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Crítica do filme Deuses do Egito

Deuses no comando

Lu Belin

por
Lu Belin

Quarta, 24 Fevereiro 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Quando saiu o trailer de "Deuses do Egito", pensei que era provável que esse filme não fosse muito bom. Tenho que dizer que me surpreendi, porque ele conseguiu ser ainda um pouco pior do que eu estava esperando. 

Atuações medíocres, personagens fracos e um roteiro que teria que se esforçar um pouco pra ser mais óbvio. Mas calma, a gente já chega nisso. "Deuses do Egito" tem direção de Alex Proyas (que já tinha feito "Presságio", com Nicholas Cage, além de assinar "Eu, Robô") e conta a história de Bek (Brenton Thwaites), um ousado e alegre batedor de carteiras da antiguidade que vive em uma época em que os mortais estão em ~harmonia~ com os deuses. 

O rei do Egito é então o deus Osiris, que há um tempo governa a região de maneira pacífica e sensata. Quando ele decide passar o bastão para o filho Horus (Nikolaj Coster-Waldau), acaba impedido pelo próprio irmão, o deus Set (Gerard Butler), o qual decide que agora é a vez dele de brincar de rei. 

Deuses do Egito

O roteiro até que não é dos piores, embora não seja nada original. Aquela coisa do irmão rejeitado que se volta contra tudo e contra todos pra mostrar que também pode ser fodão - e aí não se importa em, de quebra, levar o mundo inteiro pro buraco. Afinal, vingança é mais importante, né, mores. 

Não faz muito sentido, no entanto, que ele queira fazer isso quando está todo o reino de mortais e toda a legião de deuses e forças poderosas reunida no mesmo lugar para a coroação do novo rei. Se organizasse direitinho essa galera, já sabem, né? Isso mesmo, eles certamente derrotariam o deus Set e aí não teria esse filme. Os responsáveis por essa lambança são os roteiristas Matt Sazama e Burk Sharpless, que já trabalharam juntos em "O Último Caçador de Bruxas" e Drácula: A História Nunca Contada.

A saga do herói Deus

Nikolaj Coster Waldau já deve estar se especializando em fazer papéis nos quais perde um pedaço do corpo. Depois do handless Jamie Lannister, da aclamada série da HBO "Game of Thrones", ele agora tem os olhos arrancados no papel de Horus. Essa parte dos olhos, poderia ter sido um diferencial bacana do roteiro, mas que não foi muito bem aproveitada.

Quanto à atuação do Nikolaj, bem, quando você compara as performances de um mesmo profissional em diferentes produções é que consegue perceber a importância da sintonia com os outros nomes do elenco e o olhar do diretor sobre a cena.

Deuses do Egito

Nikolaj não é exatamente um grande nome do cinema dos tempos atuais, tem um monte de gente bem melhor do que ele por aí. Mas em Game of Thrones ele é bem mais mais esforçado e detalhista na atuação. Tudo bem que o personagem não ajuda. Horus é um deus preguiçosão e um tanto quanto filhinho de papai que nunca teve motivos para se esforçar muito, mas que agora tem que enfrentar ninguém menos que o cara mais poderoso do momento – que calha de ser o tio do protagonista, o que aumenta a pressão psicológica, claro. 

Inclusive isso é outra coisa que me chamou um pouco a atenção: as idades não muito adequadas. Quando é que o Gerard Butler tem cara de tio do Nikolaj Coster Waldau? Não que eu ache que tenha sido essa a intenção, mas parabéns aí à galera do casting pela família diversa e pouco convencional. 

Gerard Butler, por sua vez, é a prova de que um rostinho bonito não é suficiente. A entrada dele no filme é legal, mas depois disso não evolui muito. Os personagens mais interessantes acabam sendo o próprio Bek de Brenton Thwaites, o Thoth, de Chadwick Boseman, e a Elodie Yung como Hathor, a Deusa do Amor.

Deusa do Egito

Já que os atores não se destacam, a aposta de produções como esta normalmente fica no combo diversão + explosão. "Deuses do Egito" até tenta, mas não engrena, nesse ponto. Poucas das piadinhas têm graça de fato e os personagens parecem estar se esforçando demais para serem engraçados. Mas, quando nem o protagonista nem o vilão convencem, fica difícil de sair do lugar. 

Cuidados de produção 

"Deuses do Egito" é muito mais bem produzido do que dirigido e roteirizado. Se há um ponto positivo que mereça ser destacado no longa, são os efeitos especiais. Os fãs de cenas de ação, disputas no braço e bichos gigantes se enfrentando com cenários bacanas podem até achar esse um filme interessante.

A caracterização dos personagens, figurino e maquiagem são bacanas e a trilha sonora dá conta do recado, embora nada se sobressaia como um grande diferencial. Talvez as criaturas mágicas sejam outro acerto do longa, que traz várias delas em diversas performances imponentes - achei a esfinge especialmente interessante. É uma pena, no entanto, todo o resto seja tão frágil. 

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Deuses do Egito

Baseada na mitologia egípcia, a trama acompanha um herói inesperado que surge quando a humanidade

Diretor: Alex Proyas

Duração: 127 min

Estreia: 25 / Fev / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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