log in
 

Crítica Mogli – O Menino Lobo

Aquela história que todos amamos versão HD Remix

Edelson Werlish

por
Edelson Werlish

Quarta, 11 de Maio de 2016
Fonte da imagem: Divulgação/Walt Disney Pictures
ap 728x90 data 5463e
Mudar tema Padrão Noturno
Barra lateral X Desativar
Mudar fonte A+ A A-

♫ Eu uso o necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais ♫ 

Se tem algo mais certo do que 10+10=20 é a habilidade dos estúdios Walt Disney de adaptar contos e histórias fantásticas para dentro das telonas. Não que todas as suas obras sejam perfeitas, mas é inegável a paixão e cuidados que a casa tem quando trabalha com os grandes clássicos da literatura, ainda mais quando resolve fazer um remake de uma animação tão consagrada no coração das pessoas.

Estamos falando aqui de Mogli – O Menino Lobo, que ganhou nesse ano uma versão live-action, simultaneamente baseada na obra homônima do autor inglês Rudyard Kipling, de 1894, e inspirada na animação musical da própria Disney, de 1968. Ou seja, o dobro de responsabilidade para entregar um filme que esteja à altura tanto do livro, quanto do famigerado desenho em longa-metragem. Será que a firma do Mickey consegue o resultado esperado?

 

 

A resposta é: sim. O novo Mogli consegue captar a essência da história do menino lobo e transportá-la para um filme esbanjado de efeitos especiais, sem se perder na artificialidade dos recursos visuais. Isso cabe muito bem à direção do longa, a qual não mediu esforços (e tempo de renderização) para criar um mundo totalmente digital e hiper-realista. O processo de CGI fotorrealista, que utiliza as expressões dos atores para compor a criação das faces dos animais é extremante meticulosa, mostrando níveis avançados de produção e pós-produção. Se você gostou dos efeitos n’As Aventuras de Pi, espera só para ver o que os caras fizeram nesse aqui. É uma soma de personagens, vegetação, paisagens e luz, que beira a naturalidade. 

Muitas confusões na floresta com essa turminha do barulho 

O Livro da Selva é a história de Mogli, um garoto indiano criado por lobos. À medida que vai crescendo, o menino precisa aprender e encontrar seu lugar no mundo, interagindo e aprendendo com os diversos animais antropomórficos que vivem na floresta. Repleto de analogias e metáforas, a obra traduz diversos ensinamentos para a vida, como fraternidade, lealdade, respeito e disciplina. Não é à toa que ela foi adotada como um guia dos “Lobinhos”, estágio inicial dos Escoteiros.

Nesse filme essas lições também estão presentes, porém são contadas com a fórmula Disney de fazer blockbusters de bilheteria, explorando o emocional ideal para crianças e adultos. O roteiro novamente se distancia do teor mais sério e adulto da obra de origem (muitas vezes o livro é violento e sombrio), para focar no pipocão.   

O único ator real presente é justamente Mogli, interpretado pelo ótimo ator mirim Neel Sethi, que rodou todas as cenas dentro de estúdios, com chroma key por todos os lados. E convenhamos, não é fácil, ainda mais para um jovem de 12 anos, fazer um papel desses, em que você deve imaginar tudo que está acontecendo na cena olhando apenas para uma parede de tela azul.

 

mogli2 44822
 

Todos os animais presentes são criados no computador, porém dublados só por “feras”. Idris Elba faz o vilão, o tigre Shere Khan, Scarlett Johansson dubla a cobra Kaa, Ben Kinglsey fica na voz da pantera Bagheera, Lupita Nyong’o é a loba Rakcha, Giancarlo Esposito o lobo Akela, Christopher Walken o rei dos macacos Louie, e para fechar a conta, ninguém menos que Bill Murray na voz do urso Baloo.

Ambos Elba e Murray são imponentes em seus animais, dando medo e arrancando boas risadas da audiência, respectivamente. Walken é outro destaque da dublagem. A sequência do templo dos macacos, na qual Mogli é sequestrado pelos símios, é uma das melhores, senão a melhor, passagem do filme, explorando toda a qualidade e personalidade da voz dos bichos, junto com altas confusões, fugas e bananas.

002 040fe
 

...o extraordinário é demais ♫ 

Mesmo não seguindo afinco o roteiro de seu antecessor, O Mogli de 2016 é cheio de referências e homenagens a obra original. Planos, sequências, fotografia, piadas, e diversos outros elementos são mantidos, só que em escalas muito maiores.

Um prato cheio para todos, assim como eu, que cresceram lendo a história ou assistindo o desenho. O ápice da nostalgia se dá música mais famosa, “Somente o necessário ♫”, publicada no original inglês como “The Bare Necessities”. A única dúvida que existe para assisti-lo é se você vai querer ver legendado, escutando a voz de toda essa "alcateia" de grandes atores, ou se vai preferia a versão dublada e curtir e cantar “Somente o necessário” em português. Na dúvida, veja os dois ;)

Mogli – O Menino Lobo (2016) é um sururu na selva ao melhor estilo Disney de contar histórias. O estúdio consegue sobrepor história e emoção – seja pela qualidade do filme em si ou por meio da nostalgia dos fãs – ao uso dos efeitos digitais de todos os animais ou cenários, e dar ao espectador o que ele veio assistir no cinema: um misto de aventura e diversão, com uma história simples e bem executada dentro da sua proposta. É um entretenimento honesto para toda a família. 

Fonte das imagens: Divulgação/Walt Disney Pictures

Mogli - O Menino Lobo

Mogli - A história clássica do Menino Lobo ganha nova vida!

Diretor: Jon Favreau

Duração: 106 min

Estreia: 14 / Abr / 2016

Curtiu esse texto? Então deixe seu comentário e aproveita para compartilhar nas redes sociais!

Edelson Werlish

Andou na prancha, cuidado Godzilla vai te pegar!

Comentários

Este é um espaço para discussão. Você pode concordar, discordar ou agregar informações ao conteúdo, mas lembramos que aqui devem prevalecer o respeito e bom senso. O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Nos reservamos o direito de apagar comentários que não estejam em conformidade com nossos Termos de Uso.