem até ser importantes num contexto maior, mas é perfeitamente possível ter outros olhares para uma história – até mesmo apelar para uma abordagem pouco convencional com cenas de captura do mundo virtual – e ainda alcançar bons resultados.

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O roteiro começa muito antes do ponto crucial da sinopse, nos mostrando a vida de David Kim em detalhes, para nos conectar ao personagem. Nesse sentido, o script já se mostra profundo em poucos minutos e com a ótima atuação de John Cho, já somos convencidos do potencial do filme.

Para os nerds de plantão ou até mesmo para os saudosistas, “Buscando...” já tem algumas surpresas nos primeiros minutos. Eu acabei vendo esse filme durante uma viagem de avião e, quando as imagens começaram a rolar, acabei tomando um susto, pensando que havia acontecido algum bug no sistema de entretenimento, isso porque tudo começa na Área de Trabalho do Windows XP.

Daqui para frente, tudo que vemos é o cursor do mouse navegando pelos menus e pastas. Aos poucos, o filme começa a se desenrolar através de arquivos de vídeo guardados no PC e logo começamos a entender a história dos personagens. Tudo acontece de forma tão dinâmica, que temos a impressão de estar usando o computador, o que é muito legal, pois é uma experiência inusitada.

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Após algum tempo, os protagonistas envelhecem, o antigo sistema é trocado pelo MacOS, os programas mudam da Microsoft para a Apple, mas a ideia continua a mesma. A alteração aqui se deve claramente à plataforma integrada da Maçã, já que a filha de David usa um iPhone e pode se comunicar com facilidade com seu pai que aparece constantemente na webcam do Mac. Meros detalhes...

Segredos que nos tornam desconhecidos

Voltando ao roteiro, a história se desenvolve de forma inteligente e se aproveita de dois pontos para funcionar de forma convincente: o desconhecimento das plataformas e os problemas de comunicação na vida real. São temas muito atuais e de suma importância, então eis alguns trunfos do filme que, além de entreter, propõe debates.

Uma coisa muito legal desse tipo de filme é a verossimilhança com a realidade, pois boa parte do público realmente desconhece os limites da internet. Então, ter um pai que sequer ter uma conta no Facebook e não faz ideia de como funciona o Tumblr acaba sendo muito útil para mostrar os inúmeros desdobramentos que o roteiro pode ter ao longo de quase 1 hora e 40 minutos de filme.

Da mesma forma, esse mundaréu de sites, redes e opções na web garante uma outra pegada no script: as diferentes personas que construímos na internet. As pessoas perdem a vergonha atrás da tela, falam com pessoas que sequer imaginavam existir e até mesmo começam a desenvolver ideias que jamais teriam no mundo off-line.

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Eis então o segundo tópico importante do filme: esses segredos online que nos afastam das pessoas do mundo real. E aí é que a investigação fica muito mais difícil para David, pois ele sequer conhece os amigos da filha, então além de precisar entender a internet, ele vai precisar ser quase um hacker para descobrir os segredos dela.

Enfim, deixe seus preconceitos de lado com a parte inventiva do filme a embarque nessa misteriosa investigação online, repleta de surpresas e, por incrível que pareça, até de nostalgia. “Buscando...” é uma boa pedida pros fãs de suspense e a jornada vale a pena, afinal, como diria o ditado: os fins justificam os meios.

Fonte das imagens: Divulgação/Sony Pictures

Buscando...

Ninguém desaparece sem deixar um rastro

Diretor: Aneesh Chaganty

Duração: 102min

Estreia: 20 / Set / 2018

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