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Crítica do filme Jogos Vorazes: A Esperança - O Final

O voo baixo do tordo

Edelson Werlish

por
Edelson Werlish

Quarta, 02 Dezembro 2015
Fonte da imagem: Divulgação/
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Jogos Vorazes: A Esperança - O Final finalmente estreou e trouxe a esperada conclusão da saga para todos nós. Com um hype enorme – que muitos diziam que até superaria O Despertar da Força (pff) –, Katniss e seus amigos marcham rumo à capital para o confronto decisivo em Panem. Com todo o terreno preparado em seu antecessor (A Esperança Parte 1), O Final vem, não apenas para terminar a história que conquistou milhares de fã ao redor do globo, mas também para definir uma nova heroína e símbolo de luta no coração de todos nós.

Porém, se a revolução começou bem (leia a crítica da Parte 1 aqui), seu desenvolvimento morno e final decepcionante conseguem estragar com tudo aquilo que foi criado ao longo da série. A promessa de voar rumo ao sol e se banhar no Olímpo dos campeões dá uma guinada de 45 graus em direção a um desdobramento fraco que chega a beirar o tedioso, e a um fechamento tépido demais para ser digno da franquia.

Sempre há uma expectativa maior para o último filme de uma saga. De um lado, a produtora, que precisa fazer valer a pena os milhões de dólares investidos. Do outro, nós, reles mortais, que esperamos nada menos que respeito e qualidade com nossa história preferida na última ida aos cinemas. O problema é que nem sempre temos o equilíbrio dessas duas partes.

E nem estou falando sobre a divisão do livro em dois longas. Há uma certa hipocrisia em falar disso. Sempre penso na questão “quanto mais ver aqueles personagens que gosto tanto, melhor”, só que não é simplesmente separar em dois filmes diferentes. Tem que ter muito cuidado e habilidade para a ganância não sobrepor a arte cinematográfica. A franquia Jogos Vorazes, originalmente escrita em três livros, também optou pela divisão em duas partes em seu último tomo – uma técnica comercial que ganhou Hollywood de vez.

Mesmo não sendo um filme ruim, é fácil sair da sala de cinema querendo algo a mais. O tão esperando 76º jogos vorazes, realizado dentro da própria Capital, anima em uma ou duas passagens de ação, mas não tem o compromisso de ser o alicerce principal do longa. A rivalidade-mor entre a protagonista, Katniss Everdeen, e o vilão, presidente Snow, é alimentada durante os primeiros atos com a promessa de uma grande batalha entre os dois, mas esbarra no fim com uma reviravolta visando a conclusão política da estória e sem uma forte conclusão das próprias personagens. O atrito entre o trio amoroso Katniss, Peeta e Gale, também é posto em segundo plano, não colaborando em momento algum para um fecho sério e honesto, apenas para o bom e velho fã service.

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O problema em questão de Jogos Vorazes: A Esperança - O Final é a escolha de uma estrutura narrativa anticlímax. Toda a construção de personagens e seus relacionamentos em contraste, movimentos políticos e publicidade de guerra exacerbada que engrandeceram a trama até aqui viram conceitos pouco decisivos para um desfecho que não se encontra. Pela percepção fotográfica, a escolha da palheta de cores predominantemente cinza também influência muito na direção que o filme escolhe para seguir, tornando-o um filme sem cor, com emoção reduzida. Abraçar ou não o clichêismo é uma dúvida que permeia os minutos finais do longa, que no remate prefere ficar em cima do muro e dar aos fãs um doce e satisfatório epílogo.

Esse pode até ser O Final que queríamos, mas não o que merecíamos. 

Fonte das imagens: Divulgação/

Jogos Vorazes: A Esperança - O Final

Confira o trailer deste filme dirigido por Francis Lawrence

Diretor: Francis Lawrence
Estreia: 19 / Nov / 2015

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Edelson Werlish

Andou na prancha, cuidado Godzilla vai te pegar!

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