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Crítica do filme Conexão Escobar

Muita astúcia, mas pouca ousadia

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 20 Setembro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Imagem Filmes
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Pablo Escobar foi um dos maiores desgraçados da face do planeta Terra, tendo destruído milhares de vidas e feito uma fortuna ao ser o rei da cocaína por muitos anos.

Não é por acaso que vários diretores e escritores dedicam tempo e recursos para mostrar as peripécias de um canalha que colocou medo em toda uma nação e prejudicou tantas vidas.

É claro que Escobar não agia sozinho. Ele tinha alguns homens de confiança para ajudar a colocar os filhos dos outros nas drogas. O filme “Conexão Escobar” retrata a história real de como um agente do FBI conseguiu a confiança de muitos amigos do colombiano e como foi o esquema para encurralar vários criminosos.

Na película, acompanhamos parte da carreira do agente federal Robert Mazur (Bryan Cranston), que conseguiu se infiltrar no maior cartel de drogas colombiano usando a identidade de Bob Musella, um empresário especializado em lavagem de dinheiro que, neste processo, ficou amigo de Roberto (Benjamin Bratt), um dos braços de Pablo Escobar.

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“Conexão Escobar” é baseado na verdadeira história da batalha de um homem contra o maior cartel de drogas do mundo, a qual foi escrita pelo próprio Robert Mazur. Um filme que impressiona ao mostrar como funcionava parte das alianças e da atuação do grupo que atuava em escala internacional. Merece atenção pelas boas atuações e a trama cheia de surpresas.

O nome é Musella, Bob Musella

Gênio, manjador, corajoso, astuto. Estes são adjetivos que poderiam ser usados para descrever Bryan Cranston, mas também são características do personagem que ele interpreta em “Conexão Escobar”. Se tem uma coisa que dá vida à história dos fatos que estamparam os jornais lá na década de 1980 é a vivacidade com que Cranston interpreta Musella.

O protagonista desta história é sujeito muito familiar, mas que se mostra dedicado a combater a criminalidade. Sempre muito correto, Mazur não é o tipo do cara corruptível, tampouco alguém que fica satisfeito com pouco. Ele sempre mira em coisas grandes e não por acaso ele arquiteta toda uma tramoia para pegar os capangas de Escobar.

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Todavia, é a capacidade de mentir com convicção que garante o sucesso da missão. Após virar Bob Musella, ele leva uma vida de bandido – e até deixa de lado seu lar, já que as relações com os criminosos exigem muita dedicação. Agora, na obra cinematográfica, toda essa teia de mentiras só é possível graças ao talento de Cranston, que nos convence em cada ação.

O Bob Musella de Bryan Cranston é um cara admirável, que finge muito bem cada detalhe, que é boa pinta, que não gagueja, que não pestaneja. Se tem uma coisa que faz este filme andar é o talento deste ator, que acertou novamente ao pegar um personagem que ele é capaz de dominar e nos convencer de que estamos perto dos fatos.

Um mundo não tão perigoso...

Bom, a história de “Conexão Escobar” e os acertos do elenco são características que valem todo o tempo sentado no cinema, mas a experiência poderia ser melhor com um capricho adicional em alguns pontos da execução.

Primeiro, vamos falar de direção. Brad Furman não é um cara com uma carreira expressiva. Ok,  ele já trabalhou com Matthew McConaughey (em "O Poder e a Lei"), Tyrese Gibson e, desta vez, chama o Cranston para sua lista de amigos, mas ter gente top no time não é tudo.

A ação é mantida no freio de mão, derrapando em partes que poderiam ser angustiantes

Para falar bem a verdade, a execução de “Conexão Escobar” não é nada espetacular. A pegada do diretor foge bastante do que esperamos de um filme desse tipo. A direção de Furman cumpre o papel de mostrar a história, mas a simplicidade na execução não garante toda a emoção possível para um roteiro tão cheio de perigo. É só o arroz com feijão mesmo.

Para ser sincero, a falta de explicitude incomoda bastante. Um filme que trata sobre o mundo das drogas e não mostra os reais problemas e perigos acaba sendo bastante simplório. A ação é mantida no freio de mão, derrapando em partes que poderiam deixar a plateia muito angustiada e com medo pelos protagonistas.

Tirando uma ou outra cena, o filme se mantém mais na defensiva do que na linha de frente, onde realmente mora o perigo. Tudo bem, a história real pode ter tido muitos acontecimentos nos bastidores, mas o roteiro poderia reverter as cenas mais violentas ao entregar um pouco mais de ousadia.

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Felizmente, há algum capricho em outras partes, como figurino, trilha sonora, elenco de apoio e fotografia. As cenas com os figurões do crime são ótimas, com muito clima de tensão e boa resolução de diálogos. Aí é que atores como Benjamin Bratt em trajes muito finos acabam marcando boa presença. Algum tom de comédia com John Leguizamo também deixa a trama mais leve, o que é bem interessante num roteiro denso.

Enfim, "Conexão Escobar" não é um blockbuster, não tem efeitos especiais de deixar impressionado, então não espere muita coisa inovadora. O filme é pé no chão e apresenta o que tem de apresentar, mas certamente poderia ficar mais envolvente e agitado. De qualquer forma, uma boa pedida para as telonas!

Fonte das imagens: Divulgação/Imagem Filmes

Conexão Escobar

A história de um homem contra o maior cartel de drogas do mundo

Diretor: Brad Furman
Duração: 127 min
Estreia: 15 / Set / 2016

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