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Crítica do filme Duas Rainhas

Uma rainha... A outra nadinha...

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Sexta, 05 Abril 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures
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Por mais que a disciplina de história tente ensinar uma grande gama de assuntos sobre os mais variados períodos e personagens, há temas que são abordados de forma muito superficial e outros sequer temos uma noção básica. Isto é perfeitamente normal, pois não há como lecionar as minúcias de todas as situações, principalmente quando se trata de algo superficial para a construção de uma visão mais ampla de mundo.

Assim, é possível que você tenha ouvido falar sobre a Rainha Elizabeth I da Inglaterra, mas talvez você não saiba a razão pela qual o sucessor do trono foi James I, que era, na verdade, filho da Rainha Mary da Escócia – algo incomum para a época. A verdade é que o Reino Unido tem uma longa história e seria difícil abordar os pormenores da região no período escolar.

Dessa forma, vez ou outra, algum autor publica uma obra (que obviamente depois vira um filme) para fazer uma retratação, principalmente no sentido de revelar a verdade ao público. Justamente pela superficialidade, muitas vezes, as pessoas podem ter impressões errôneas e não dar o devido reconhecimento a grandes nomes da história, como é o caso da protagonista de “Duas Rainhas”.

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Aqui, acompanhamos a história de Mary Stuart (Saoirse Ronan), que no Brasil ficou conhecida como Maria – é pra acabar traduzir nome de rainha hein?! Ela era da família real escocesa, mas foi à França casar com Francis II. Com a morte prematura do rei, ela reassume o trono da Escócia, mas sua intenção era derrubar a Rainha Elizabeth I (Margot Robbie) e assumir a Inglaterra. E aí começa o jogo dos tronos do Reino Unido.

Uma mulher à frente de seu tempo

Bom, antes de entrar nos detalhes da trama, eu acho importantíssimo já comentar que a tradução do nome do filme para o Brasil ficou simplesmente péssima. A ideia de querer vender o longa-metragem como um título que visa mostrar as “Duas Rainhas” é deveras cretina, uma vez que o título original dá total atenção à Mary, que é de fato a protagonista da história e a personagem que se destacou historicamente.

Pontuado isso, vamos ao que importa: Mary! Senhoras e senhores, o que dizer de uma personagem tão empoderada e ousada? Sim, é claro que adaptações tem um bocado de fantasia e exagero, mas a base da história de “Duas Rainhas” nos permite perceber a ousadia de Mary, principalmente numa época em que muitas figuras femininas na corte tinham papéis decorativos e muitas vezes não tomava ações.

Com uma personalidade forte e uma presença marcante, Mary rouba a cena em todas as situações e faz todos os homens se dobrarem aos seus pés – algo inimaginável para a época, sendo a fagulha necessária para os inúmeros desentendimentos ao longo da trama. É simplesmente impagável ver os religiosos da época e grandes políticos tendo que engolir o poder de Mary, algo possível aqui graças a atuação magistral de Ronan.

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A atriz de Ladybird abre suas asas em novos ventos ao explorar uma personagem mais árdua do que uma jovem em conflito. Com sutileza, Saoirse Ronan nos mostra os entraves de governar em meio a tantos traidores. Ela tem um toque sutil para mostrar a elegância de uma rainha quando necessário, mas também mostra sua acidez e coragem até mesmo em batalhas. Realmente surpreende!

Nada de novo no reino...

Apesar da trama bem montada e dos personagens desenvolvidos com cautela, o filme “Duas Rainhas” não deve surpreender àqueles que já têm uma mera noção de mundo. Basicamente, temos as mesmas rixas até hoje: religião tentando disputar espaço em meio a política. Por se tratar de um filme de época, a gente só acompanha tudo de forma natural, já que ali a confusão entre protestantes e católicos estava em seu auge.

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Obviamente, não havia como fugir disso, já que se trata de um retrato histórico, então é gratificante ver que o filme aposta em algumas cenas que fogem disso, abordando até algumas batalhas e cenas mais picantes na realeza – afinal, mostrar esse lado mais safado também pode ajudar a deixar a trama mais suave, já que a plateia pode se entediar facilmente com os longos debates nos corredores dos castelos.

Por conta dessas características, o roteiro de “Duas Rainhas” acaba fluindo de forma muito natural, sendo que a primeira metade do filme passa num piscar de olhos. A segunda parte sofre por ter que fechar algumas lacunas, mas o ritmo não se perde, graças a alguns fatores que são apresentados de surpresa. As traições, as fofocas e os personagens frouxos ajudam muito a manter o interesse do público.

Eu só fiquei impressionado como a Rainha Elizabeth realmente não tem vez na trama. E tudo bem que isso pode ser parte da intenção ou mesmo de uma aproximação da realidade, mas são pesos bem distintos entre as duas personagens. E não que a atriz Margot Robbie não se destaque, pelo contrário, ela é quem consegue extrair toda a dramaticidade de uma rainha que se vê inferior e que não sabe governar.

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Aliás, importante mencionar alguns aspectos do filme: maquiagem e figurino (esses dois primeiros foram inclusive os pontos que colocaram a obra na corrida do Oscar 2019). Sério, Robbie está simplesmente irreconhecível, enquanto Ronan esbanja presença por sua personagem impecável. Além disso, fotografia e trilha sonora também se destacam, num conjunto magnífico!

Se você busca um filme completo pra ver na telona e quer fugir do tradicional, “Duas Rainhas” é a pedida perfeita. Ideal para aprender mais sobre o mundo, apreciar bons dramas e admirar a força de uma mulher que marcou a história!

Fonte das imagens: Divulgação/Universal Pictures

Duas Rainhas (2018)

Nascida para lutar!

Diretor: Beau Willimon

Duração: min

Estreia: 4 / Abr / 2019

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