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Crítica do filme Dunkirk

Todos são coadjuvantes na guerra

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 31 de Julho de 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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Finalmente, o grande dia chegou. O tão aguardado dia de Dunkirk. Um dia de guerra, um dia de luta e, talvez, um dia de glória. Esta é a proposta da nova obra de Christopher Nolan.

Baseado em eventos históricos, o filme escrito e dirigido pelo homem que levou o cinema a um novo patamar é protagonizado por inúmeros guerreiros em terra, céu e mar.

O cenário são as praias de Dunkirk, uma cidade francesa, que foi palco de um episódio bastante tenso para as forças armadas britânicas e francesas durante a Segunda Guerra Mundial. Ali, quase 400 mil homens foram encurralados pelos alemães, que cercaram o local e impediram a fuga dos soldados.

Com base nos poucos dias de combate nesta região, Nolan leva o público para conferir de perto a agonia dos soldados que estavam ali no aguardo do resgaste, mais ou menos como se fosse “O resgate dos 400 mil soldados Ryans britânicos”. A partir de inúmeros pontos de vista, o diretor nos coloca para conferir o caos e a tensão à beira da aniquilação.

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Particularmente, já posso adiantar que, ao contrário de minhas expectativas e do que muitos sugerem por aí, este não é nem de longe o melhor filme de Christopher Nolan. Há inúmeros acertos nesta guerra de muitas facetas, porém alguns conflitos entre roteiro e direção deixam a coisa toda um tanto repetitiva e pouco funcional.

Uma bagunça cheia de elegância

Filmes de guerra são propícios para mostrar a burrice humana de vários ângulos. Nesse ponto, o longa-metragem de Nolan se faz muito inteligente ao conseguir demonstrar as tantas ideias torpes, os heroísmos desnecessários, os tropeços em meio aos conflitos, as mancadas de cada soldado e as surpresas do destino.

Fica bem claro que o homem da caneta fez um ótimo trabalho na escrita ao ligar uma série de história paralelas, sendo ainda mais admirável perceber sua audácia ao amarrar três tempos diferentes, três óticas distintas e inúmeros protagonistas com pesos bastantes proporcionais. Todavia, são tantos detalhes, que todos viram apenas coadjuvantes.

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O maior desafio, no entanto, é conseguir aliar roteiro e direção de forma inteligível. A missão é árdua, mas Nolan obtém sucesso na maior parte do tempo. Ocorre que a construção de forma não-linear pode dificultar compreensão do todo. Talvez esta era a melhor — se não a única — maneira impactante e coerente de fazê-lo, mas inconsistências e repetições podem aparecer.

Agora, se por um lado há alguma dificuldade ao transportar alguns fatos do texto para a tela, a apresentação de cada cena se dá de forma majestosa. É verdade que não há nada de bonito a ser retratado, não há como romantizar tamanha desgraça, mas é claro que existem formas de apresentar uma crise de maneira intensa e profunda.

Agoniante do começo ao fim

Novamente, o cineasta que já nos brindou com cenas impossíveis em “A Origem” ou “Interestelar” revela seu brilhantismo ao mergulhar de cabeça nas ondas do mar agitado em meio à guerra. Dos rasantes dos aviões, passando por situações apertadas no interior das embarcações até chegar ao caos da praia, temos abordagens muito impactantes da guerra.

O uso de ângulos ousados para captar a angústia, o desespero, o medo e a bravura dos soldados em diferentes posições no campo de combate é algo que faz deste ser um verdadeiro filme de Christopher Nolan. O diretor é ousado em toda e qualquer abordagem e vai além ao capturar sequências incessantes na ação e na tensão.

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Claro, parte do mérito de “Dunkirk” se deve ao time já carimbado das produções da Syncopy. Volta aqui o diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema, que dá seu toque com a escolha de paisagens que deixam a película muito mais chamativa. A edição de Lee Smith também não fica por menos, numa composição que dá o tom perfeito para a guerra.

No meio de todo o caos, temos o time de astros composto por Tom Hardy, Cillian Murphy, Mark Rylance, Kenneth Branagh, Harry Styles e, claro, grande elenco. É tanta gente famosa, tão bem entrosada e tão coerente nos papéis, que ficamos boquiabertos em cada diálogo e cada nova virada na batalha. Curiosamente, o grande destaque talvez fique para Harry Styles... pois é, quem diria que o rapaz do One Direction seria tão incrível!?

Todavia, em meio a tantos coadjuvantes, há uma protagonista que explode em toda e qualquer oportunidade: a trilha absurda de Hans Zimmer. É como se o longa-metragem fosse arrastado pela sonoridade. A agonia por trás de cada ocasião perigosa se deve principalmente a este gênio e suas composições magníficas.

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Cada tique do relógio é uma sensação mais profunda e intensa do que pode acontecer nos próximos segundos. As músicas são constantes e crescentes, mais ou menos o que ele já fez lá no passado com o tema do Corina, mas aqui de uma forma ainda mais variada e audaciosa. Não é de se duvidar que Zimmer tenha mais alguns prêmios na prateleira em breve.

Bom, pontuado tudo isso, a meu ver, Christopher Nolan não leva sua carreira além com esta obra, aliás, eu até diria que este é um título que soa mais como um coadjuvante perto de outros projetos geniais já apresentados. Contudo, apesar de este não ser o melhor filme de guerra, ele certamente é um dos mais angustiantes. Uma experiência forte para a telona.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Dunkirk

A sobrevivência é uma vitória!

Diretor: Christopher Nolan

Duração: 106 min

Estreia: 27 / Jul / 2017

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