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Crítica do filme Macbeth: Ambição e Guerra

Poesia agressiva que cativa

por
Fábio Jordão

17 de Dezembro de 2015
Fonte da imagem: Divulgação/

“Macbeth: Ambição e Guerra" é uma interpretação revigorada de uma das mais famosas peças de William Shakespeare sobre um corajoso guerreiro e um grande líder.

A produção dirigida por Justin Kurzel (Snowton e Assassin’s Creed) é estrelada por Michael Fassbender (Shame) e Marion Cotillard (A Origem).

Nesta revisita ao conto, o público é levado a acompanhar a história clássica, com riqueza de detalhes, fidelidade aos dizeres de Shakespeare e uma visão bem realista da peça.

Situada na paisagem medieval da Escócia, o filme conta a história de Macbeth, um guerreiro que pretende reconstruir seu relacionamento com a esposa, enquanto ambos lutam com as forças para conseguir o trono da Escócia, mesmo que para isso seja necessário criar um reboliço que envolve complô, traição e muita violência.

Como de costume, vamos direto ao ponto. A nova versão de “Macbeth” é uma obra realmente genuína, que acerta ao evidenciar os principais pontos da obra de Shakespeare, sem deixar o ineditismo de lado.

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É um filme bonito e bem produzido, que impressiona, mas que não deve agradar a grande maioria. A narrativa pesada é certamente o ponto de difícil digestão. Não por acaso, um punhado de gente saiu da sala na metade do filme. Se você já viu e quiser ler mais, prossiga para os próximos parágrafos para acompanhar meu raciocínio.

O espírito de Macbeth renovado

Para dizer a verdade, eu não li a peça de Shakespeare, portanto desconheço os diálogos em seus pormenores, mas eu vi a adaptação do Metropolitan Opera House, o que me permitiu ter uma noção do que estava por vir. Talvez, justamente por já conhecer a história é que não tive um choque com o desenrolar do roteiro, mas o cansaço deve pegar forte o público em geral.

Macbeth: Ambição e Guerra” não é um filme para todos, tampouco é uma simples forma de entretenimento. O longa-metragem baseado na obra de Shakespeare requer atenção aos detalhes e demanda domínio amplo de letras, já que traz diálogos rebuscados e prolixos.

A história do filme é boa, ainda mais porque retrata as guerras entre Escócia, Irlanda e Inglaterra. Os personagens são inspirados em figuras históricas, portanto temos aqui um filme que equilibra ficção e realidade.

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O elenco traz ilustres desconhecidos que, no geral, cumprem bem os papéis e contracenam direitinho com Fassbender e Cotillard. Os dois famosos são incontestavelmente magníficos em suas performances. Apesar da complexidade nos diálogos, os textos fluem naturalmente e ainda dão brecha para muitas expressões que dominam o quadro.

A feição de Fassbender é quase que imutável, com um rancor expresso em seu olhar sempre furioso. Ele se sai muito bem tanto nas cenas de proximidade quanto nas situações de batalha, demonstrando jogo de corpo e competência na hora de encenar o lado guerreiro de Macbeth.

Cotillard não deixa por menos, cativando a plateia com sua beleza ímpar, mas deixando um ar de mistério em tudo que arquiteta na história. A atriz consegue ir de um rostinho duvidoso para outro completamente desesperado em questão de instantes.

A guerra em toda sua glória

O ritmo de “Macbeth: Ambição e Guerra" é um bocado diferente, com cenas demasiadamente longas que apenas desenvolvem curtas ideias através de frases truncadas e recheadas de devaneios, mas que se intercalam com cenas arrebatadoras de pura violência.

A insistência nas câmeras lentas tende justamente a forçar o público a acompanhar a brutalidade e vislumbrar os combates com riqueza de detalhes. Funciona muito bem, ainda mais com as montagens bem pensadas em campos de batalhas dominados por fumaça, névoa e cadáveres.

A fotografia rouba a atenção frequentemente, com paisagens de tirar o fôlego. Tanto as capturas internas quanto externas são pensadas para passar um ar de grandeza, mostrando o porquê da ambição do protagonista. É impossível não ficar boquiaberto com os belos screensavers projetados para a telona.

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Vale destaque ainda mais especial para a trilha sonora. As notas prolongadas, os sons estridentes, a tranquilidade na introdução de cada instrumento, a perfeita harmonia entre sons pesados e agudos, enfim, toda a composição foi pensada para mostrar a sanguinolência de um homem com grandes desejos.

A música original de Jed Kurzel (responsável pela trilha de Babadook) orquestra com perfeição os diálogos, mas dá ênfase ainda maior às batalhas, que se entrelaçam com os sons das longas sequências de câmera lenta recheadas de coreografias bem executadas. Um filme muito bem executado e que vale a atenção do espectador!

Contudo, essa atenção exigida para acompanhar a história é que vai justamente afastar o público que busca apenas entretenimento e não quer ver uma grande obra sendo reinterpretada com foco na arte. Se você quiser se arriscar, fica a dica: desligue-se do mundo, tome um café e prepare o cérebro.

Fonte das imagens: Divulgação/

Macbeth: Ambição e Guerra

Confira o trailer deste filme dirigido por Justin Kurzel

Diretor: Justin Kurzel
Duração: 113 min
Estreia: 31 / Dez / 2015

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