Crítica do filme Cemitério Maldito (1989)

Stephen King em sua melhor forma

por
Levi Merenciano

03 de Outubro de 2021
Fonte da imagem: Divulgação/Paramount Pictures

Pet Sematary (de 1989) é uma adaptação do romance homônimo de Stephen King, cuja ideia da grafia errada de “Cemetery” conduz a uma lógica brilhante. Apesar do baixo orçamento e da limitação do elenco, o filme ganha pela estória original (sua atmosfera de terror) e pela música da banda The Ramones. Gostaria de saber mais sobre esse clássico do terror dos anos 80?

“Pet sematary”, de 1989, é daqueles filmes cuja temática já nos causa arrepios. Em português, o tema ganha ares mais dramáticos, pois foi traduzido no Brasil como “Cemitério maldito”.

Erro ortográfico na medida certa

O plot já nos assusta: um médico pretende começar uma nova vida em uma cidade rural do Maine, com sua esposa e dois filhos. Em frente a sua residência, há uma estrada perigosíssima, rota de caminhões de carga pesada que cruzam aquele estado norte-americano. Em uma região no meio da mata, um pequeno cemitério de animais, que contém um erro de grafia na sua placa: “Pet sematary”. A genialidade desse erro também nos remete a uma inversão, pois aquele cemitério de animais é uma rota, nas montanhas, para um cemitério indígena, local em que se enterra gente por motivos diferentes.

cemiteriomaldito2 f4906Imagem: Divulgação / Paramount Pictures

A receita está dada: um médico busca uma nova vida, uma criança em perigo, próximos a uma estrada perigosíssima, um cemitério de animais que esconde outro cemitério antigo, com um segredo terrível: quem for enterrado ali, renasce, mas, conforme um signo de morte inverso, ou seja, na condição de ressuscitar com uma alma maligna.

Horror que nos prepara e cria empatia com personagens

O interessante é que isso já prepara o espectador para o pior. Em certo momento, a criança brinca com sua pipa e vai para a rodovia. Aparece um antigo morador da região e salva o garoto de um atropelamento certo. Esse senhor, conhecido da região (interpretado pela melhor atuação do filme, Fred Gwynne, faz amizade com o médico Louis, interpretado por Dale Midkiff.

Em outro momento, o garoto vai para a rodovia novamente e adivinhem: um caminhão o atropela. O mesmo senhor que havia salvado a vida da criança indica um caminho para ressuscitar o garoto. A partir desse mote, podem compreender como o filme se desenrola.

Trilha sonora: “The Ramones” de brinde.

O filme tem uma variedade de personagens e sustos que valem a pena, exatamente por não anunciar quando certas aparições irão acontecer, o que nos causa aquele susto sem anúncio e repentino, mas que se difere do desgastado jump scare. O trecho da música de The Ramones já contém parte do mote “Follow Victor to the secret place” e o convite a essa canção nos desperta vontade de ver o filme

cemiteriomaldito3 f5c01Imagem: Divulgação / Paramount Pictures

Victor é um espírito, deformado, mas bonzinho, grato por Louis fazer de tudo para salvar sua vida quando acidentado. Ele aparece para o médico, para alertá-lo do perigo do cemitério, após a morte do filho de Louis, pois o médico já havia feito um “test drive” no cemitério, enterrando o gatinho morto da família lá, mas o gato retorna completamente mudado, tipo, o capiroto em forma de bichano.

Não dê um bisturi para uma criança.

Já conhecem o dizer? Basta uma proibição para dar ainda mais vontade? Pois é, logicamente, apesar dos avisos de Victor e do gatinho que ressuscitou, o médico Louis enterra seu filho no local, e o resto já sabemos: menino volta malzão, pega um bisturi, e o resto já imaginamos também.

O que Louis fará com o menino e com o rastro de mortos causará um desfecho interessante, pois o filme vai além do terror gráfico, de forma a nos fazer ter pena de alguns personagens e ao final, essa sensação tende a aumentar. Enfim, um filme indicadíssimo para compor a biblioteca dos clássicos de terror, sobretudo, por ser uma estória de Stephen King, o mestre do horror.

cemiteriomalditoposter ea67bImagem: Reprodução / Poster Collector

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Fonte das imagens: Divulgação/Paramount Pictures

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Levi Merenciano

Se eu fosse 10% do Ryan Gosling, tava bom! Levi Henrique Merenciano é linguista e semioticista, aficionado por cinema e games. É dono do canal Cinessemiótica, página especializada em indicação de filmes cults, documentários e lançamentos.