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Crítica do filme No Escuro da Floresta

Até que ponto vai a burrice humana?

Fábio Jordão

por
Fábio Jordão

Segunda, 05 Junho 2017
Fonte da imagem: Divulgação/Bron Studios
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Navegar pelo catálogo do Netflix é sempre uma aventura. Muitas vezes, zapeamos por longas horas as categorias e não encontramos nada; noutras, damos de cara com Ellen Page e Evan Rachel Wood na imagem de um filme misterioso sobre um futuro apocalíptico.

Não se trata de um filme de zumbis ou de uma história mirabolante que motivaria o pânico global. O argumento central de “No Escuro da Floresta” é uma queda de energia elétrica que afetou várias regiões nos Estados Unidos, bem como a escassez de combustível e de suprimentos.

Neste cenário, conhecemos as irmãs Nell (Ellen Page) e Eva (Evan Rachel Wood), e seu pai Robert (Callum Keith Rennie). Eles vivem numa casa isolada no meio da floresta, mas totalmente conectados ao mundo com tecnologias que detonam o avanço no tempo.

Após um evento inesperado, as duas irmãs ficam vivendo no local e terão de se virar sem energia elétrica. O que pode dar de errado? Muita coisa. Qualquer situação tem potencial para desdobrar em uma ocasião perigosa; assim como a tomada de decisões no roteiro pode descambar para rumos indesejados e duvidosos. Vamos adentrar à floresta e falar mais disso.

Apocalipse pautado no drama

Se após ver o trailer de “No Escuro da Floresta”, você não pensou duas vezes e correu dar o play pra conferir a história assustadora do filme, há grandes chances de você ter ficado um tanto embasbacado com a guinada no rumo que as coisas tomam no roteiro — se você ainda não o fez, é provável que você vai ficar boquiaberto com o andar da carruagem.

A gente já tem ideias pré-concebidas quanto a títulos apocalípticos, e sempre esperamos cenas de tensão e susto, em tramas que geralmente apelam para o lado mais desesperado do ser humano. Talvez por conta da abordagem diferenciada é que a trama deste longa-metragem acaba soando um tanto bizarra.

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Em vez de mostrar o caos causado pela falta de energia (que é um argumento que dá pano pra manga) ou o medo das protagonistas frente às situações tensas, o filme dirigido e roteirizado por Patricia Rozema foca muito mais no drama entre as duas. Basicamente, é um filme sobre cotidiano em tempos difíceis, então pode esperar por diálogos pautados em bobeiras.

É claro que não está proibido fazer filme dramático com tema apocalíptico de fundo, porém o foco alternativo no tom do script aqui pode soar esquisito. Além disso, não é nem questão do tema mais amplo do roteiro, mas sim das circunstâncias apresentadas. Não há substância para levar a história adiante, pois os dramas são muito fracos — e é cada decisão que as personagens tomam que você vai se perguntar: “Onde é que isso vai parar?”

A briga entre o tédio e a tensão

Se por um lado a história fica entediante pela falta de ocasiões mais tensas, por outro o cenário escolhido — da floresta misteriosa cheia de possibilidades para momentos angustiantes — é ideal para deixar o espectador ansioso para saber o que vai acontecer. Cada cena tem elementos propícios para um desdobramento que poderia surpreender — pena que isso raramente acontece.

Na mesma proporção de bizarrice do desenvolvimento do roteiro, há uma pegada tecnológica totalmente desnecessária. Não há nada que justifique a introdução de determinados elementos futuristas no filme e a impressão que fica é que a idealizadora do filme não deu conta de elaborar o universo proposto sem o auxílio dessas ferramentas.

Além de todos esses pormenores, ainda temos a falta de embasamento para questões fundamentais do filme, então não espere descobrir como a humanidade chegou nesse estágio. A utilização de personagens pouco relevantes também mostra a falta de coerência na construção do roteiro, o que, novamente, deixa o espectador cada vez mais frustrado.

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E, no meio disso tudo, temos duas boas atrizes que ficam perdidas no escuro da floresta. Ellen Page (com sua tradicional camisa xadrez e carinha de sempre) e Evan Rachel Wood (agora menos robótica do que vimos em Westworld) se empenham para guiar a trama, mas as incoerências acabam fazendo as duas trabalharem incansavelmente sem chegar a lugar algum.

Os recursos sonoros do filme também merecem destaque, ainda que aconteça de termos problemas de incoerência entre o tom da trilha — que pende para o suspense — e o tom da imagem, que apela para um cenário misterioso, mas que apresenta apenas situações sem grandes surpresas.

Enfim, “No Escuro da Floresta” é um filme que poderia dar muito certo, mas que no fim fica patinando no mesmo lugar e chega a um fim bem revoltante. Fica a lição para aprendermos um pouco sobre a burrice humana diante de situações extremas — e também de como um roteiro com argumento promissor pode dar muito errado. Veja por sua conta e risco!

Fonte das imagens: Divulgação/Bron Studios

No Escuro da Floresta

Esperança é poder

Diretor: Patricia Rozema

Duração: 101 min

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