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Crítica do filme Contato

Uma Gota de Esperança no Oceano Cósmico

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 09 Fevereiro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Eu já comentei aqui no site que gosto muito de filmes de ficção científica. Na verdade, eu adoro obras que retratam o espaço e as chances remotas de que há vida fora da Terra, afinal, eu ainda quero acreditar.

O lonta-metragem “Contato” estava na minha lista faz um bocado de tempo (digamos que desde que foi lançado), mas por diversas circunstâncias — talvez alguma conspiração do governo que tenta nos esconder a verdade — eu ainda não tinha tido a oportunidade de apreciar a obra de Robert Zemeckis (que foi lançada em 1997) do começo ao fim.

Bom, o dia chegou e fiquei abismado com o tanto de coisa boa que tem no filme. A história gira em torno de Ellie, uma mulher que desde pequenininha tinha o mesmo sonho que eu: encontrar algo além de nosso planeta. Com essa fixação em mente, ela cresceu e virou a Dra. Eleanor Arroway, uma cientista do SETI.

Depois de muito observar e ouvir as estrelas, Ellie (Jodie Foster) encontra fortes evidências de há vida fora da Terra, quando ela descob riu um sinal de áudio vindo da estrela Vega. A descoberta poderia ser genial, só que ela vai ter de lutar contra o governo, fanáticos religiosos e até outros cientistas para convencer a todos de que é necessário fazer contato.

Produção de outro mundo

Para começo de conversa, esta obra cinematográfica baseada no livro homônimo de Carl Sagan acerta em cheio na questão de observação espacial e de toda a problemática que aconteceria no caso de uma descoberta de tamanhas proporções. O filme retrata bem os tantos esforços que fazemos para tentar encontrar vida além da Terra.

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Com nossas tecnologias limitadas e mesmo sem qualquer tipo de aparato, ficamos observando as estrelas e tentando encontrar o propósito disso tudo. Como o pai de Ellie comenta: “se formos só nós, seria um grande desperdício de espaço”. Essa abordagem do filme é muito bacana, pois deixa os aficionados pelo espaço muito empolgados.

As primeiras surpresas vêm justamente com as primeiras mensagens. Não vou nem comentar o que os nossos amigos ETs encaminharam nos anexos, mas assista que você entenderá porque esta obra é tão aclamada por apaixonados pelo gênero… É quase que um “Interestelar” de 1997.

Uma das coisas mais geniais do filme é a própria direção, que conduz o roteiro de forma atraente. Antes de assumir a responsabilidade em “Contato”, Robert Zemeckis já havia provado sua capacidade em grandes títulos como “De Volta Para o Futuro” e “Forrest Gump”, mas aqui ele mostra novos truques, como é o caso da cena do espelho (abaixo).

Com o perdão da piada, mas, no vasto elenco de estrelas, certamente Jodie Foster brilha muito e chama atenção com uma presença marcante. Sua personagem pode parecer até “fora da casinha” num primeiro momento, porém a paixão que ela demonstra pelo assunto acaba nos levando a embarcar junto nesta jornada.

A trilha sonora também desempenha papel importante na trama, entrelaçando grandes conflitos e sequências belíssimas. As músicas são bem características para este tipo de filme e me lembram muito os sons que embalaram a série “Taken”, de Steven Spielberg.

Um pouco enrolado e muito religioso

Sinceramente, para um longa-metragem que pretende levar o espectador a uma experiência inacreditável, “Contato” acaba sendo muito pé no chão, de verdade mesmo, não tem muita coisa do espaço aqui. O enredo se enrola até resolver as questões terrestres e, quando finalmente decola, acaba não tendo muito combustível para explorar o inimaginável.

Ao mesmo tempo em que o roteiro adaptado consegue achar seu lugar ao sol, ele acaba pecando na parte da argumentação (justamente essa enrolação que citei acima), quando rola as discussões sobre religião e todo o envolvimento do governo.

Ok, a gente sabe que os parentes do Tio Sam controlam muito disso, mas, na vida real, muita coisa é deixado para os órgãos competentes. Aqui, parece que alguns clichês tomam as rédeas para fazer a gente ficar preocupado com o futuro da exploração espacial e até mesmo para tentar jogar o espectador contra a ciência.

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Pode até ser que um evento raríssimo desse naipe até levasse a tais patamares, onde teríamos um confronto entre religião e ciência, mas é muito pouco provável e totalmente desnecessário para um filme de ficção que poderia ter gasto seu tempo mostrando coisas bem mais legais — afinal, o universo é gigante e as opções de exploração também.

Mesmo com alguns tropeços antes de decolar para o momento tão aguardado, “Contato” acaba conquistando o espectador com algumas boas surpresas. É o tipo de ficção que nos leva a ter esperanças, que nos deixa curiosos para descobrir o que está lá fora.

(Parênteses: comentário maluco do editor)

É legal perceber que “Contato” é tipo um precursor de “Interestelar”. Se você for ver bem, Matthew McConaughey está aqui todo lindo e charmoso só observando esse primeiro contato e, por um acaso do destino (me engana que eu gosto), ele foi o escolhido para a viagem de Christopher Nolan.

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O que dá pra concluir disso aí? Óbvio: esses dois filmes foram mesmo gravados, em parte, fora do Sistema Solar e McConaughey, que já tinha experiência no assunto, acabou deixando seus filhos (que talvez eram filhos também da Jodie Foster) na Terra enquanto aproveitava seu cruzeiro. Nossa, como sou inteligente.

Enfim, assistam aos dois filmes que vale a pena.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Contato

Confira o trailer deste filme dirigido por Robert Zemeckis

Diretor: Robert Zemeckis
Duração: 150 min
Estreia: 19 / Set / 1997

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