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Crítica do filme Malasartes e o Duelo com a Morte

Um trapaceiro de primeira

Nicole Lopes

por
Nicole Lopes

Sábado, 12 Agosto 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Globo Filmes
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Não tão esperto como se imaginava, o filme “Malasartes e o Duelo com a Morte”, dirigido por Paulo Morelli, encanta ao usar e abusar dos efeitos espaciais para contar a história de uma das criações mais querida da cultura folclórica ibero americana, todavia, pisa em alguns buracos no meio caminho. 

Nos cafundós deste Brasil, um caboclo muito esperto ganha a vida passando a perna nos outros, lembra de alguém assim? Pois é, lembrou do Pedro Malasarte? Este caboclo, interpretado por Jesuíta Barbosa, acaba se encrencando ao criar uma dívida com sujeito brabo chamado Próspero (Milhem Cortaz), irmão de Áurea (Isis Valverde), que é apaixonada por Pedro.

Para ajudar Malasartes, o seu padrinho, tão malandro quanto ele,  resolve visitá-lo em seu vigésimo primeiro aniversário e presenteá-lo. Só que ninguém sabia, que o seu padrinho era a Morte encarnada (Júlio Andrade), que cansada do seu trabalho elaborou um plano para seu afilhado ficar em seu lugar. Ao mesmo tempo, a bruxa Parca Cortadeira (Vera Holtz) e ajudante trapalhão da Morte, Esculápio (Leandro Hassum) também querem este posto. 

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Aí que confusão começa, tanto na história quanto no roteiro. Neste fragmento de várias casos, o longa metragem acaba se perdendo e deixando no ar algumas perguntas sem resposta. O telespectador fica meio perdido ao tentar entender o que aconteceria com Malasartes após ele realizar os três pedidos para salvar uma pessoa de morrer. Ou quando a Morte resolve “matar” alguém de forma mais aleatória possível.

Um duelo bem produzido

Em compensação, o diretor diretor Morelli, realizador de Cidades dos Homens (2007) e Entre Nós (2013) e sócio da produtora O2 filmes, não economizou em efeitos especiais e roupagem tecnológica para surpreender a cada cena.  Foram mais de 700 planos com efeitos especiais, o que contabilizou 50% da produção do filme. Além de uma pós produção de dois anos e investimento de 4,5 milhões de reais de 13 milhões. Afinal, é o filme brasileiro com maior número de cenas construídas digitalmente.

É possível perceber a qualidade estética, fotográfica e os efeitos especiais em boa parte do filme. O cenário do “lado de lá”, onde a Morte, as bruxas Parcas e Esculápio vivem, é de tirar o chapéu, sô! A escuridão e o abismo onde seria o “limbo” são iluminados por várias velas, que representam cada pessoa viva no mundo. Cada vela é presa em uma fio, a linha da vida, e através delas que Malasartes consegue “voar”, um dos momentos mais lindos do filme. 

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As três irmãs bruxas Parcas, história da mitologia grega, são representadas com traços fortes da cultura popular brasileira. As bruxas utilizam-se da máquina de fiar para fabricar, tecer e cortar o fio da vida dos mortais, o que lembra o trabalho das fiandeiras do sertão.  Como também, a linguagem, na paisagem do interior de Goiás, na arquitetura das casas, figurino dos personagens e a trilha sonora.

Apesar de alguns buracos, ou pedras, no meio do caminho, a qualidade estética encanta e os atores surpreendem ao trabalhar a identificação da nossa raíz brasileira. E claro, a risada é garantida.

Fonte das imagens: Divulgação/Globo Filmes

Malasartes e o Duelo com a Morte

Os incríveis paradoxos da malandragem

Diretor: Paulo Morelli
Duração: min
Estreia: 10 / Ago / 2017

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Nicole Lopes

À procura do mundo invertido 

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