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Crítica do filme I Am Mother

Uma luz no fim do túnel

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Terça, 11 Junho 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Netflix
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O futuro da humanidade é inevitável. Tirando as raras exceções que visam um mundo melhor, infelizmente os egoístas vão ganhar a guerra, nem que seja para acabar com tudo. E como diria Nelson Rodrigues: não pela capacidade, mas pela quantidade, pois há muitos idiotas.

E o que isso tem a ver com a produção da Netflix? Assim como tantas outras ficções, o filme “I Am Mother” trata o tema com um tom de obviedade, em que sempre nós mesmos causamos nossa destruição. E eis aqui o ponto de partida: um futuro sem humanos, com apenas um robô tentando criar uma nova geração de humanos.

Esta ficção científica nos apresenta uma adolescente (Clara Rugaard, que sequer recebe um nome próprio), que vive num laboratório sob a supervisão de sua mãe-robô (com a voz de Rose Byrne), a qual tem a missão de repopular a Terra. Só isto já daria argumentos suficientes para uma história incrível, mas a premissa já vai além do óbvio.

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Após anos de convívio, a relação delas é interrompida pela curiosidade da jovem protagonista, que não satisfeita com as explicações da mãe, dá brecha para que uma nova humana (Hilary Swank) coloque sua existência em ameaça. Com o surgimento desta personagem, surge também a dúvida sobre todo seu passado e o mundo exterior.

O futuro é feminino!

Eu já vi inúmeras ficções e muitas delas se apoiam no argumento da inteligência artificial garantir sobrevida aos humanos, então este não é exatamente um mérito do filme. Contudo, a decisão de colocar uma relação bem próxima de mãe e filha entre robô e humano numa abordagem bem familiar é o trunfo de “I Am Mother”.

Através de um roteiro com diálogos simples, o filme consegue mostrar tanto o avanço das máquinas quanto a afeição que nós humanos podemos ter para com uma mãe, mesmo que ela seja um bocado inusitada. Interessante pontuar também que apesar de toda a perfeição dos algoritmos, o filme dá brecha para falhas, algo normal em uma equação em que temos uma jovem cheia de curiosidade.

Assim, apesar de não aprofundar no drama, algo que poderia dar ainda mais substância para o filme, “I Am Mother” consegue prender nossa atenção pelas inúmeras surpresas decorrentes tanto das dúvidas da jovem protagonista quanto da dualidade das personagens. Obviamente, o maior suspense fica pelas ações inconsequentes de nossa protagonista humana, que acabam criando os desdobramentos para os atos seguintes.

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Tão importante quanto essa trama cheia de reviravoltas foi a tomada de decisão em optar por personagens femininas nesse futuro distópico. Em um gênero majoritariamente dominado por homens ridiculamente inflados por esteroides, ver uma produção que lida com questões mais profundas e ainda mantém o tom de ação é de glorificar em pé!

Temos uma jovem que toma as rédeas e nos mantém curiosos junto com ela o tempo todo, uma robô que nos deixa cheios de dúvidas e também uma celebridade (Swank) que dá um tom mais humano e contrabalanceia a atmosfera robótica da trama.

Aliás, falando nesse lado do maquinário, é interessante perceber o capricho dos efeitos visuais, que deixa o filme bem acabado. Não vou entrar nos pormenores, mas digo que esta é uma da raras exceções em que a expectativa é atendida com maestria. No todo, “I Am Mother” é uma ótima produção da Netflix que deve agradar pelo enredo com ótimas ideias e um fim coerente.

Fonte das imagens: Divulgação/Netflix

I Am Mother

Mamãezinha querida

Diretor: Grant Sputore

Duração: 115 min

Estreia: 7 / Jul / 2019

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