log in
 

Crítica do filme Medo Viral

Trama bugada com sustos pra garotada

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 16 Agosto 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Fenix Filmes
Mudar tema Padrão Noturno
Barra lateral X Desativar
Mudar fonte A+ A A-

Eu sou um verdadeiro fã de filmes de terror, mas não foram poucas as vezes que comentei com amigos sobre a dificuldade da indústria cinematográfica em modernizar esse gênero. A chegada de inúmeras tecnologias complicou os roteiristas que, em geral, jogam seguro com histórias ambientadas no passado ou que inviabilizam o uso de eletrônicos.

Indo na contramão dessa galera, os Irmãos Vang escrevem, dirigem e produzem “Medo Viral”, uma obra um tanto inesperada, que não apenas aproveita uma temática recente, mas como também expõe um medo dos jovens: os apps inteligentes — e potencialmente perigosos. Afinal, nada mais perigoso que os nude vazando por aí, né?

Tudo começa com um aplicativo à la Siri, que reconhece comandos de voz e realiza tarefas — até aqui nada de novo. Só que, aos poucos, o app começa a revelar funções assustadoras, incluindo respostas agressivas, postagens indevidas e até interações medonhas com direito ao uso de Realidade Aumentada. Aí é que não demora pra coisa acaba em choro!

Apesar da boa intenção na modernização do gênero, o roteiro se mostra cheio de bugs, o que acaba desviando nossa atenção para as falhas no script. Alguns momentos de tensão até que conseguem prender os olhares na telona, mas os atores (ainda que alguns tenham experiência no gênero) pecam muito na hora de se jogar nessa inclusão digital.

Quem tem Baidu tem medo!

É claro que “Medo Viral” não é o primeiro filme que ousa mexer com tecnologia, tampouco é um filme inédito nesse combo de corrente do mal e softwares — o filme “Amizade Desfeita” já tinha jogado algumas ideias nesse sentido. Todavia, quando a gente pensa em coisas mais palpáveis, talvez este título tenha alguns truques no celular.

A ideia de um app inteligente (e nada de entrar numa pira de Skynet) que se aproveita de todos os dados do internauta é assustadora. Em tempos que temos tudo concentrado na nuvem, e muita gente até joga coisas íntimas nos apps, um software desse naipe pode ser realmente assustador.

medoviral1 afeed

Sim, o roteiro aqui pira muito e vai até a mistura do virtual com o real, o que em partes até dá pra engolir. Todavia, a partir de um dado momento, o script começa a mexer com o psicológico da turma. Tudo isso seria perfeitamente compreensível, mas o tropeço em argumentos básicos é o que impede que a gente dê muita credibilidade ao filme.

Parece que os roteiristas não pesquisaram muito sobre o tema e aí qualquer um com um entendimento adicional já vai derrubar o software malicioso em poucas argumentações. Somando esse descuido aos acontecimentos preguiçosos e pouco interessantes dos personagens, não tem como aceitar a bagunça desse terror virtual.

Por que tão sério?

Você provavelmente conhece a frase acima do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, mas o que essa citação tem a ver com um longa de terror? Bom, primeiro que é inevitável olhar o cartaz de “Medo Viral” e não ligar o personagem na imagem ao Coringa. Segundo que, ao acompanhar a história, a gente acaba enxergando muita inspiração no lado sarcástico do app.

Só que não para por aí. É curioso que, na maioria dos filmes de terror com propostas um tanto inovadoras, a gente acaba percebendo que o roteiro, na tentativa de escapar um pouco das críticas severas, prefere jogar de forma segura e apostar no alívio cômico. No entanto, em “Medo Viral”, a gente percebe um movimento contrário, com um tom de seriedade constante.

medoviral2 f6b7a

Nada de errado com uma pegada mais serena, ela até consegue deixar a gente mais tenso, o problema é que essa escolha, alinhada à trilha sonora quase ausente em alguns momentos, deixa o desenrolar da coisa um tanto sonolento. O ritmo dos diálogos e até o desenvolvimento da trama também não colaboram, mas, ao menos, o filme não tem uma pegada amadora.

Aliás, ainda que tenha seus bugs de roteiro e algumas melhorias poderiam ser bem-vindas no ritmo da carruagem, é preciso elogiar os irmãos Vang pelo filme, que, mesmo tendo lançado o filme muito antes de “It – A Coisa”, surpreendem com cenas muito assustadoras que você possivelmente vai remeter a alguns conceitos do filme recente do Palhaço de Stephen King.

Apesar de não ser genial, dá pra dizer que “Medo Viral” tenta fugir dos clichês e pode ser uma opção razoável para os jovens que buscam novos sustos — até porque ainda falta um bocado de tempo pra chegar a temporada oficial de terror. Boa sorte e cuidado com os apps que você instala no seu smartphone.

Fonte das imagens: Divulgação/Fenix Filmes

Medo Viral

Não aceite o convite!

Diretor: Abel Vang, Burlee Vang

Duração: 91 min

Estreia: 16 / Ago / 2018

Curtiu esse texto? Então deixe seu comentário e aproveita para compartilhar nas redes sociais!

Comentários

Este é um espaço para discussão. Você pode concordar, discordar ou agregar informações ao conteúdo, mas lembramos que aqui devem prevalecer o respeito e bom senso. O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Nos reservamos o direito de apagar comentários que não estejam em conformidade com nossos Termos de Uso.