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Critica do filme Halloween (2018)

Chegou a hora de encarar o destino

Carlos Augusto Ferraro

por
Carlos Augusto Ferraro

Quinta, 18 Outubro 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Universal Pictures
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Todos receberam a notícia de que a Blumhouse estava trabalhando em uma nova edição da franquia Halloween com muita alegria. A produtora que criou um “império do terror" prova constantemente que realmente entede do assunto e a ideia de trazer um clássico como Halloween, A Noite do Terror poderia ser uma ótima oportunidade para uma nova geração de fãs entenderem o apelo da obra de John Carpenter.

Conforme detalhes da produção foram emergindo a expectativa foi aumentando. Primeiro a confirmação de que John Carpenter estaria diretamente envolvido — como compositor, produtor-executivo e consultor criativo. Depois veio a revelação de que Jamie Lee Curtis e Nick Castle voltariam para seus papéis como Laurie Strode e Michael Myers. Por fim a informação de que não se trataria de outra refilmagem, mas de uma sequência direta do filme original, desconsiderando totalmente a dezena de títulos subsequentes que o seguiram ao longo dos últimos 40 anos.

A produção certamente chamou a atenção dos fãs, mas será que o produto final realmente alcançou toda a expectativa? A resposta é não, o que não significa dizer que o novo Halloween é um filme ruim, mas o prisma nostálgico e a falta de inovação não atingem os anseios da maioria dos fãs (ou, pelo menos, os meus) que esperavam um retorno triunfal de uma das maiores Scream Queens do cinema e seu perseguidor implacável.

Enterrando o passado

Halloween (2018) e uma continuação direta do filme original, lá de 1978,  e comeca depois dos eventos da fatídica noite de terror em que Michael Myers saiu em um rompante homicida. Dezesseis anos se passaram e com o maníaco preso em uma instituição mental, uma equipe britânica de documentaristas vem aos Estados Unidos para gravar seu podcast em uma série de reportagens sobre Michael Myers e suas vítimas.

Depois de um encontro pouco produtivo com Myers e seu novo psiquiatra, Dr. Sartain (Haluk Bilginer) — que assumiu os cuidados de Michael depois da morte do Dr. Loomis — a dupla resolve entrevistar o outro lado dessa psicose, Laurie Strode (Jamie Lee Curtis). Depois de sobreviver ao ataque, a garota desenvolveu uma paranoia que obviamente afetou, e ainda afeta, toda e qualquer forma de relacionamento, especialmente com sua filha Karen (Judy Greer) e neta Allyson (Andi Matichak). Reclusa, Laurie treina e prepara a sua casamata na qual espera sempre alerta por um eventual retorno de seu atormentador.

Como era de se esperar, bem a tempo da noite do Dia das Bruxas, Michael Myers escapa da prisão e retoma seu caminho de sangue até Laurie, deixando uma boa quantidade de corpos pelo caminho. Agora, Laurie e sua família tem que encarar o seu maior medo, o retorno do bicho-papão em pessoa, Michael Myers, o monolítico psicopata silencioso com a sua máscara inexpressiva de William Shatner.

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Enterrados no passado

O roteiro de Jeff Fradley, Danny McBride e David Gordon Green (que também assina a direção) não é nenhuma pérola do cinema de terror, mas passa longe de ser um fracasso total. Na verdade, ao longo da primeira meia hora, o filme entrega vários conceitos interessantes que por si só já renderiam histórias inteligentes.

Um bom exemplo é a forma como a violência da noite de terror afetou os envolvidos, notadamente vítima e agressor. As feridas de Laurie são muito mais profundas do que cortes e hematomas e a própria ideia de que, para os padrões atuais, Michael Myers não parece tão chocante — como um dos personagens filme propõem.

Afinal, cinco mortes não soam tão horripilantes para jovens millenials que convivem com notícias de seus próprios colegas armados invadindo salas de aula e fuzilando dezenas de crianças de uma só vez. Os tempos mudaram, a violência mudou. Como a “maldade” inerente de Myers é discutida nesse cenário? Qual é a verdadeira motivação de Myers?

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O grande problema do roteiro escrito pelo trio é que todas essas ideias, e outras, não são nem um pouco exploradas. O filme não define qual é o seu verdadeiro foco, trocando entre Laurie e Myers e não se aprofundando em nenhum. Qualquer discussão sobre o próprio gênero slasher é evadida com algumas mortes gráficas ou um momento de drama familiar mal encaixado. O relacionamento de Laurie com sua filha, neta e o próprio Michael Myers é uma discussão realmente interessante que é sumariamente jogada de lado.

De positivo, o momento de empoderamento intergeracional feminino, colocando mãe, filha e neta juntas para superar um terror do passado. No fim, não há nada de novo no fronte, Halloween (2018) tem algumas boas ideias, mas se quer se dá ao trabalho de explorar elas. Uma pena haja vista que tecnicamente, a direção de David Gordon Green traz alguns elementos muito interessantes na fotografia, no ritmo (obviamente inspirado no estilo de Carpenter) e especialmente no plano sequência que acompanha um dos ataques de Michael.

Outro ponto excepcional do filme é a trilha sonora. Como dito anteriormente, o próprio John Carpenter, ao lado de seu filho, Cody Carpenter e de Daniel Davies, trazem todos os sons que marcaram a franquia. Combinando novos arranjos, amplificando velhas partituras e criando algo singular. Os sintetizadores literalmente ditam o tom do filme.

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Desenterrando

Longe de ser a prior iteração da franquia, Halloween (2018) é um filme mediano que não alcança todo seu potencial. Dentro dos slasher é uma adição interessante, mas que não é suficientemente assustador, enérgico ou, até mesmo, engraçado.

Fica evidente a necessidade de se reinventar essas franquias, simplesmente mostrar psicopatas esquartejando vítimas não é suficiente para prender a atenção do espectador. Alguns sustos são sempre bem vindos, mas mesmo em um gênero tão visceral quanto o slasher é preciso explorar novas ideais. Todas as histórias já foram contadas, basta encontrarmos novas maneiras de contá-las.

Halloween (2018) enterra o passado sem causar traumas ou lamúrias

Se você é um fã ardoroso e espera algo tão impactante quanto o original certamente sairá do cinema decepcionado. Todavia, o que é apresentado uma espécie de enterro honroso para uma das maiores franquias de terror do cinema. Obviamente ainda vamos ver alguma outra forma de iteração da série Halloween, mas esse filme consegue deixar o passado para trás sem causar indignação nos fãs da velha-guarda, ao mesmo tempo em que abre caminho para reinvenções. 

Fonte das imagens: Divulgação/Universal Pictures

Halloween (2018)

Adivinhe quem vem para matar?

Diretor: David Gordon Green

Duração: min

Estreia: 25 / Out / 2018

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