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Crítica do filme Joy: O Nome do Sucesso

Podia ser a minha família ou a sua

Lu Belin

por
Lu Belin

Segunda, 15 de Fevereiro de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/20th Century Fox
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A primeira coisa que eu tenho a dizer pra você que está pensando em ver Joy: O Nome do Sucesso é: não vá ao cinema se você estiver em um dia de pouca paciência ou vivendo um daqueles momentos em que sua família parece estar querendo acabar com toda a calma que existem dentro de você. Joy é um filme extremamente irritante. 

Nos primeiros minutos de filme, eu estava assim: 

É uma daquelas histórias em que todo mundo parece estar ali só pra desacreditar a protagonista e atrasar seu sucesso. Me senti um pouco assistindo Harry Potter, onde todo filme é a mesma coisa – Harry e os amigos estão sempre tentando alertar os adultos sobre o que está acontecendo, mas ninguém acredita até que uma grande merda acontece. 

Inspirado na história real da norte-americana Joy Mangano, o longa é dirigido por David O. Russel e traz Jennifer Lawrence no papel da protagonista. Joy é uma mulher com um talento especial para inventar coisas que, como tantos de nós, tem seus sonhos de uma vida perfeita frustrados pela realidade. 

Joy O Nome do Sucesso

Contada pela avó da protagonista, Mimi (Diane Ladd), a história começa com uma Joy criança e ruma para a fase adulta, já descompensada. Joy é uma mulher que vive na mesma casa com os dois filhos, a mãe largada às traças e viciada em telenovelas (Virgina Madsen), o pai que mais uma vez foi “devolvido” pela última esposa (sempre genial Robert De Niro) e o ex-marido Tony (Édgar Ramirez), um músico de zero projeção que vive no porão da protagonista.

Entram na história também a amiga de infância de Joy, Jackie (Inmate Daya de Orange Is The New Black, Dascha Polanco), a meia-irmã Peggy (Elizabeth Röhm) e a nova namorada do pai, Trudy (Isabella Rossellini). Com esse tanto de gente dando pitaco na vida da mulher, o que pode dar errado, não é mesmo?

Joy sou eu, Joy é você

Quem é que nunca sentiu que estava carregando o mundo nas costas sozinho? O roteiro do longa é conduzido de maneira muito eficiente. À medida que a história vai se desenrolando, vamos ficando cansados junto com a protagonista, que, por sinal, foi muito bem executada por Jennifer Lawrence – embora eu concorde com algumas críticas que sugerem que talvez uma atriz um pouco mais madura tivesse sido uma melhor escolha para o papel. 

Joy é a representação de uma infinidade de mulheres que precisam dar conta sozinhas dos problemas de todo mundo. Por que as pessoas depositam todo o peso da vida delas em cima do pescoço de uma única mulher? É um questionamento importante que a história de Joy Mangano nos coloca e é algo tão estrutural que às vezes a gente nem percebe. 

Joy Mangano

Também assinado por David Russel, o roteiro é a melhor parte do longa. A personagem é super bem construída como uma mulher que, mesmo confrontada com todo tipo de desafio, segue em frente e se impõe, com um empurrãozinho de Neil Walker (Bradley Cooper).

O mais sensacional é que o filme passa com louvor no Teste de Bechdel e no crivo de qualquer pessoa que atente para a consistência das personagens femininas no cinema. Joy: O Nome do Sucesso é sobre a saga de uma mulher cujo grande objetivo não é, pasmem, apenas conquistar um homem. Quero dizer, os homens estão ali, vários deles, mas ela não vive em função deles. Ela não precisa disso. Ela precisa de discernimento para lidar com as situações que caem sobre seus ombros e de apoio de quem está a seu redor, mas seu drama principal não envolve conquistar um coração, mas seguir em busca do seu sonho de inventar coisas que facilitem a vida dos outros. 

Onde foi que eu já vi isso antes?

Ver Joy: O nome do Sucesso é ficar com aquela sensação de que você já assistiu a algo semelhante antes. Talvez essa impressão seja o resultado do trabalho conjunto do trio Lawrence – Cooper – Russel. Os três já trabalharam juntos em O Lado Bom da Vida e em Trapaça, e retomaram a parceria para esta nova produção. 

Em vários aspectos, o longa repete a fórmula utilizada nas produções anteriores. O ritmo é parecido, assim como os enquadramentos e o estilo dos diálogos. 

O que também lembra muito os dois filmes anteriores é a trilha sonora – o que é, na verdade, um mérito, pois David Russel parece saber selecionar e mixar muito bem as canções com as cenas. Embora tenha uma ou outra composição original, a trilha sonora é mais comercial, mas muito bem sincronizada com os momentos do filme. 

Entre as canções utilizadas, alguns clássicos de Elvis Presley, Nat King Cole, Ella Fitzgerald, David Buckley, Bee Gees e The Rolling Stones, além de um bonitinho e um tanto constrangedor dueto de Jennifer Lawrence e Edgar Ramirez cantando Something Stupid.

Enfim, Joy: O nome do Sucesso nunca vai ser um super clássico do cinema, mas é divertido e tem um bom ritmo, altamente recomendável pra quem quer passar um pouco de raiva, mas também dar algumas risadas. 

Fonte das imagens: Divulgação/20th Century Fox

Joy: O Nome do Sucesso

O sucesso é feito de vários fracassos

Diretor: David O. Russell

Duração: 124 min

Estreia: 21 / Jan / 2016

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Lu Belin

Eu queria ser a Julianne Moore.

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