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Crítica do filme LEGO Batman: O Filme

O herói que Gotham merece e precisa

Thiago Moura

por
Thiago Moura

Quinta, 16 Fevereiro 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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O mais icônico personagem da DC Comics está de volta às telonas para alegria dos fãs do morcegão. Sim, alegria e diversão parecem não constar nos dicionários da Warner/DC ao se tratar de filmes de heróis, mas felizmente descobriram que usar mais do que três cores da escala cromática e um pouco de descontração pode resultar em momentos agradáveis para os fãs de todas as idades.

Uma Aventura Lego” surgiu em 2014 e surpreendeu, com piadas rápidas e por vezes até escrachadas mas repleto de autorreferências irônicas e um mundo inventivo, como se fosse tirado diretamente da imaginação de uma criança, exatamente o propósito dos brinquedos Lego.

Lego Batman: O Filme” é um spin-off que aproveita extremamente bem um personagem popular, apresentando uma nova roupagem para os já famosos filmes de super-heróis. O filme segue a linha de seu antecessor, então a diversão dos mais jovens está garantida. Mas quem realmente vai curtir o filme são os fervorosos fãs do Cavaleiro das Trevas.

Deve ser demais ser o Batman

A produção demonstra compreender a figura do protagonista como apenas os fãs do Homem Morcego conhecem, e ousa subverter o que se espera de um filme desse gênero. Sem medo de brincar com produções antigas e expor os clichês das próprias histórias.

Batman Lego é um gênio, bilionário, playboy, filantropo (Qual é a senha? Homem de Ferro é chato), destemido, egocêntrico e obcecado pela própria fama. Ele se considera indispensável para Gotham City e para Liga da Justiça, mas descobre que as coisas não são bem assim.

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Incapaz de demonstrar fraqueza ou se relacionar com outras pessoas, apesar de estar preparado para praticamente qualquer desafio e até sacrificar a própria vida heroicamente para proteger a cidade, Batman afasta qualquer pessoa que se aproxime emocionalmente dele. Tudo isso por medo de reviver a dor que experimentou quando ele perdeu seus pais. Meio pesado para uma animação Lego, não?

“LEGO Batman: O Filme” sabe rir de si mesmo e muito se deve ao trabalho de Chris McKay, diretor do longa e de produções como Frango Robô, do Adult Swin. O tom sarcástico e brincadeiras com personagens famosos é a essência do programa, então ninguém mais indicado para a direção. Mas o filme não é apenas uma sátira, o humor é utilizado para contar a história, não apenas fazer palhaçada.

Até um herói tem medos

A brincadeira com a figura do Batman é o que atrai ao filme, como o hilário trecho em que são colocadas diversas cenas dos filmes anteriores do Morcego até chegar ao famoso seriado dos anos 60 com o herói dançando em trajes coloridos.

O elenco original inclui nomes de peso nas vozes, como Will Arnet (Batman), Zach Galifianakis (Coringa), Michael Cera (Robin), Ralph Fiennes (Alfred), e Rosario Dawson (Batgirl), mas o trabalho fenomenal da dublagem brasileira não deixa absolutamente nada a desejar. Tanto na adaptação das piadas quanto nas personalidades dos personagens, o humor do filme é mantido de maneira impecável, com a possível exceção das letras das músicas, mas nada que atrapalhe a diversão.

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O fio condutor da trama é seu maior medo, e não estou falando de palhaços-cobra. O bloqueio por relações afetivas é desenvolvido durante o filme todo, desde permitir-se ter uma família novamente até aceitar ajuda dos outros e deixar de ser orgulhoso. Todas essas lições disfarçadas são importantes para as crianças, mas é interessante a forma como os vilões são apresentados.

Em determinado momento, Coringa declara todo seu ódio por Batman, afirmando que um não vive sem o outro e que são arqui-inimigos. Enquanto Batman diz não ter ninguém assim em sua vida, que no momento prefere ver vários vilões sem se apegar, quebrando o coração do palhaço. Talvez as crianças nem se importem, mas os mais velhos vão entender a abordagem de comédia romântica hollywoodiana, assim como diversas outras lições legais que não parecem forçadas.

Diversos vilões obscuros do Batman são apresentados, como o Rei dos Condimentos, que possui uma pistola de ketchup e outra de mostarda, e ele não foi criado para esse filme. Duvida? Joga no Google. Para extrapolar de vez, vilões de outras franquias da Warner dão as caras, como Sauron de Senhor dos Anéis e Voldemort de Harry Potter e até alguns bem antigos, como Gremlins e King Kong. Parece absurdo mas é importante lembrar que é um filme LEGO e que provavelmente é exatamente isso que acontece quando as crianças estão brincando, então apenas aceite.

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Como é bem claro para todos, os filmes da franquia Lego sempre vão parecer um comercial de duas horas. Apesar disso, a animação é bem executada e diverte do começo ao fim. Então apenas ignore aquela música pop que te enche de raiva, contenha a vontade de comprar todas as caixas de LEGO possível e as diversas e descaradas aparições de iPhones durante a exibição, que tudo vai continuar incrível.

E só por curiosidade, a voz do computador de Bruce Wayne é a Siri do iPhone. E se você também queria ter algo em comum com o Batman, basta falar “Hey ‘Puter” (forma Bat-abreviada de “Computer”) e a Siri vai te mostrar alguns easter-eggs do filme.

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

LEGO Batman: O Filme

É preciso uma cidade para conquistar um herói!

Diretor: Chris McKay
Duração: 104 min
Estreia: 9 / Fev / 2017

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Thiago Moura

Curto as parada massa.

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