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Crítica do filme De Amor e Trevas

Apenas poesia não basta

Douglas Ciriaco

por
Douglas Ciriaco

Sábado, 07 Maio 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Fênix Filmes
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Para sua estreia na direção de um longa, a israelense Natalie Portman escolhe contar uma história de sua terra natal. Mais precisamente, ela leva ao cinema, como diretora e roteirista, o romance autobiográfico escrito por Amos Oz, o maior autor israelense da atualidade e notório tanto por seus escritos quanto por seu ativismo em prol de uma solução pacífica para o conflito ente Israel e Palestina.

"De Amor e Trevas" gira em torno de Amos (Amir Tessler), então com 12 anos e criado em uma família repleta de amor, carinho e gosto pela poesia. Desde muito jovem, o pequeno Amos demonstra um grande interesse pelos versos e pelas histórias que a sua mãe Fania (Portman) lhe conta, fio contudor da imaginação do garoto durante todo filme. Porém, após a morte de uma amiga, sua mãe entra em uma espiral depressiva sem volta e que causa marcas profundas no jovem judeu.

A tônica de De Amor e Trevas é a poesia. Ele consegue retratar bem o apreço e a ligação que o povo judeu tem com seu idioma e com as suas palavras, oferecendo diversas reflexões muitíssimo interessantes a respeito da vida e do conflito entre israelenses e palestinos.

A perspectiva histórica de que tanto judeus quanto árabes foram vítimas da sanha europeia aparece ali, culminando na reflexão feita por Amos, o narrador de suas memórias, de que nem sempre filhos de um mesmo pai abusivo conseguem agir como irmãos. A poética funciona basicamente como a argamassa que dá liga ao filme, mas peca ao não conseguir criar uma atmosfera capaz de prender a atenção do espectador.

De Amor e Trevas

O filme acaba sendo cansativo e arrastado, mesmo com apenas cerca de 1h30 de duração. A estreia de Natalie Portman na direção deixa a impressão de que ainda falta um pouco de vivência por trás das câmeras para que uma das atrizes mais celebradas de sua geração, vencedora de Oscar, possa dar passos mais firmes na direção. O roteiro do filme também peca um pouco pela confusão, por ensaiar voos mais altos sem de fato realizá-los, deixando um gosto de frustração ao final da película.

Enfim, com bons momentos e algumas linhas de texto marcantes, o grande trunfo de De Amor e Trevas fica por conta do destaque dado à relação entre Amos e sua mãe. A relação entre as utopias e o sentimento de anticlímax que vem no dia seguinte de um grande sonho realizado também é um ponto alto do filme. No geral, porém, o sentimento é de que esta foi uma boa história contada de um jeito problemático.

Fonte das imagens: Divulgação/Fênix Filmes

De Amor e Trevas

Sofrimento e sobrevivência em família

Diretor: Natalie Portman
Duração: 98 min
Estreia: 5 / Mai / 2016

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Douglas Ciriaco

Cê tá pensando que eu sou lóki, bicho?

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