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Crítica do filme Entre Realidades

É melhor ver um filme da Prime Video!

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 04 Março 2020
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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Não é de hoje que eu comento aqui no site sobre a qualidade um tanto duvidosa dos filmes “originais” da Netflix. A gigante do streaming parece se esforçar bastante para agradar a todos os públicos, mas a verdade é que muitos desses títulos exclusivos não são idealizados por uma equipe criativa da Netflix ou por um estúdio próprio.

Muitos títulos com o ícone do serviço são produzidos por estúdios terceiros, de modo que a Netflix apenas garante a exclusividade de transmissão, sendo que, muitas vezes, este nem é um contrato vitalício ou exclusivo para todos os meios (então sim, alguns filmes ou séries podem ser vendidos em mídias físicas, por exemplo).

Dito isso, chegamos à obra “Entre Realidades”, estrelado por Alison Brie, que por sinal também assina o roteiro junto ao diretor Jeff Baena. O ponto é que o marketing dos filmes é sempre bem pensado, sendo que você talvez tenha caído no famoso conto do trailer mágico – que dá a impressão de uma coisa, quando na verdade o filme vai para outro caminho.

E para quem ainda não caiu na pegadinha, vale a introdução sobre a proposta. Aqui, acompanhamos Sarah (Alison Brie), uma jovem que trabalha numa loja de produtos têxteis e que divide seu tempo ocioso entre séries policiais e o hobby de hipismo (daí o título original: “Horse Girl” ou “A Garota do Cavalo”). Antissocial, ela vê sua vida tomar um rumo inesperado quando seus sonhos passam a colocar em dúvida a sua realidade.

Antes de continuar falando sobre o filme, uma pausa importante para comentar sobre as ótimas adaptações de títulos cinematográficos no Brasil. Vamos combinar que “Entre Realidades” é um nome excelente comparado com “A Garota do Cavalo” (absolutamente ninguém ia querer ver um filme com esse nome). Okay, parênteses feito, voltemos ao rumo do porquê você não deve gastar seu tempo com esse filme.

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A ideia de “Entre Realidades” não é de toda ruim, aliás é algo até original de certa forma (e não digo totalmente novo, pois quase nada é inédito hoje e temos vários filmes que misturam sonhos e realidade). O problema é que o filme fica patinando no mesmo lugar, não se explica e provavelmente não vai ter toda a emoção que você imagina ao tomar o trailer como prévia.

O bizarro está na moda?

Antes de continuar “descendo a lenha” no filme, eu acho válido uma pausa pra pontuar duas coisas: a produção e a atuação. Sobre a questão de qualidade técnica, não dá para negar que “Entre Realidades” tem seu valor. É um filme que consegue criar seu próprio mundo e fantasiar possíveis conexões num multiverso.

A direção não tem nada de extraordinário, mas a obra tem seus truques para fazer a gente, no mínimo, ficar satisfeito com o mundo dos sonhos da Sarah. Da mesma forma, nada tenho a reclamar sobre a ambientação, que entrega um mínimo necessário de coerência. Digamos que os caras fizeram o dever de casa, não é um filme mal feito ou ruim por sua produção.

O ponto mais controverso é a atuação, não que Brie ou os demais coadjuvantes não façam um bom trabalho, mas eu apenas me questiono o porquê dessa moda de pessoas tão esquisitas. Aí não sabemos se os personagens deveriam ser tão bizarros ou se os atores é que fizeram essa transformação.

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Seja qual for a resposta, eu penso que representatividade é importante, mas eu não sei mesmo o quanto pessoas tão diferentes conseguem prender a atenção do público. Talvez seja esse misto de bizarrice e falta de rumo que faz “Entre Realidades” causar um desconforto e não ser tão bom quanto o trailer promete.

Entre plataformas de Streamings

Sabe aquele episódio do Chaves que a turminha vai ao cinema e no meio de tantas frases, do nada, o Chaves solta que “seria melhor ter ido ver o filme do Pelé”? Então, o ponto de eu ter colocado no título dessa crítica que é melhor você ver um filme da Prime Video é justamente para enfatizar o quanto a gente revira os olhos com o grande nada mostrado no filme e que dá vontade de sair do app e abrir o da Amazon.

E o problema de “Entre Realidades” nem é a premissa ou o início do filme. Apresentação de personagens e conceitos até merecem algum crédito, mas a forma como o roteiro conduz as explicações e não consegue chegar a lugar algum além de ser um punhado de cenas aleatórias é o que certamente vai incomodar o público.

Ao menos, esse amontoado de bizarrice até certo ponto (digamos que até metade do filme) serve pra gente dar risadas, de tão inusitado que as coisas vão ficando. E olha, alguns poderiam alegar que se trata de um conceito inovador, apelar para desculpas de que estamos tratando de arte abstrata ou qualquer outro argumento esdrúxulo, mas, no fim, o filme só não tem um rumo mesmo.

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E, tudo bem, os mais filosóficos podem chegar ao ultimato de refletir sobre a realidade e o mundo dos sonhos, mas a conexão de ideias apresentadas em “Entre Realidades” é muito fraca e talvez você só passe raiva mesmo – ainda mais que o filme se arrasta e parece que nunca acaba e pior: quando acaba, parece que ainda está no começo, porque não foi a lugar algum. Moral da história: veja um filme da Prime Video mesmo!

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

Entre Realidades

Despertando para vida

Diretor: Jeff Baena
Duração: 104 min
Estreia: 7 / Fev / 2020

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