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Crítica Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Explorando o medo obscuro

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 14 de Agosto de 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Diamond Films
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Eu juro que não sei qual é a dificuldade de alguns idealizadores na hora de criar um filme de terror, afinal só é preciso uma dose de criatividade para bolar algo com uma dose de novidade e que seja no mínimo assustador. E não é preciso reinventar a roda, até porque nem todas as histórias precisam trazer conceitos nunca antes vistos.

É apostando nessa simplicidade que “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” ganha seu mérito, indo na contramão de vários títulos recentes. Trata-se de um filme com um roteiro relativamente fácil de decifrar, talvez até já bem óbvio para os fãs do gênero, mas que ganha pela ousadia nos rumos da história e também pelo clima de terror bem construído, que aqui se dá através de pequenas histórias.

Os relatos apresentados no filme são de 1968, com a pequena cidade Mill Valley, nos Estados Unidos, como paisagem para o horror atípico. Durante gerações, o legado sombrio da família Bellows cresceu enormemente na região e assombrou o povoado. Segundo reza a lenda, a jovem Sara Bellows aterrorizou a todos com seus segredos e histórias macabras.

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E tudo poderia ser apenas uma lenda, mas os jovens Stella, Auggie e Chuck acabam tendo a infortuna ideia de visitar a casa dos Bellows, agora um lugar abandonado, bem no dia do Halloween. Lá, eles encontrar o livro de Sara Bellows, o que acaba sendo o pesadelo para todos eles. O problema é que este livro torna os mais terríveis pensamentos em monstros reais.

Terror bolado, mas roteiro manjado

Antes do lançamento do filme, eu confesso que imaginei uma trama apresentada mais num formato episódico, com pequenas histórias de terror sem uma conexão. No entanto, há um fio condutor bem interessante no script, que é a leitura do livro e as respectivas maldições transferidas para os protagonistas que foram infelizes de libertar essa maldição.

Sobre as historietas, se você já viu os trailers, é possível que você já tenha uma noção das criaturas do filme. Todavia, se você ainda não viu uma prévia, minha recomendação é não ver absolutamente nada para ter toda a surpresa no cinema. Aliás, é bom ressaltar que essa ideia de fazer contos menores funciona legal, já que os monstros do filme provavelmente não serviriam para um roteiro mais longo mesmo.

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Bom, os contos apresentados no decorrer do filme têm sua dose de ineditismo, que é justamente o que garante uma moral com o público que já conhece todo tipo de lenda do gênero. No entanto, é bom comentar que “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” peca ao amarrar as pontas, com um desfecho pra lá de clichê.

Felizmente, o filme deixa pra mostrar elementos de repeteco somente no fim da história, sendo que boa parte do desenvolvimento é muito bem dividido entre aquele famoso tour pela cidade (algo bem típico em filmes de terror que precisam de um cenário bem atraente), a apresentação dos personagens, que são bem entusiasmados, e a maldição da casa.

Poderia ser mais assustador...

Com essa dinâmica no script, o andamento do filme é bem coerente, o que faz as quase duas horas de projeção passarem bem rápido. Uma coisa que eu gostei muito é que o filme chega com uma vibe bem à la Stranger Things. Não, não se trata de uma cópia ou nem nada do tipo, mas justamente pela ambientação, a época da história e até os personagens divertidos, é bem provável que você consiga se empolgar facilmente com esse longa-metragem.

Aliás, importante mencionar o cuidado na produção com a parte dos efeitos visuais e sonoros, que casam muito bem e são os responsáveis pelo clima de tensão funcionar tão bem. Fique tranquilo que o filme não apela para a famosa técnica de jump scare. Em vez disso, há uma boa dose de terror mais grotesco, o qual funciona muito bem ao colocar os protagonistas bem de cara com o perigo — e aí pelo excesso de monstros, o capricho visual ajuda muito!

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É justo também pontuar a ótima condução do diretor André Øvredal, que se você gosta de terror já deve conhecê-lo de “A Autópsia” — e só por aí já dá pra saber da qualidade do filme. Com cenas que abusam de loopings infinitos nos cenários, ambientes claustrofóbicos e outros truques no escuro, uma direção bem variada é o que garante o sucesso da película. E a direção de arte ajuda muito, ainda mais em cenas que exploram muito uma mesma tonalidade de cor. Top demais!

Talvez, o único “defeito” relevante de “Histórias Assustadoras para Contar no Escuro” é que o clima de terror não é tão intenso, uma vez que os protagonistas são bem jovens e o excesso de bichos grotescos impede algo mais amedrontador. No entanto, é possível que alguns espectadores ainda se sintam amedrontados. É isso, um ótimo filme de terror pra ver no escurinho do cinema!

Fonte das imagens: Divulgação/Diamond Films

Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

Algumas histórias não deviam ser contadas...

Diretor: André Øvredal

Duração: 111 min

Estreia: 8 / Ago / 2019

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