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Crítica do filme Não Olhe

Previsivelmente juvenil

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Quinta, 28 Fevereiro 2019
Fonte da imagem: Divulgação/Paris Filmes
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Não são poucos os filmes que questionam nossa realidade através de espelhos, sendo que muitos desses títulos (como “Espelhos do Medo” ou “O Espelho”) usam tal objeto misterioso como uma porta para um mundo de suspense e terror. Para quem gosta de uma boa dose de viagem por uma visão distorcida do mundo real, há várias obras que devem chamar atenção pela temática, mas “Não Olhe” dificilmente é um deles.

E eu começo o texto dessa forma não para denegrir o filme, que tem lá seus méritos, mas porque eu – como um ávido apreciador de títulos de terror – não quero que você seja enganado. Aliás, interessante pontuar que o trailer cumpre sua função, enquanto o nome do filme é quase uma mensagem para impedir que as pessoas entrem na sala de cinema (ainda que, talvez, a psicologia reversa funcione aqui).

Na trama de “Não Olhe”, acompanhamos a história da jovem Maria (India Eisley), que é constantemente humilhada na escola e renegada em sua própria casa. Devido a tal situação, a garota vive deprimida e sozinha, mas ela acaba encontrando uma amiga em sua própria imagem no espelho. Aos poucos, ela percebe que não se trata apenas de um reflexo de sua personalidade, mas de um alter ego com sede de vingança.

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A sinopse ainda tem mais um tanto de informações, mas se você pretende ver o filme independente de qualquer coisa, então não convém seguir adiante, até porque, ainda que existam considerações a serem feitas quanto ao script do filme, há boas ideias no decorrer da história. Vamos falar mais da produção e dessa visão falha apresentada no roteiro do filme.

Produção de luxo

Primeiro de tudo, é bom ver capricho no filme, mesmo que a história seja aquém do esperado, um filme de baixa qualidade só abre precedente para piada – e uma coisa é a tal da galhofa proposital, outra é o relaxo desenfreado. Assim, é de se elogiar toda a parte de construção do filme, que depende muito dos aspectos técnicos, uma vez que várias cenas de espelho precisam ser convincentes.

Esse é um problema de ser muito crítico, pois a gente fica reparando em tudo para encontrar defeitos, porém é bom ver que houve um cuidado extra para enganar a plateia. As cenas com reflexos são primordiais e muito bem executadas, sendo mérito tanto do diretor quanto da protagonista, que precisa desempenhar ações muito idênticas para criar essa realidade paralela no espelho.

Tão importante quanto esse cuidado na concepção das cenas é a edição, que faz a ponte entre as duas Marias, bem como conecta várias partes subsequentes da trama. A fotografia bem planejada é bastante relevante aqui, já que temos uma cidade branca como a neve e muitas cenas que lidam com iluminação criar a aura de mistério. Da mesma forma, a trilha empolgante dá o tom de juventude que a gente espera.

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É válido apontar que, apesar da boa performance de India Eisley nas cenas de espelho, a personagem não parece favorecer muito a atuação da menina. De qualquer forma, a garota se sai bem no todo, ainda mais se considerarmos que ela precisa guiar quase todo o filme e em diferentes realidades. Os coadjuvantes cumprem bem seu papel, mas é Jason Isaacs que se destaca ao interpretar um pai complexo em vários sentidos.

Roteiro desleixado

Ainda que haja um esforço do diretor para nos manter interessados no lance do espelho, é a história pouco convincente que nos leva a apreciar o filme apenas por motivos de “já paguei o ingresso, então quero só ver o que vai acontecer”. Todavia, o mesmo cara que leva a glória também merece as críticas, já que ele é o roteirista e parece ter planejado as cenas apenas para executar suas peripécias na direção.

Uma coisa que me deixa boquiaberto em alguns filmes é essa mania de alguns roteiristas já darem pistas no começo da película, o que mostra uma preguiça para tentar explicar de forma instigante os fatos no decorrer da história. No caso de “Não Olhe”, o spoiler inicial é bem prejudicial, pois a gente já sabe uma parte importante da história, então todo o resto vira apenas complementar.

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E sinceramente, apesar de várias cenas exageradas (que provam como existem muitos americanos representados em filmes que precisam urgentemente de psicólogo), a primeira metade do filme é até bem curioso, já que nela se desenvolve toda essa magia do espelho. Todavia, a segunda parte é uma gangorra de “olha que legal essa ideia” e “não sei pra onde levar o filme”.

Toda essa montanha-russa de suspense e cenas ousadas deixa a plateia apreensiva, mas a falta de um rumo bem definido simplesmente estraga a ideia, já que o filme ignora vários personagens e ações da protagonista. E, para acabar, temos uma conclusão inconclusiva e bem sem nexo. Enfim, “Não Olhe” é uma boa pedida para a galera mais teen, mas certamente é só um filme meia-boca para quem busca uma história coerente.

Fonte das imagens: Divulgação/Paris Filmes

Não Olhe

O rosto é o espelho da alma

Diretor: Assaf Bernstein

Duração: 103 min

Estreia: 28 / Fev / 2019

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