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Crítica do filme Megatubarão

Galhofa até a última gota

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quarta, 15 Agosto 2018
Fonte da imagem: Divulgação/Warner Bros. Pictures
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E olha só se não é mais uma megaprodução com monstros gigantes para entreter o povo que adora um bom filme de ação. Pois é, a indústria cinematográfica trabalha com temporadas de criaturas inimagináveis e, desta vez, a onda nos presenteou com mais um filme de tubarão.

Felizmente, esse novo filme está na embarcação da Warner, que não tropeça em poça d’água e só aposta em títulos de qualidade um pouquinho melhor — o que é uma grande vitória se a gente pensar no tanto de obras que vêm aparecendo na mesma maré de Sharknado.

Em “Megatubarão”, somos levados a navegar numa história um tanto rasa, mas que acaba se justificando de alguma forma e que pode render bons bocados de risada e emoção. O roteiro aproveita o mistério quanto à Fossa das Marianas e mostra um mundo inexplorado.

Só que do argumento genial no começo do filme até a aparição de Jason Statham pra salvar o dia, a coisa desanda dum jeito, que só os tubarões mesmo conseguem salvar o filme de um naufrágio. No todo, esse é um longa que não pode ser mesmo levado a sério e que até diverte em boa parte do tempo, mas que se perde totalmente nas águas agitadas do script.

Cagaço em alto mar

O roteiro costurado por três escritores (alguns que até se ajudaram em “Battleship”) começa bem com a história de uma possível espécie de tubarão — o Megalodonte, que pode chegar a ter mais de 20 metros de comprimento — que ficou amocada no fundo do oceano. Sério, num primeiro momento, bate uma emoção, parece um documentário do Discovery Channel.

Só que na primeira cagada que dá nas profundezas do mar, a gente já flagra que aí vem um turbilhão de zoeira da grossa. O argumento de “Megatubarão” é fraco e essa história da turma de cientistas que vão pro meio do lugar nenhum descobrir coisas incríveis já cansou e não convence, ainda mais dado os clichês dessa enorme fossa de galhofa dos filmes de monstros.

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Mas tudo bem, afinal de contas, a gente vai pro cinema já sabendo disso e quer ver mesmo é tubarão gigante tacando dentada em barco, em outros bichos, em helicóptero e no que tiver dando sopa. Nisso, a produção “Megatubarão” acerta em cheio, porque o bichão chega cheio de fome e quer tacar o terror em alto mar, na praia e até nas instalações científicas.

As cenas do protagonista dessa história — que é o próprio Tubs, apelido carinhoso que essa gigante merece — são incrivelmente bem montadas, com bons sustos e uma ou outra surpresa. Sim, vai ter aqueles clichês com leves viradas de câmera e um ou outro jump scare, mas tá tudo legal, porque o cagaço tá garantido!

Da tensão ao tesão — em alto mar

É curioso que apesar da boa pegada no começo da história e das aparições do nosso amigo Tubs, a galera por trás da caneta deve ter feito uma baita reunião pra bolar planos de como eles poderiam deixar esse filme ainda mais genial. Deve ter sido nessa hora que o cardume ficou bolado e teve peixe dando pitaco pra todo lado.

O maior problema de “Megatubarão” não é a parte clichê ou o heroísmo já enfadonho de Statham, mas é a indecisão de qual corrente marítima seguir até o fim. O filme sai do suspense, mergulha na ação, dá umas voltas em romances bem secos, respinga umas piadas, volta pra tensão e assim vai até a gente não entender mais nada.

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É muita confusão de montão e emoção com amor ao mesmo tempo e sem parar. Talvez um pouquinho mais de direcionamento nesse barco poderia deixar o cruzeiro mais agradável, divertido e até mais curto — porque ninguém merece enrolação em filme de tubarão, afinal a gente quer ver o bichão sair caçando os humanos, né?

No fim das contas, eu até recomendo ver o filme no cinema, porque é legal ver umas criaturas tops assim na telona e tem umas piadas que valem a risada, mas “teje avisado” que a galhofa nada de braços abertos. E você pode até não gostar muito de filmes de monstros, mas, lembre-se, nunca diga “desta água não beberei”, afinal, se você subir na prancha, já toma cuidado que esse tubarão vai te pegar!

Fonte das imagens: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Megatubarão

Eles vão precisar de um barco muito, muito maior!

Diretor: Jon Turteltaub

Duração: min

Estreia: 9 / Ago / 2018

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